Francisco
Marcellino de Souza Aguiar nasceu em 02 de junho de 1855, em Salvador,
Bahia. Filho de Francisco Primo de Souza Aguiar, natural de Bahia, e Joanna
Maria Freund Aguiar, natural da Áustria. O seu pai foi Major do
Exército, Engenheiro Militar, Lente (Professor) da Escola Militar
e, em 1861, Presidente da Província do Maranhão.
Ao
falecer, em 1868, o Major Francisco Primo deixou viúva e seis filhos.
Por não conseguir manter a família com a pensão (metade
do soldo do major) e pecúlio, Dona Joanna Maria trabalhou como costureira
no Arsenal de Guerra. Como era costume na época, cuidou da educação
dos filhos homens, conseguindo que o mais velho deles, Francisco Marcellino,
com doze anos de idade, se matriculasse gratuitamente no Collegio Pinheiro,
depois no Mosteiro São Bento e mais tarde no afamado Collegio Victorio.
Em
1869, Francisco Marcellino matriculou-se como cadete na Escola Militar,
tornou-se Alferes Aluno em 1874 e concluiu o curso de Engenharia em 1876.
Já
como capitão, em 1879, Souza Aguiar foi transferido para o Rio Grande
do Sul onde se casou com Maria Gabriela, em 1884, mesmo ano em que sua
mãe, Joanna Maria, faleceu.
Souza Aguiar, nomeado pelo
Presidente Affonso Penna, foi Prefeito do Rio de Janeiro de 16 de novembro
de 1906 a 23 de julho de 1909; recebeu a Medalha de Ouro do Mérito
Militar em 1903 e reformou-se no posto de Marechal em 1911. Faleceu em
sua residência, na Rua Payssandu, 222, no Rio de Janeiro, às
13 horas do dia 10 de novembro de 1935 e foi enterrado no Cemitério
São João Batista. A família dispensou as honras militares
a que o Marechal tinha direito, mas aceitou que a Prefeitura arcasse com
as despesas do enterro, oferta do Prefeito Pedro Ernesto que decretou luto
oficial de três dias.
Ao
falecer, Souza Aguiar deixou viúva Maria Gabriela de Souza Aguiar
e sete filhos: Gabriel de Souza Aguiar, Engenheiro-Chefe da Diretoria de
Engenharia da Prefeitura do Rio de Janeiro; Miguel de Souza Aguiar, Engenheiro
da Companhia Mecânica e Importadora de São Paulo; Louis de
Souza Aguiar, Médico; Capitão Raphael de Souza Aguiar; Geny,
casada com Domecq de Barros; América, casada com Eugenio Lefki;
e a religiosa Maria Angelina do Colégio Sion de Petrópolis.
O General Engenheiro
Souza Aguiar assumiu, em
1877, o cargo de Instrutor Geral da Escola de Tiro de Campo Grande, no
qual permaneceu até ser promovido a Capitão e transferido
para o Rio Grande do Sul, em 1879, onde demarcou as fronteiras brasileiras
com o Uruguai, no período de 1880 a 1888, e construiu os quartéis
de Bagé e São Gabriel. Ainda no Rio Grande do Sul, foi promovido
a Major, em 1888.
Ao
retornar ao Rio de Janeiro, foi promovido, em 1891, a Tenente-Coronel,
quando foi nomeado Comandante do Batalhão de Engenharia e projetou
os quartéis dos batalhões de Infantaria e Cavalaria; assumiu,
em 1892, o cargo de Secretário do Ministro da Guerra, até
integrar, no mesmo ano, a comissão que representou o Brasil em Chicago.
Antes de partir, a pedido do Marechal Floriano Peixoto, em poucos dias
projetou o Hospital Central do Exército.
Em
1894, assumiu o cargo de Diretor Geral dos Telégrafos. Em 1896,
tornou-se Comandante da Escola Militar do Rio Grande do Sul e, em 1897,
Comandante do Corpo de Bombeiros, na Capital da República, quando
projetou o Quartel Central da corporação, cuja construção
iniciou no ano seguinte.
Em
1904, Souza Aguiar presidiu a Comissão de Representação
do Brasil na Exposição Universal de Saint Louis; enquanto
se encontrava nos EUA, a pedido do ministro do Interior, do ministro da
Fazenda e do ministro da Guerra, respectivamente, projetou o edifício
da Biblioteca Nacional, estudou a fabricação de cédulas
para implantação dos serviços da Casa da Moeda e estudou
o sistema estadunidense de fabrico da pólvora sem fumaça.
Na Exposição, obteve o Grande Prêmio de Arquitetura
com o projeto do Pavilhão do Brasil. No retorno ao Brasil, foi promovido
a general-de-brigada e encarregado da construção do edifício
da Biblioteca Nacional e do Palácio Monroe.
Administração
Souza Aguiar
Antecedentes
A
situação internacional no início do Século
XX foi marcada por muitos fatores que podem ser considerados causas subjacentes
da Grande Guerra que eclodiria em 1914. A Alemanha, desde a fundação
do império em 1871, atravessou um período muito acentuado
de desenvolvimento econômico, a ponto de, em 1914, produzir mais
ferro e aço que França e Inglaterra juntas; neste período,
a Alemanha consolidou sua supremacia na indústria química,
de precisão e de equipamentos, por isto, passou a representar uma
ameaça aos interesses ingleses e franceses. No campo diplomático,
Bismarck conseguiu formar, em 1873, a Liga dos Três Imperadores,
uma aliança entre Alemanha, Áustria e Rússia, à
qual a Itália aderiu em 1882, principalmente pela perda da Tunísia
para a França, em 1881. Contudo, a instabilidade marcava a diplomacia
européia. A partir de 1890, houve a aproximação entre
Rússia e França, dela resultando a Entente Cordiale, acordo
amigável, sem aliança formal, consolidada em 1907 com a formação
da Triple Entente, entre França, Rússia e Inglaterra, tendo
como base acordos secretos de partilha do Norte da África e de territórios
na Ásia. A própria Itália, a partir de 1900, conformou-se
com a perda da Tunísia e obteve o apoio da França, em pacto
secreto firmado em 1902, cuja base foi a partilha do Norte da África.
A Itália passou a tentar reaver territórios em poder da Áustria.
Além dos aspectos diplomáticos e econômicos, é
importante destacar a existência de alguns movimentos, dentre os
quais, o plano da Grande Sérvia, o pan-eslavismo na Rússia,
o movimento de revanche na França e o pangermanismo, diferentes
manifestações de nacionalismo.
No
mesmo período, nos EUA, a partir de 1840, o interesse pela democracia
passou a ter pouca importância; na Era Dourada, posterior à
Guerra Civil, o robusto individualismo, no qual a pobreza era considerada
um atributo da inépcia e a riqueza um sinal de virtude, consolidou-se
e se exprimiu em movimentos que marcaram o isolacionismo dos EUA, entre
eles, o movimento dos Greenbackers que, entre 1870 e 1880, defendia o estabelecimento
de uma moeda dirigida, a taxação dos rendimentos e a restrição
da venda de terras públicas aos colonizadores, tendo, em 1888, incorporado
à sua plataforma a encampação das ferrovias e dos
telégrafos, o voto feminino e a eleição direta dos
senadores federais. Outro importante movimento isolacionista foi o chamado
Movimento Populista que defendia: a cunhagem da prata, na proporção
de dezesseis para um, em relação ao ouro; o imposto progressivo
sobre a renda; caixas econômicas postais; encampação
de ferrovias e telégrafos; eleição direta de senadores
federais; e período presidencial único. A partir de 1900,
firmou-se o Movimento Progressista que incorporou interesses intelectuais
e urbanos às reivindicações dos dois movimentos anteriores,
defendeu a reforma tributária, o voto secreto, registro de votantes,
iniciativa popular, referendum, eleições preliminares diretas
(para escolha de candidatos dos partidos), cassação de mandatos
pelo voto popular, leis de restrições das contribuições
financeiras às campanhas eleitorais, representação
proporcional e criação de regulamento para o serviço
público. A Doutrina Monroe (James Monroe, presidente dos EUA de
1817 a 1825), de 1823, expressou, como nenhuma outra, o ideário
isolacionista e surgiu devido ao temor de que a Quíntupla Aliança
- formada por Áustria, Rússia, Inglaterra, Prússia
e França – tentasse impor o jugo espanhol às repúblicas
do Hemisfério Ocidental que proclamaram a independência da
Espanha. Conhecida como pan-americanismo, a Doutrina Monroe declarava que
qualquer tentativa européia de estender seu sistema ao Novo Mundo
seria considerada uma ameaça à paz e à segurança
dos Estados Unidos, mas esta doutrina foi a base da justificativa do papel
estadunidense de polícia do Mundo, sobretudo com o corolário
Roosevelt, emitido por Theodore Roosevelt, o Homem do Porrete Grande, em
1904, que anunciava, em casos nos quais “a delinqüência ou impotência
crônica” de qualquer dos estados independentes do Hemisfério
Ocidental poderia forçar os EUA a exercerem, “ainda que com relutância”,
os poderes de polícia internacional. A própria realização
de duas grandes exposições mundiais - Chicago em 1892 e Saint
Louis em 1904 - ambas com a participação de Souza Aguiar,
simbolizou o novo papel dos EUA no cenário internacional.
No
México, os movimentos camponeses, de caráter anti-latifundiário
e anti-imperialista, liderados no Norte por Pancho Vila e no Sul por Emiliano
Zapata, reivindicavam a reforma agrária, defendiam os direitos individuais,
o ejido (terras comunitárias de origem indígena), leis trabalhistas
e a nacionalização, sob controle do Estado, de importantes
setores da economia em poder do capital estrangeiro: exploração
mineral e petrolífera, estradas de ferro, bancos, produção
e distribuição de energia elétrica, grande parte das
indústrias e do grande comércio.
No
Brasil, ao contrário do que ocorria na Europa e na América
do Norte, o nacionalismo não prevalecia, para os brasileiros, Paris
era o centro do Mundo, da França vinham mais que perfumes, roupas,
bebidas e materiais de construção, pois o modo de ser parisiense
determinava o estilo de vida das elites brasileiras que viviam nas cidades
e cultivavam o savoir vivre. Nas capitais brasileiras, as referências
à Capital da República eram feitas em tom afetado, com misto
de reprovação e respeito; chamada de “a Corte”, a Cidade
do Rio de Janeiro era o mais importante centro irradiador dos hábitos
e costumes importados da França. No Rio de Janeiro, a belle époque
e o art nouveau, mais que referências estéticas e visuais,
marcaram todo processo de modernização da cidade, tanto na
grande reforma urbana empreendida por Pereira Passos, como na construção
de novos prédios, alguns deles projetados ou construídos
pelo próprio Souza Aguiar.
Na
Presidência da República, Affonso Penna incentivou a criação
de ferrovias e, por meio da expedição de Cândido Rondon,
interligou a Amazônia ao Rio de Janeiro pelo fio telegráfico.
No plano econômico, fez a primeira compra estatal de estoques de
café, transferindo, assim, os encargos da valorização
do produto para o Governo Federal, que antes era praticada apenas regionalmente,
por São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, signatários
do Convênio de Taubaté. Além disto, Affonso Penna modernizou
o Exército e a Marinha (o que não impediu a Revolta da Chibata,
contra castigos corporais, em 1910) e incentivou a imigração,
como a japonesa, iniciada em 1908. Em virtude de seu afastamento dos interesses
tradicionais das oligarquias, Affonso Penna enfrentou uma crise por ocasião
da sucessão. David Campista, indicado pelo presidente, foi rejeitado
pelos grupos de apoio a Hermes da Fonseca, principalmente por Pinheiro
Machado, o mais influente congressista daquela época. Affonso Penna
ainda tentou indicar os nomes de Campos Sales e Rodrigues Alves, sem sucesso.
Em meio a tudo isto, Ruy Barbosa lançou a campanha civilista. A
crise e a morte do filho, Álvaro Penna, debilitaram a saúde
do presidente que faleceu em 10 de junho de 1909, sendo substituído
pelo vice-presidente Nilo Peçanha.
No
Rio de Janeiro, a Administração Pereira Passos, anterior
ao Governo Souza Aguiar, promoveu as grandes reformas urbana e sanitária,
mas a alto custo social e financeiro. Quase ao fim do mandato, Pereira
Passos solicitou ao Conselho Municipal, por meio da mensagem 229 de 10
de novembro de 1906, crédito extraordinário de 139,589$93.
Na análise do pedido, houve a seguinte manifestação
do Conselho Municipal: “Quem a S. Ex. succeder só tem três
caminhos a seguir: 1º Declarar a Municipalidade em bancarrota e a
ninguem pagar os seus compromissos. 2º Arrancar aos munícipes,
por meio de novos impostos, o melhor de sua fortuna. 3º Obter do Governo
Federal novos recursos, e, auxiliado por grandes golpes de economia, applical-os
de modo a tornar conjurada a crise existente – e para isto sobra competência
ao illustre general indicado para chefiar o futuro governo municipal. Não
nos parece difícil prever qual destes caminhos será escolhido,
tal a repugnância que inspiram os dous primeiros indicados.” Por
isto, ao assumir a Prefeitura, os dois maiores desafios de Souza Aguiar
eram: o equilíbrio financeiro e o resgate social.
O
mandato
O
governo federal transferiu à administração anterior
muitos recursos financeiros, inclusive para a abertura da Avenida Central.
Na nova administração municipal, a ação do
governo federal se limitou às obras do porto. Ao assumir a Prefeitura,
Souza Aguiar encontrou muitas obras inconclusas, outras que precisavam
ser refeitas, como a Avenida Beira-Mar. Além disto, Souza Aguiar
herdou grandes dívidas. Sobre a situação financeira,
em mensagem ao Conselho Municipal, em 4 de maio de 1907, Souza Aguiar escreveu:
“Das questões
que mais assoberbam a administração publica, occupa, sem
duvida, lugar dominante o problema financeiro, já pelas difficuldades
que lhe são inherentes, já pela decisiva influencia que exerce
sôbre todos os serviços a ella subordinados.
Ao assumir o cargo de Prefeito
deste Districto, a situação financeira do Município
foi, entre os negocios de que tive de tomar conhecimento, o que, desde
logo, mais me preoccupou, obrigando-me a concentrar no assumpto toda minha
attenção, convicto que me achava de que, sem bem o estudar
e convenientemente regularizal-o seria grave erro prosseguir nos emprehendimentos
herdados da passada administração, com o mesmo impulso que
esta lhes havia dado.
Não
ha quem ignore que o estado das finanças municipaes, ao terminar
a administração transacta, estava longe de ser animador,
chegando-se mesmo a affirmar que a situação financeira era
a mais deplorável e que a Municipalidade corria o risco de imminente
bancarrota.
De
sóbra sabeis quanto eram exagerados taes conceitos, que devem ser
considerados antes fructo das tendencias pessimistas da época,
do que resultado de conjecturas baseadas em informações de
valor. Se é verdade que a Municipalidade despendeu talvez mais do
que devia e podia, em período de tempo relativamente tão
curto, se é certo que o passivo municipal se acha bastante avultado,
sendo graves os embaraços com que luta a administração
para voltar ao regime de perfeita normalidade financeira e prosseguir com
actividade nos melhoramentos ainda necessarios á cidade, por outro
lado, é fóra de duvida que vai sempre em progressão
crescente a arrecadação das rendas do Districto, que o patrimonio
municipal se avolumou consideravelmente e que a cidade passou por completa
transformação, com a vantagem de conservar o seu credito
illeso e inalteravel"
Ao
assumir o cargo, o Prefeito Souza Aguiar encontrou, entre salários
atrasados, compromissos vencidos até novembro de 1906, contas a
pagar até dezembro de 1906 e compromissos contratados para 1907,
dívidas no total de 32.890:809$187; a arrecadação
total da Prefeitura em 1906 foi de 25.438:584$968, superior à de
1905 em 3.031:212$953, mas nos dois primeiros meses de 1907 a arrecadação
superou o mesmo período de 1906 em 560.470$519. Foi notável
a capacidade de Souza Aguiar de sanear as finanças da Prefeitura,
continuar as obras iniciadas na gestão anterior, fazer novas obras
e investir em educação, com a criação de escolas
e do primeiro jardim de infância do Rio de Janeiro, além de
oferecer à cidade um serviço de assistência pública
mais eficiente. Construiu o Posto de Assistência da Praça
da República, que viria a se tornar o Hospital Souza Aguiar. Destinou
consideráveis recursos à Casa de São José,
abrigo de crianças desvalidas, e ao Asylo de São Francisco
de Assis para “velhos aleijados, acusados do crime de implorar a caridade
publica”. Regulamentou e tornou mais rígidos os controles higiênicos
e sanitários, sobretudo na produção de leite e seus
derivados, inclusive como forma de prevenção de doenças
como a tuberculose, para isto, recuperou o matadouro de Santa Cruz, implantando
o serviço de abastecimento d’água a partir do rio Itá,
também criou o Laboratorio de Analyses de Generos Alimentícios
e investiu na qualificação de pessoal técnico. Procurou
melhorar as condições de comércio de gêneros
com a construção do Mercado Municipal da
Praia D. Manoel, inaugurado
a 15 de fevereiro de 1908.
Nos
meios acadêmicos, é muito difundida a idéia de que
o primeiro conjunto habitacional do Brasil foi construído por Pereira
Passos, que, na verdade, realizou licitações e celebrou
contratos em 1906, mas foi Souza Aguiar quem construiu vilas operárias
na Avenida Mem de Sá, no Becco do Rio e na Avenida Salvador de Sá,
concluídas em 1908.
Com
o falecimento do Presidente Affonso Penna, o vice-presidente Nilo Peçanha
completou o mandato e nomeou o General Inoccencio Serzedello Corrêa
para substituir Souza Aguiar que deixou o cargo de Prefeito do Distrito
Federal em 23 de julho de 1909.
Principais
obras da Administração Souza Aguiar
Construção:
Palácio Monroe; Biblioteca Nacional; Theatro Municipal, Pavilhão
Mourisco; Palácio da Prefeitura; Escola Nacional de Belas Artes,
atual Museu Nacional de Belas Artes; Escola Menezes Vieira; Escola Macaúbas;
Escola Barth; Escola Affonso Penna; Escola Deodoro; primeiro Jardim da
Infância do Rio de Janeiro; Posto Central de Assistência da
Praça da República, atual Hospital Souza Aguiar; Posto de
Assistência da Rua Camerino; Laboratório de Análises;
Mercado Municipal da Praia D. Manoel, Mercado das Flores; Edifício
da Superintendência da Limpeza Urbana; Oficinas da Superintendência
da Limpeza Urbana; Casas para operários na Avenida Salvador de Sá,
no Becco do Rio e na Avenida Mem de Sá; Escadaria da Rua Paranaguá;
Externato Souza Aguiar; dois galpões do Asylo de São Francisco
de Assis; Casa de São José.
Reforma:
Palácio Guanabara.
Asfaltamento:
Largo da Carioca; Rua Marquês de Abrantes; Rua das Laranjeiras, da
Soares Cabral em diante; Praça da República; Praça
XV de Novembro.
Recuperação
e substituição de asfalto: Rua Primeiro de Março;
Rua do Rosário; Rua do Hospício; Rua da Alfândega;
Rua da Carioca; Rua da Assembléia; Rua Marechal Floriano; Rua 13
de Maio; Rua da Lapa; Largo da Glória; Rua do Catete; Campos dos
Frades; Praça José de Alencar; Rua Senador Vergueiro.
Calçamento:
Avenida Mem de Sá; Praça dos governadores; Rua Gomes Freire;
Rua do Núncio; Rua São Pedro; Rua General Câmara; Rua
Guanabara; Rua Paissandu; Largo da Glória; Rua 7 de Setembro; Praça
7 de Março; Rua Dona Elisa; Rua das Palmeiras; Rua dos Tamoios;
Rua Barão de Icaraí; Rua Honório de Barros; Rua Soares
Cabral; Rua Nova Guanabara; Rua do Roso; Rua Senador Correia; Praia do
Flamengo; Rua Visconde de Sapucaí; Rua Dois de Dezembro; Praia do
Russel; Rua São José; Rua Senador Euzébio; Becco do
Rio; Rua São Francisco Xavier; Avenida Beira-Mar; ruas do entorno
do Novo Mercado; Praça 11 de Junho; Praça Ferreira Vianna;
Rua Haddock Lobo; Rua Pereira Franco; Rua Nery Pinheiro; Rua Hypodromo
Nacional e os trechos entre as ruas General Pedra e Senadoz Euzébio
das ruas: Visconde de Sapucahy; Commandante Maurity; Carmo Netto; João
Caetano; Augusto Pinto; Ezequiel; Pedro Rodrigues e Mesquita Junior.
Implantação:
iluminação elétrica de diversas ruas do Rio de Janeiro,
em 1907; abastecimento d’água do matadouro de Santa Cruz, a partir
do rio Itá.
Realizações
de Souza Aguiar
O
Palácio Monroe
- Resgate de uma Época
Grande
Prêmio de Arquitetura da Exposição Universal de Saint
Louis de 1904, realizada em comemoração ao centenário
da incorporação do território da Louisiana aos EUA.
Para a participação da delegação brasileira,
presidida por Souza Aguiar, o Presidente Rodrigues Alves enviou mensagem
ao Congresso Nacional, solicitando o crédito necessário para
a construção de um pavilhão, que marcasse a presença
de nosso país, na Exposição, respeitada a condição
de que, finda a mostra, o edifício pudesse ser desmontado e reconstruído,
no Rio de Janeiro, conforme determinação do Aviso nº
148 de 3 de julho de 1903, cláusula 1ª: "Na construção
do Pavilhão se terá em vista aproveitar toda a estrutura,
de modo a poder-se reconstruil-o nesta capital". Projetado e construído
pelo então Coronel de Engenheiros Francisco Marcellino de Souza
Aguiar, sua estrutura, totalmente metálica, foi a grande novidade
tecnológica da época, o prédio, inspirado na arquitetura
francesa, representou a ruptura da arquitetura brasileira com a tradicional
arquitetura portuguesa, os elementos de composição inscrevem-se
na linguagem geral do ecletismo, num estilo híbrido, caracterizado
por uma combinação liberal de diversas origens que marcou
uma época de transição na arquitetura, no qual se
misturam elementos neoclássicos e art nouveau. Os jornais
estadunidenses da época elogiaram a técnica de engenharia
e o perfil arquitetônico do edifício, destacando o "Pavilhão
do Brasil" pela beleza, harmonia das linhas e qualidade do espaço,
premiado com a Medalha de Ouro da exposição.
Em
solo brasileiro, o pavilhão foi batizado de Palácio Monroe
e remontado no fim da Avenida Central, com 1.700 m² de área
construída, num espaço que fora parte da rua do Passeio,
cujas casas foram demolidas na reforma urbana do governo anterior. A construção,
com prazo inicial de doze meses, durou quatro meses e o Palácio
Monroe foi oficialmente inaugurado em 23 de julho de 1906, com a instalação
solene, em suas dependências, da Terceira Conferência Pan-Americana,
marco na história da diplomacia brasileira, presidida por Joaquim
Nabuco, que congregou os chanceleres das três Américas e foi
um dos pontos altos da carreira do Barão do Rio Branco. Este palácio
abrigou a Câmara dos Deputados (1914 a 1922), integrou-se à
Exposição comemorativa do Centenário da Independência
e serviu a diversos órgãos públicos, dentre eles,
o Senado Federal, de 1925 a 1960, exceto entre 1945 e 1946 quando o Senado
foi fechado e o prédio foi a sede provisória do Tribunal
Superior Eleitoral. Com a transferência da Capital da República
para Brasília, o Palácio Monroe sediou o Estado Maior das
Forças Armadas.
Por
causas jamais esclarecidas, o Palácio Monroe foi demolido em 1976.
É falsa a alegação de que foi por causa da construção
do metrô, pois o mesmo teve seus túneis desviados em 1974
para não comprometerem a estrutura do Palácio Monroe. Da
demolição, escaparam vitrais preciosos, soalhos em madeira
de lei, estátuas - inclusive os leões que decoravam a escadaria
de entrada -, vendidos a particulares pela empresa demolidora, além
de móveis e objetos que integram o acervo histórico do Senado.

Biblioteca
Nacional
O
edifício da Biblioteca Nacional, projetado e construído por
Francisco Marcellino de Souza Aguiar, caracteriza-se por um estilo eclético,
no qual se misturam elementos neoclássicos e art nouveau, e contém
ornamentos de artistas como Eliseu Visconti (“A solidariedade Humana” e
a “Liberdade”, além do próprio ex-libris da Biblioteca),
Henrique e Rodolfo Bernardelli, Modesto Brocós e Rodolfo Amoedo
(“A Memória” e “A Reflexão”); a escadaria principal é
ladeada pelas estátuas da “Inteligência” e do “Estudo”, ambas
de Corrêa Lima, o prédio tem frontão saliente, corpos
de esquina arredondados (como no Colégio Pedro II, de 1837, projetado
por Francisco Bithencourt da Silva) e torreão central do tipo francês;
no alto, ocupa o tímpano um relevo em bronze, tendo ao centro a
figura da República, ladeada à direita por “Paleontologia”,
“Imprensa” e “Cartografia” e, à esquerda, por “Icnografia”, “Miniatura”
e “Bibliografia”. Situa-se na Avenida Rio Branco, número 219, Praça
da Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro. Compõe, com o
Museu Nacional de Belas Artes e o Theatro Municipal, um conjunto arquitetônico
e cultural de inestimável valor. Além disto, na época
em que o prédio foi construído, suas instalações
atendiam às exigências técnicas, como: pisos de vidro
nos armazéns, armações e estantes de aço com
capacidade para 400 mil volumes, amplos salões e tubos pneumáticos
para a remessa de pedidos e book-carrier para o transporte de livros
dos armazéns para os salões de leitura.
Theatro
Municipal
Projetado
por Francisco de Oliveira Passos, com a colaboração de Albert
Guilbert, o prédio foi inspirado no projeto de Charles Garnier para
a Ópera de Paris. A construção foi iniciada, em 1905,
na Administração Pereira Passos e concluída em 1 de
junho de 1909 pelo Prefeito Souza Aguiar que o inaugurou em 14 de julho
de 1909. Situado na Praça Marechal Floriano, conhecida como Cinelândia,
no Centro da cidade, numa área de 4.220 m2, o Theatro Municipal
é um dos mais belos prédios do Rio de Janeiro. Todo o material
usado na construção foi importado da Europa: mármores,
ônix, bronze, cristais, espelhos, mosaicos, vitrais, maquinaria de
palco, etc., só de vigamentos metálicos foram utilizadas
mais de 1.400 toneladas. Muitas obras de arte foram produzidas por artistas
europeus, como as cariátides em bronze da fachada, representando
as Estações, as estátuas da Poesia e da Dança
(Verlet), lampadários do vestíbulo (Bézault), estátua
de mármore da escada principal ((Injalbert), vitrais (Fennerstein
e Fugel). Os maiores artistas brasileiros da época – Eliseu Visconti,
Rodolfo Amoedo e Rodolfo Bernardelli – criaram as pinturas e as esculturas
que enfeitam a sala de espetáculos, a fachada e as áreas
de circulação do teatro. O Theatro Municipal se tornou a
principal casa de espetáculos do Brasil, por isto recebeu alguns
dos maiores artistas e companhias de dança internacionais, bem como
os principais nomes da dança, da música e da ópera
brasileiras, além de orquestra, coro e companhia de balé
próprios.
Museu
Nacional de Belas Artes
O
prédio foi projetado pelo arquiteto Adolfo Moralles de los Rios
e construído pelo Prefeito Souza Aguiar para ser a nova sede da
Escola Nacional de Belas Artes, em 1908, com mais de 10.500 m² de
áreas de exposição. Em 13 de janeiro de 1937, tornou-se
o Museu Nacional de Belas Artes.
Hospital
Souza Aguiar
Como
parte do esforço em promover o resgate social, Souza Aguiar construiu
o Posto Central de Assistência da Praça da República,
atual Hospital Souza Aguiar, e o Posto de Assistência da Rua Camerino.
A
Exposição de Chicago
A
Exposição Universal de Chicago, realizada em 1892, foi a
comemoração oficial dos 400 anos do Descobrimento da América.
Montada numa área de 277 hectares, no Jackson Park, recebeu, durante
seis meses, 27 milhões de visitantes. Enquanto os europeus promoviam
a partilha da África e da Ásia, os estadunidenses partiam
para uma política exterior mais agressiva e a exposição
objetivou confirmar a superioridade continental dos EUA, incentivar o consumo
da população estadunidense e recuperar o prestígio
de Chicago, após seu grande incêndio de 1871.
A
"White City" compunha-se de prédios monumentais que formavam uma
grande "parede" branca, tornando-se a grande atração da exposição
e o símbolo da Beaux-Arts dos EUA, influenciando os planos das cidades
de Washington d.C., Cleveland, San Francisco e Chicago.
A
Roda Gigante, “Ferris Wheel”, outra grande atração, podia
conduzir, a um só tempo, dois mil passageiros e tinha 80 metros
de altura.
O
Pavilhão do Brasil foi a primeira importante representação
internacional do governo republicano. Pela primeira vez, um arquiteto brasileiro,
Francisco Marcellino de Souza Aguiar, foi o responsável pela nossa
representação. Souza Aguiar projetou nosso pavilhão,
um edifício monumental e simétrico, em estilo eclético
com elementos clássicos, de acordo com a tendência construtiva
dos demais pavilhões, usando o mesmo revestimento em gesso branco
da White City, mas deu aos pináculos do coroamento um leve toque
de exotismo e dispôs muitas bandeiras brasileiras nas cúpulas,
como demonstração do espírito republicano de orgulho
nacional.
No
dia 22 de fevereiro de 1894, Souza Aguiar foi exonerado, a pedido, da Comissão
Brazileira da Exposição de Chicago e nomeado Director Geral
do Telegrapho.
Hospital
Central do Exército
Quando
já estava designado para participar da Exposição de
Chicago, na condição de arquiteto, Souza Aguiar recebeu,
do Marechal Floriano Peixoto, a incumbência de projetar o novo Hospital
Central do Exército, objeto de dois decretos assinados pelo Marechal
Manoel Deodoro da Fonseca: o nº 277, de 22 de março de 1890,
que organizava o Corpo de Saúde e o serviço hospitalar e
no Artigo 7 determinava: “Fica criado na Capital Federal um hospital central,
único de 1ª classe..." e o nº 307 de 7 de abril de 1890,
que regulamentava o Serviço Sanitário e no Capítulo
V, Artigo 54 determinava: "Haverá na Capital Federal um hospital
de 1ª classe sob a denominação de Hospital Central do
Exército”.
Em
poucos dias, Souza Aguiar elaborou o projeto que constava de oito pavilhões
isolados, Modelo Tollet, para enfermarias e de um grande pavilhão
para administração de serviços gerais, além
de outras edificações para enfermarias de isolamento e mais
serviços, tudo para quinhentos leitos.
Em
20 de março de l892, foi lançada a pedra fundamental, na
grande área de 78.960 m2 no bairro de Benfica, adquirida ao Jóquei
Club, no valor de sessenta e nove contos de réis.
Em 22 de junho de 1902, foi
oficialmente inaugurado com apenas três pavilhões construídos:
Pavilhão "Caxias", com as Enfermarias "B.Vasques", "Moura" e "João
Severiano"; Pavilhão "Osório", com as Enfermarias "Bayma",
"Mallet" e "Argolo"; e Pavilhão "Deodoro", com as Enfermarias "Êneas
Galvão", "Cantuária" e "Carlos Machado". Em 11 de agosto
de 1905, foram inaugurados mais três pavilhões: "Rodrigues
Alves", destinado ao Laboratório Bacteriológico e Serviço
de Eletroterapia e Eletrodiagnóstico, "Marcellino Aguiar", com as
Enfermarias "Paulo Guimarães" e "Ismael da Rocha", para presos,
e "Benjamim Aguiar", para as Irmãs de Caridade. Em 8 de dezembro
de 1910, foram inauguradas mais duas enfermarias. O Pavilhão Central
“Floriano Peixoto” foi inaugurado em 1913. Em 1915, foi inaugurado o Pavilhão
"Dr. João Câncio, com as enfermarias: "Dr. Souto Castagnino",
"Dr. Nestor Cavalcante" e "Dr. Tolentino de Albuquerque". Em 11 de abril
de 1916, foi inaugurado o Pavilhão "Visconde de Souza Fontes", constituindo
uma única Enfermaria. Em 4 de novembro de 1911, foram inaugurados
mais dois pavilhões o "Calógeras" e o "General
Médico José
Bulcão".
Mais
de meio século depois, o Modelo Tollet, de pavilhões isolados,
foi considerado superado pelas modernas técnicas hospitalares, o
hospital foi demolido e, em 18 de novembro de 1982, foi inaugurado o conjunto
arquitetônico do Ambulatório, denominado "General-de-Brigada
Antônio Carlos Pires de Carvalho e Albuquerque", que inclui clínicas
médicas de todas as especialidades, Serviço Odontológico
e uma Unidade de Emergência. Depois, foi construído o Bloco
Industrial, integrado ao conjunto arquitetônico, composto de: cozinha,
quatro refeitórios, central de caldeiras, lavanderias e uma central
de esterilização. Completa a área hospitalar, um conjunto
de quatro pavilhões que atendem aos pacientes geriátricos,
infecto contagiosos, oncológicos, pediátricos e gestantes.
Em 1990, foram inaugurados, no andar térreo do antigo Pavilhão
"Lott", um moderno Acelerador Linear e no Pavilhão "Canrobet Pereira
da Costa", maternidade, enfermaria para clínica cirúrgica
pediátrica, clínica oftalmológica e clínica
laringológica. A capacidade total do Hospital é de seiscentos
e trinta leitos.
Pavilhão
Mourisco
Projetado
pelo arquiteto português Luiz de Moraes Júnior, com base em
croquis de Oswaldo Cruz, o Pavilhão Mourisco é o atual Prédio
Central da Fundação Oswaldo Cruz. Arcos bizantinos, arcadas
sobre colunas e duas abóbadas evidenciam o estilo neo-mourisco,
seu aspecto decorativo lembra o Alhambra de Granada, em alguns aspectos
também lembra o Observatório de Mountsouris, na França,
onde Oswaldo Cruz fez sua especialização em microbiologia.
A construção foi iniciada em 1905 e concluída em 1909.
O
prédio foi construído em Manguinhos, voltado para o mar,
no alto de uma colina, com fachada de 50 metros.
As
paredes do subsolo são de granito extraído de pedreiras de
Manguinhos. A base do prédio é arrematada por uma cinta em
granito trabalhado. As paredes das varandas externas são cobertas
de azulejo Bordalo Pinheiro e o piso de mosaicos franceses que imitam,
pela variação de cores e formas, tapetes e passadeiras árabes.
As portas são trabalhadas em peroba nacional amarela, talhadas em
diversos motivos e com maçanetas americanas lavradas em bronze dourado.
As paredes e o teto são ricamente decorados em alto relevo, com
predominância de elementos geométricos e cor mate-ouro. A
escadaria principal, em ferro forjado, com corrimão de metal e degraus
de mármore Carrara, foi feita na Alemanha, a partir de desenho nacional.
No hall, à altura do quarto pavimento, há um vitral em cores
fortes executado por Formenti & Cia. Em alguns ambientes, as paredes
e o teto são trabalhados em estuque branco com arcos, rosáceas
e caneluras. As varandas internas são cobertas de azulejo procedente
de Meissen. Há fechaduras e dobradiças em bronze dourado
da Yale; gradeamento de janelas com dezoito desenhos diferentes; escadaria
de serviço em ferro alemão e em caracol; louça inglesa
nos banheiros; e luminárias alemãs, fabricadas em ferro fundido
ou em bronze dourado, ostentando acessórios em opalina lilás.
Instalado
em novembro de 1909, o elevador do Prédio Central da Fundação
Oswaldo Cruz é o mais antigo ainda em funcionamento no Rio de Janeiro,
com duas cabines: a de passageiros, em mogno, luxuosamente ornamentada,
com cúpula de espelhos e portas internas com cristal bisotado e
a de carga. As duas torres têm cúpulas revestidas de cobre,
ornamentadas com folhas e flores de acanto, possuem aberturas circulares,
protegidas por vidros.
Quartel
Central do Corpo de Bombeiros
Souza
Aguiar assumiu o posto de Comandante Geral do Corpo de Bombeiros em 27
de janeiro de 1897. Tão logo assumiu o comando, Souza Aguiar estabeleceu
como meta a construção do quartel central e determinou: “
Um quartel de bombeiros deve dispor de um pátio bastante espaçoso,
onde se possa fazer experiências com bombas a vapor, armar mangueiras
com diversos derivantes, medir altura e projeção de jactos,
e fazer exercícios de escadas e apparelhos especiais... deve ter
armazéns espaçosos e saída franca para o material
de prontidão e cachoeiras próximas, de modo a facilitar a
trella rápida dos animais ao signal de alarma; salões para
oficcina de ferreiro, serralheiro correeiro e pintor...; uma torre de 22
metros de altura mínima para secar mangueiras à sombra; uma
estação telegráphica e telephonica central para o
serviço de avisos de incêndio... apparelhos completos para
gymnástica, e enfim um salão para gymnásio, com todos
apparelhos necessários a fim de, mesmo em dias chuvosos, não
se interromper os exercícios gymnicos, tão necessários
aos bombeiros“.
O
então Coronel projetou o novo quartel da corporação
e, apesar da falta de recursos financeiros, em 1898, iniciou a sua construção.
Os primeiros blocos, com entrada pela rua do Senado, foram inaugurados
em 1903; a frente, com entrada pelo Campo de Santana, foi inaugurada em
23 de maio de 1908, quando Souza Aguiar já era prefeito do Rio.
O
prédio mais parece um palácio com vastos salões, escadarias
de mármore, alas fechadas e abertas, lambrequins dourados, colunas
jônicas, dóricas e coríntias, torreões de castelos
franceses, torre monumental, cúpulas de bronze e pátio central.
O estilo eclético, o uso de requintados trabalhos em metal, pedra,
madeira e alvenaria refletem a tendência da época caracterizada
pelo processo de modernização da cidade.
O
Palácio Guanabara
O
Palácio Guanabara começou a ser construído pelo comerciante
José Domingos Coelho, em 1853. Em 1865, com o casamento da Princesa
Isabel com o Conde D’Eu, o Governo Imperial comprou o palacete e contratou
o arquiteto José Maria Jacinto Rebelo que o reformou, transformando-o
na residência dos recém-casados, a partir de então,
recebeu o nome de Paço Isabel.
Com
a Proclamação da República, o governo tomou posse
do palácio onde passou a hospedar visitantes ilustres. Em 1907,
Dom Carlos I, Rei de Portugal, marcou uma visita ao Brasil, por isto, o
Presidente Affonso Penna solicitou que o Prefeito Souza Aguiar reformasse
o palácio, o próprio prefeito projetou uma grande reforma
que transformou o palácio, de estilo neoclássico, dando-lhe
características ecléticas. Os jardins foram projetados pelo
paisagista Paul Villon.
Antes
da visita ao Brasil, Dom Carlos I e o príncipe herdeiro, Luís
Felipe, foram assassinados, em fevereiro de 1908, mesmo assim o palácio
foi reformado e reinaugurado em 1908. Em 1920, o Rei Alberto e a Rainha
Elizabeth, da Bélgica, em visita oficial ao Brasil, hospedaram-se
no Palácio Guanabara. De 1926 a 1950, o Palácio Guanabara
foi residência oficial do Presidente da República. Em 11 de
maio de 1938, o Palácio Guanabara foi atacado por integralistas
que não causaram danos ao prédio. Desde 1950 o Palácio
Guanabara é sede do Governo do Estado do Rio de Janeiro.
Construção
de Quartéis
Souza
Aguiar ao comandar diversas unidades militares se preocupou com a infra-estrutura
das mesmas, no exercício do cargo de comandante projetou e construiu,
além do Quartel Central do Corpo de Bombeiros, os quartéis
de Bagé e São Miguel, no Rio Grande do Sul, e do Batalhão
de Infantaria e do Batalhão de Cavalaria, no Rio de Janeiro.
Exposição
Nacional de 1908
A
Exposição Nacional de 1908, promovida pelo Governo Federal,
de 11 de agosto a 15 de novembro de 1908, na cidade do Rio de Janeiro,
então Capital Federal, foi visitada por diversas autoridades nacionais
e estrangeiras. Foram expostos bens naturais e produtos manufaturados,
oriundos de diversos estados brasileiros.
A
exposição foi realizada para celebrar o centenário
da Abertura dos Portos e fazer um inventário da economia do país.
Seu principal objetivo, porém, era o de apresentar a nova Capital
da República - urbanizada pelo Prefeito Pereira Passos e saneada
por Oswaldo Cruz - aos que a visitaram. A modernização do
Rio de Janeiro foi considerada estratégica para a atração
de capitais externos e mão-de-obra estrangeira qualificada, pois
a Capital da República, antes das reformas, era conhecida como Cidade
da Morte, depois das reformas, em 1908, há o primeiro registro,
feito por Coelho Netto, da nova denominação do Rio de Janeiro:
Cidade Maravilhosa.
Dr.
Antonio Olyntho dos Santos Pires presidiu a Comissão da Exposição
Nacional. Para participar da exposição, o Prefeito Souza
Aguiar nomeou, em 27 de julho de 1907, uma comissão responsável
pelo pavilhão do Distrito Federal, o qual teve uma área de
4,109 m², com um pavilhão em dois pavimentos, com 1.088 m²
de superfície, destinado à exibição de trabalhos
relativos à administração municipal, instrução
primária e profissional, higiene e assistência pública,
melhoramentos materiais da cidade e estatísticas dos vários
serviços municipais; no pavimento superior também foram realizados
bailes e recepções. Um terreno contíguo, medindo 1.400
m², foi destinado à exposição especial da Inspectoria
de Mattas, Jardins, Arborisação, Caça e Pesca.