Souza Aguiar – Vida e Obra

Manoel Carlos Pinheiro
Instituto Municipal de Urbanismo Pereira Passos



 
 
 
 
 

 
Francisco Marcellino de Souza Aguiar nasceu em 02 de junho de 1855, em Salvador, Bahia. Filho de Francisco Primo de Souza Aguiar, natural de Bahia, e Joanna Maria Freund Aguiar, natural da Áustria. O seu pai foi Major do Exército, Engenheiro Militar, Lente (Professor) da Escola Militar e, em 1861, Presidente da Província do Maranhão. 

 
 
Ao falecer, em 1868, o Major Francisco Primo deixou viúva e seis filhos. Por não conseguir manter a família com a pensão (metade do soldo do major) e pecúlio, Dona Joanna Maria trabalhou como costureira no Arsenal de Guerra. Como era costume na época, cuidou da educação dos filhos homens, conseguindo que o mais velho deles, Francisco Marcellino, com doze anos de idade, se matriculasse gratuitamente no Collegio Pinheiro, depois no Mosteiro São Bento e mais tarde no afamado Collegio Victorio.

 
 
Em 1869, Francisco Marcellino matriculou-se como cadete na Escola Militar, tornou-se Alferes Aluno em 1874 e concluiu o curso de Engenharia em 1876. 

 
 
Já como capitão, em 1879, Souza Aguiar foi transferido para o Rio Grande do Sul onde se casou com Maria Gabriela, em 1884, mesmo ano em que sua mãe, Joanna Maria, faleceu.

 

Souza Aguiar, nomeado pelo Presidente Affonso Penna, foi Prefeito do Rio de Janeiro de 16 de novembro de 1906 a 23 de julho de 1909; recebeu a Medalha de Ouro do Mérito Militar em 1903 e reformou-se no posto de Marechal em 1911. Faleceu em sua residência, na Rua Payssandu, 222, no Rio de Janeiro, às 13 horas do dia 10 de novembro de 1935 e foi enterrado no Cemitério São João Batista. A família dispensou as honras militares a que o Marechal tinha direito, mas aceitou que a Prefeitura arcasse com as despesas do enterro, oferta do Prefeito Pedro Ernesto que decretou luto oficial de três dias.


 
 
Ao falecer, Souza Aguiar deixou viúva Maria Gabriela de Souza Aguiar e sete filhos: Gabriel de Souza Aguiar, Engenheiro-Chefe da Diretoria de Engenharia da Prefeitura do Rio de Janeiro; Miguel de Souza Aguiar, Engenheiro da Companhia Mecânica e Importadora de São Paulo; Louis de Souza Aguiar, Médico; Capitão Raphael de Souza Aguiar; Geny, casada com Domecq de Barros; América, casada com Eugenio Lefki; e a religiosa Maria Angelina do Colégio Sion de Petrópolis. 

 
 
 
 

O General Engenheiro
 






Souza Aguiar assumiu, em 1877, o cargo de Instrutor Geral da Escola de Tiro de Campo Grande, no qual permaneceu até ser promovido a Capitão e transferido para o Rio Grande do Sul, em 1879, onde demarcou as fronteiras brasileiras com o Uruguai, no período de 1880 a 1888, e construiu os quartéis de Bagé e São Gabriel. Ainda no Rio Grande do Sul, foi promovido a Major, em 1888.


 
 
Ao retornar ao Rio de Janeiro, foi promovido, em 1891, a Tenente-Coronel, quando foi nomeado Comandante do Batalhão de Engenharia e projetou os quartéis dos batalhões de Infantaria e Cavalaria; assumiu, em 1892, o cargo de Secretário do Ministro da Guerra, até integrar, no mesmo ano, a comissão que representou o Brasil em Chicago. Antes de partir, a pedido do Marechal Floriano Peixoto, em poucos dias projetou o Hospital Central do Exército. 

 
 
Em 1894, assumiu o cargo de Diretor Geral dos Telégrafos. Em 1896, tornou-se Comandante da Escola Militar do Rio Grande do Sul e, em 1897, Comandante do Corpo de Bombeiros, na Capital da República, quando projetou o Quartel Central da corporação, cuja construção iniciou no ano seguinte. 

 

Em 1904, Souza Aguiar presidiu a Comissão de Representação do Brasil na Exposição Universal de Saint Louis; enquanto se encontrava nos EUA, a pedido do ministro do Interior, do ministro da Fazenda e do ministro da Guerra, respectivamente, projetou o edifício da Biblioteca Nacional, estudou a fabricação de cédulas para implantação dos serviços da Casa da Moeda e estudou o sistema estadunidense de fabrico da pólvora sem fumaça. Na Exposição, obteve o Grande Prêmio de Arquitetura com o projeto do Pavilhão do Brasil. No retorno ao Brasil, foi promovido a general-de-brigada e encarregado da construção do edifício da Biblioteca Nacional e do Palácio Monroe.
 
 
 

Administração Souza Aguiar
 
 

Antecedentes
 

A situação internacional no início do Século XX foi marcada por muitos fatores que podem ser considerados causas subjacentes da Grande Guerra que eclodiria em 1914. A Alemanha, desde a fundação do império em 1871, atravessou um período muito acentuado de desenvolvimento econômico, a ponto de, em 1914, produzir mais ferro e aço que França e Inglaterra juntas; neste período, a Alemanha consolidou sua supremacia na indústria química, de precisão e de equipamentos, por isto, passou a representar uma ameaça aos interesses ingleses e franceses. No campo diplomático, Bismarck conseguiu formar, em 1873, a Liga dos Três Imperadores, uma aliança entre Alemanha, Áustria e Rússia, à qual a Itália aderiu em 1882, principalmente pela perda da Tunísia para a França, em 1881. Contudo, a instabilidade marcava a diplomacia européia. A partir de 1890, houve a aproximação entre Rússia e França, dela resultando a Entente Cordiale, acordo amigável, sem aliança formal, consolidada em 1907 com a formação da Triple Entente, entre França, Rússia e Inglaterra, tendo como base acordos secretos de partilha do Norte da África e de territórios na Ásia. A própria Itália, a partir de 1900, conformou-se com a perda da Tunísia e obteve o apoio da França, em pacto secreto firmado em 1902, cuja base foi a partilha do Norte da África. A Itália passou a tentar reaver territórios em poder da Áustria. Além dos aspectos diplomáticos e econômicos, é importante destacar a existência de alguns movimentos, dentre os quais, o plano da Grande Sérvia, o pan-eslavismo na Rússia, o movimento de revanche na França e o pangermanismo, diferentes manifestações de nacionalismo.

 
 
No mesmo período, nos EUA, a partir de 1840, o interesse pela democracia passou a ter pouca importância; na Era Dourada, posterior à Guerra Civil, o robusto individualismo, no qual a pobreza era considerada um atributo da inépcia e a riqueza um sinal de virtude, consolidou-se e se exprimiu em movimentos que marcaram o isolacionismo dos EUA, entre eles, o movimento dos Greenbackers que, entre 1870 e 1880, defendia o estabelecimento de uma moeda dirigida, a taxação dos rendimentos e a restrição da venda de terras públicas aos colonizadores, tendo, em 1888, incorporado à sua plataforma a encampação das ferrovias e dos telégrafos, o voto feminino e a eleição direta dos senadores federais. Outro importante movimento isolacionista foi o chamado Movimento Populista que defendia: a cunhagem da prata, na proporção de dezesseis para um, em relação ao ouro; o imposto progressivo sobre a renda; caixas econômicas postais; encampação de ferrovias e telégrafos; eleição direta de senadores federais; e período presidencial único. A partir de 1900, firmou-se o Movimento Progressista que incorporou interesses intelectuais e urbanos às reivindicações dos dois movimentos anteriores, defendeu a reforma tributária, o voto secreto, registro de votantes, iniciativa popular, referendum, eleições preliminares diretas (para escolha de candidatos dos partidos), cassação de mandatos pelo voto popular, leis de restrições das contribuições financeiras às campanhas eleitorais, representação proporcional e criação de regulamento para o serviço público. A Doutrina Monroe (James Monroe, presidente dos EUA de 1817 a 1825), de 1823, expressou, como nenhuma outra, o ideário isolacionista e surgiu devido ao temor de que a Quíntupla Aliança - formada por Áustria, Rússia, Inglaterra, Prússia e França – tentasse impor o jugo espanhol às repúblicas do Hemisfério Ocidental que proclamaram a independência da Espanha. Conhecida como pan-americanismo, a Doutrina Monroe declarava que qualquer tentativa européia de estender seu sistema ao Novo Mundo seria considerada uma ameaça à paz e à segurança dos Estados Unidos, mas esta doutrina foi a base da justificativa do papel estadunidense de polícia do Mundo, sobretudo com o corolário Roosevelt, emitido por Theodore Roosevelt, o Homem do Porrete Grande, em 1904, que anunciava, em casos nos quais “a delinqüência ou impotência crônica” de qualquer dos estados independentes do Hemisfério Ocidental poderia forçar os EUA a exercerem, “ainda que com relutância”, os poderes de polícia internacional. A própria realização de duas grandes exposições mundiais - Chicago em 1892 e Saint Louis em 1904 - ambas com a participação de Souza Aguiar, simbolizou o novo papel dos EUA no cenário internacional.

 
 
No México, os movimentos camponeses, de caráter anti-latifundiário e anti-imperialista, liderados no Norte por Pancho Vila e no Sul por Emiliano Zapata, reivindicavam a reforma agrária, defendiam os direitos individuais,  o ejido (terras comunitárias de origem indígena), leis trabalhistas e a nacionalização, sob controle do Estado, de importantes setores da economia em poder do capital estrangeiro: exploração mineral e petrolífera, estradas de ferro, bancos, produção e distribuição de energia elétrica, grande parte das indústrias e do grande comércio.
 
 
 
 



 
 
 
 
 
 

No Brasil, ao contrário do que ocorria na Europa e na América do Norte, o nacionalismo não prevalecia, para os brasileiros, Paris era o centro do Mundo, da França vinham mais que perfumes, roupas, bebidas e materiais de construção, pois o modo de ser parisiense determinava o estilo de vida das elites brasileiras que viviam nas cidades e cultivavam o savoir vivre. Nas capitais brasileiras, as referências à Capital da República eram feitas em tom afetado, com misto de reprovação e respeito; chamada de “a Corte”, a Cidade do Rio de Janeiro era o mais importante centro irradiador dos hábitos e costumes importados da França. No Rio de Janeiro, a belle époque e o art nouveau, mais que referências estéticas e visuais, marcaram todo processo de modernização da cidade, tanto na grande reforma urbana empreendida por Pereira Passos, como na construção de novos prédios, alguns deles projetados ou construídos pelo próprio Souza Aguiar.

 
 
 
Na Presidência da República, Affonso Penna incentivou a criação de ferrovias e, por meio da expedição de Cândido Rondon, interligou a Amazônia ao Rio de Janeiro pelo fio telegráfico. No plano econômico, fez a primeira compra estatal de estoques de café, transferindo, assim, os encargos da valorização do produto para o Governo Federal, que antes era praticada apenas regionalmente, por São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, signatários do Convênio de Taubaté. Além disto, Affonso Penna modernizou o Exército e a Marinha (o que não impediu a Revolta da Chibata, contra castigos corporais, em 1910) e incentivou a imigração, como a japonesa, iniciada em 1908. Em virtude de seu afastamento dos interesses tradicionais das oligarquias, Affonso Penna enfrentou uma crise por ocasião da sucessão. David Campista, indicado pelo presidente, foi rejeitado pelos grupos de apoio a Hermes da Fonseca, principalmente por Pinheiro Machado, o mais influente congressista daquela época. Affonso Penna ainda tentou indicar os nomes de Campos Sales e Rodrigues Alves, sem sucesso. Em meio a tudo isto, Ruy Barbosa lançou a campanha civilista. A crise e a morte do filho, Álvaro Penna, debilitaram a saúde do presidente que faleceu em 10 de junho de 1909, sendo substituído pelo vice-presidente Nilo Peçanha.

 
 
No Rio de Janeiro, a Administração Pereira Passos, anterior ao Governo Souza Aguiar, promoveu as grandes reformas urbana e sanitária, mas a alto custo social e financeiro. Quase ao fim do mandato, Pereira Passos solicitou ao Conselho Municipal, por meio da mensagem 229 de 10 de novembro de 1906, crédito extraordinário de 139,589$93. Na análise do pedido, houve a seguinte manifestação do Conselho Municipal: “Quem a S. Ex. succeder só tem três caminhos a seguir: 1º Declarar a Municipalidade em bancarrota e a ninguem pagar os seus compromissos. 2º Arrancar aos munícipes, por meio de novos impostos, o melhor de sua fortuna. 3º Obter do Governo Federal novos recursos, e, auxiliado por grandes golpes de economia, applical-os de modo a tornar conjurada a crise existente – e para isto sobra competência ao illustre general indicado para chefiar o futuro governo municipal. Não nos parece difícil prever qual destes caminhos será escolhido, tal a repugnância que inspiram os dous primeiros indicados.” Por isto, ao assumir a Prefeitura, os dois maiores desafios de Souza Aguiar eram: o equilíbrio financeiro e o resgate social.

 
 
 

O mandato
 

O governo federal transferiu à administração anterior muitos recursos financeiros, inclusive para a abertura da Avenida Central. Na nova administração municipal, a ação do governo federal se limitou às obras do porto. Ao assumir a Prefeitura, Souza Aguiar encontrou muitas obras inconclusas, outras que precisavam ser refeitas, como a Avenida Beira-Mar. Além disto, Souza Aguiar herdou grandes dívidas. Sobre a situação financeira, em mensagem ao Conselho Municipal, em 4 de maio de 1907, Souza Aguiar escreveu:
 
 

“Das questões que mais assoberbam a administração publica, occupa, sem duvida, lugar dominante o problema financeiro, já pelas difficuldades que lhe são inherentes, já pela decisiva influencia que exerce sôbre todos os serviços a ella subordinados.
 
 

Ao assumir o cargo de Prefeito deste Districto, a situação financeira do Município foi, entre os negocios de que tive de tomar conhecimento, o que, desde logo, mais me preoccupou, obrigando-me a concentrar no assumpto toda minha attenção, convicto que me achava de que, sem bem o estudar e convenientemente regularizal-o seria grave erro prosseguir nos emprehendimentos herdados da passada administração, com o mesmo impulso que esta lhes havia dado.


 
 
Não ha quem ignore que o estado das finanças municipaes, ao terminar a administração transacta, estava longe de ser animador, chegando-se mesmo a affirmar que a situação financeira era a mais deplorável e que a Municipalidade corria o risco de imminente bancarrota.

 
 

De sóbra sabeis quanto eram exagerados taes conceitos, que devem ser considerados antes fructo das tendencias  pessimistas da época, do que resultado de conjecturas baseadas em informações de valor. Se é verdade que a Municipalidade despendeu talvez mais do que devia e podia, em período de tempo relativamente tão curto, se é certo que o passivo municipal se acha bastante avultado, sendo graves os embaraços com que luta a administração para voltar ao regime de perfeita normalidade financeira e prosseguir com actividade nos melhoramentos ainda necessarios á cidade, por outro lado, é fóra de duvida que vai sempre em progressão crescente a arrecadação das rendas do Districto, que o patrimonio municipal se avolumou consideravelmente e que a cidade passou por completa transformação, com a vantagem de conservar o seu credito illeso e inalteravel"
 
 

Ao assumir o cargo, o Prefeito Souza Aguiar encontrou, entre salários atrasados, compromissos vencidos até novembro de 1906, contas a pagar até dezembro de 1906 e compromissos contratados para 1907, dívidas no total de 32.890:809$187; a arrecadação total da Prefeitura em 1906 foi de 25.438:584$968, superior à de 1905 em 3.031:212$953, mas nos dois primeiros meses de 1907 a arrecadação superou o mesmo período de 1906 em 560.470$519. Foi notável a capacidade de Souza Aguiar de sanear as finanças da Prefeitura, continuar as obras iniciadas na gestão anterior, fazer novas obras e investir em educação, com a criação de escolas e do primeiro jardim de infância do Rio de Janeiro, além de oferecer à cidade um serviço de assistência pública mais eficiente. Construiu o Posto de Assistência da Praça da República, que viria a se tornar o Hospital Souza Aguiar. Destinou consideráveis recursos à Casa de São José, abrigo de crianças desvalidas, e ao Asylo de São Francisco de Assis para “velhos aleijados, acusados do crime de implorar a caridade publica”. Regulamentou e tornou mais rígidos os controles higiênicos e sanitários, sobretudo na produção de leite e seus derivados, inclusive como forma de prevenção de doenças como a tuberculose, para isto, recuperou o matadouro de Santa Cruz, implantando o serviço de abastecimento d’água a partir do rio Itá, também criou o Laboratorio de Analyses de Generos Alimentícios e investiu na qualificação de pessoal técnico. Procurou melhorar as condições de comércio de gêneros com a construção do Mercado Municipal da 
Praia D. Manoel, inaugurado a 15 de fevereiro de 1908. 
 
 

Nos meios acadêmicos, é muito difundida a idéia de que o primeiro conjunto habitacional do Brasil foi construído por Pereira Passos, que, na verdade,  realizou licitações e celebrou contratos em 1906, mas foi Souza Aguiar quem construiu vilas operárias na Avenida Mem de Sá, no Becco do Rio e na Avenida Salvador de Sá, concluídas em 1908. 
 
 

Com o falecimento do Presidente Affonso Penna, o vice-presidente Nilo Peçanha completou o mandato e nomeou o General Inoccencio Serzedello Corrêa para substituir Souza Aguiar que deixou o cargo de Prefeito do Distrito Federal em 23 de julho de 1909. 
 
 
 
 

 
Principais obras da Administração Souza Aguiar

 

Construção: Palácio Monroe; Biblioteca Nacional; Theatro Municipal, Pavilhão Mourisco; Palácio da Prefeitura; Escola Nacional de Belas Artes, atual Museu Nacional de Belas Artes; Escola Menezes Vieira; Escola Macaúbas; Escola Barth; Escola Affonso Penna; Escola Deodoro; primeiro Jardim da Infância do Rio de Janeiro; Posto Central de Assistência da Praça da República, atual Hospital Souza Aguiar; Posto de Assistência da Rua Camerino; Laboratório de Análises; Mercado Municipal da Praia D. Manoel, Mercado das Flores; Edifício da Superintendência da Limpeza Urbana; Oficinas da Superintendência da Limpeza Urbana; Casas para operários na Avenida Salvador de Sá, no Becco do Rio e na Avenida Mem de Sá; Escadaria da Rua Paranaguá; Externato Souza Aguiar; dois galpões do Asylo de São Francisco de Assis; Casa de São José. 
 
 
 
 

Reforma: Palácio Guanabara.
 
 

Asfaltamento: Largo da Carioca; Rua Marquês de Abrantes; Rua das Laranjeiras, da Soares Cabral em diante; Praça da República; Praça XV de Novembro.

 

Recuperação e substituição de asfalto: Rua Primeiro de Março; Rua do Rosário; Rua do Hospício; Rua da Alfândega; Rua da Carioca; Rua da Assembléia; Rua Marechal Floriano; Rua 13 de Maio; Rua da Lapa; Largo da Glória; Rua do Catete; Campos dos Frades; Praça José de Alencar; Rua Senador Vergueiro.
 
 

Calçamento: Avenida Mem de Sá; Praça dos governadores; Rua Gomes Freire; Rua do Núncio; Rua São Pedro; Rua General Câmara; Rua Guanabara; Rua Paissandu; Largo da Glória; Rua 7 de Setembro; Praça 7 de Março; Rua Dona Elisa; Rua das Palmeiras; Rua dos Tamoios; Rua Barão de Icaraí; Rua Honório de Barros; Rua Soares Cabral; Rua Nova Guanabara; Rua do Roso; Rua Senador Correia; Praia do Flamengo; Rua Visconde de Sapucaí; Rua Dois de Dezembro; Praia do Russel; Rua São José; Rua Senador Euzébio; Becco do Rio; Rua São Francisco Xavier; Avenida Beira-Mar; ruas do entorno do Novo Mercado; Praça 11 de Junho; Praça Ferreira Vianna; Rua Haddock Lobo; Rua Pereira Franco; Rua Nery Pinheiro; Rua Hypodromo Nacional e os trechos entre as ruas General Pedra e Senadoz Euzébio das ruas: Visconde de Sapucahy; Commandante Maurity; Carmo Netto; João Caetano; Augusto Pinto; Ezequiel; Pedro Rodrigues e Mesquita Junior.
 
 

Implantação: iluminação elétrica de diversas ruas do Rio de Janeiro, em 1907; abastecimento d’água do matadouro de Santa Cruz, a partir do rio Itá.
 
 

Realizações de Souza Aguiar

 
O Palácio Monroe - Resgate de uma Época
Grande Prêmio de Arquitetura da Exposição Universal de Saint Louis de 1904, realizada em comemoração ao centenário da incorporação do território da Louisiana aos EUA. Para a participação da delegação brasileira, presidida por Souza Aguiar, o Presidente Rodrigues Alves enviou mensagem ao Congresso Nacional, solicitando o crédito necessário para a construção de um pavilhão, que marcasse a presença de nosso país, na Exposição, respeitada a condição de que, finda a mostra, o edifício pudesse ser desmontado e reconstruído, no Rio de Janeiro, conforme determinação do Aviso nº 148 de 3 de julho de 1903, cláusula 1ª: "Na construção do Pavilhão se terá em vista aproveitar toda a estrutura, de modo a poder-se reconstruil-o nesta capital". Projetado e construído pelo então Coronel de Engenheiros Francisco Marcellino de Souza Aguiar, sua estrutura, totalmente metálica, foi a grande novidade tecnológica da época, o prédio, inspirado na arquitetura francesa, representou a ruptura da arquitetura brasileira com a tradicional arquitetura portuguesa, os elementos de composição inscrevem-se na linguagem geral do ecletismo, num estilo híbrido, caracterizado por uma combinação liberal de diversas origens que marcou uma época de transição na arquitetura, no qual se misturam elementos neoclássicos e art nouveau. Os jornais estadunidenses da época elogiaram a técnica de engenharia e o perfil arquitetônico do edifício, destacando o "Pavilhão do Brasil" pela beleza, harmonia das linhas e qualidade do espaço, premiado com a Medalha de Ouro da exposição. 

 
 

Em solo brasileiro, o pavilhão foi batizado de Palácio Monroe e remontado no fim da Avenida Central, com 1.700 m² de área construída, num espaço que fora parte da rua do Passeio, cujas casas foram demolidas na reforma urbana do governo anterior. A construção, com prazo inicial de doze meses, durou quatro meses e o Palácio Monroe foi oficialmente inaugurado em 23 de julho de 1906, com a instalação solene, em suas dependências, da Terceira Conferência Pan-Americana, marco na história da diplomacia brasileira, presidida por Joaquim Nabuco, que congregou os chanceleres das três Américas e foi um dos pontos altos da carreira do Barão do Rio Branco. Este palácio abrigou a Câmara dos Deputados (1914 a 1922), integrou-se à Exposição comemorativa do Centenário da Independência e serviu a diversos órgãos públicos, dentre eles, o Senado Federal, de 1925 a 1960, exceto entre 1945 e 1946 quando o Senado foi fechado e o prédio foi a sede provisória do Tribunal Superior Eleitoral. Com a transferência da Capital da República para Brasília, o Palácio Monroe sediou o Estado Maior das Forças Armadas.
 
 

Por causas jamais esclarecidas, o Palácio Monroe foi demolido em 1976. É falsa a alegação de que foi por causa da construção do metrô, pois o mesmo teve seus túneis desviados em 1974 para não comprometerem a estrutura do Palácio Monroe. Da demolição, escaparam vitrais preciosos, soalhos em madeira de lei, estátuas - inclusive os leões que decoravam a escadaria de entrada -, vendidos a particulares pela empresa demolidora, além de móveis e objetos que integram o acervo histórico do Senado.
 
 









Biblioteca Nacional
 

O edifício da Biblioteca Nacional, projetado e construído por Francisco Marcellino de Souza Aguiar, caracteriza-se por um estilo eclético, no qual se misturam elementos neoclássicos e art nouveau, e contém ornamentos de artistas como Eliseu Visconti (“A solidariedade Humana” e a “Liberdade”, além do próprio ex-libris da Biblioteca), Henrique e Rodolfo Bernardelli, Modesto Brocós e Rodolfo Amoedo (“A Memória” e “A Reflexão”); a escadaria principal é ladeada pelas estátuas da “Inteligência” e do “Estudo”, ambas de Corrêa Lima, o prédio tem frontão saliente, corpos de esquina arredondados (como no Colégio Pedro II, de 1837, projetado por Francisco Bithencourt da Silva) e torreão central do tipo francês; no alto, ocupa o tímpano um relevo em bronze, tendo ao centro a figura da República, ladeada à direita por “Paleontologia”, “Imprensa” e “Cartografia” e, à esquerda, por “Icnografia”, “Miniatura” e “Bibliografia”. Situa-se na Avenida Rio Branco, número 219, Praça da Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro. Compõe, com o Museu Nacional de Belas Artes e o Theatro Municipal, um conjunto arquitetônico e cultural de inestimável valor. Além disto, na época em que o prédio foi construído, suas instalações atendiam às exigências técnicas, como: pisos de vidro nos armazéns, armações e estantes de aço com capacidade para 400 mil volumes, amplos salões e tubos pneumáticos para a remessa de pedidos e book-carrier para o transporte de livros dos armazéns para os salões de leitura.
 
 
 

Theatro Municipal
 

Projetado por Francisco de Oliveira Passos, com a colaboração de Albert Guilbert, o prédio foi inspirado no projeto de Charles Garnier para a Ópera de Paris. A construção foi iniciada, em 1905, na Administração Pereira Passos e concluída em 1 de junho de 1909 pelo Prefeito Souza Aguiar que o inaugurou em 14 de julho de 1909. Situado na Praça Marechal Floriano, conhecida como Cinelândia, no Centro da cidade, numa área de 4.220 m2, o Theatro Municipal é um dos mais belos prédios do Rio de Janeiro. Todo o material usado na construção foi importado da Europa: mármores, ônix, bronze, cristais, espelhos, mosaicos, vitrais, maquinaria de palco, etc., só de vigamentos metálicos foram utilizadas mais de 1.400 toneladas. Muitas obras de arte foram produzidas por artistas europeus, como as cariátides em bronze da fachada, representando as Estações, as estátuas da Poesia e da Dança (Verlet), lampadários do vestíbulo (Bézault), estátua de mármore da escada principal ((Injalbert), vitrais (Fennerstein e Fugel). Os maiores artistas brasileiros da época – Eliseu Visconti, Rodolfo Amoedo e Rodolfo Bernardelli – criaram as pinturas e as esculturas que enfeitam a sala de espetáculos, a fachada e as áreas de circulação do teatro. O Theatro Municipal se tornou a principal casa de espetáculos do Brasil, por isto recebeu alguns dos maiores artistas e companhias de dança internacionais, bem como os principais nomes da dança, da música e da ópera brasileiras, além de orquestra, coro e companhia de balé próprios.
 
 
 

Museu Nacional de Belas Artes
 

O prédio foi projetado pelo arquiteto Adolfo Moralles de los Rios e construído pelo Prefeito Souza Aguiar para ser a nova sede da Escola Nacional de Belas Artes, em 1908, com mais de 10.500 m² de áreas de exposição. Em 13 de janeiro de 1937, tornou-se o Museu Nacional de Belas Artes.
 
 
 

Hospital Souza Aguiar
 

Como parte do esforço em promover o resgate social, Souza Aguiar construiu o Posto Central de Assistência da Praça da República, atual Hospital Souza Aguiar, e o Posto de Assistência da Rua Camerino.
 
 
 

A Exposição de Chicago
 

A Exposição Universal de Chicago, realizada em 1892, foi a comemoração oficial dos 400 anos do Descobrimento da América. Montada numa área de 277 hectares, no Jackson Park, recebeu, durante seis meses, 27 milhões de visitantes. Enquanto os europeus promoviam a partilha da África e da Ásia, os estadunidenses partiam para uma política exterior mais agressiva e a exposição objetivou confirmar a superioridade continental dos EUA, incentivar o consumo da população estadunidense e recuperar o prestígio de Chicago, após seu grande incêndio de 1871. 
 
 

A "White City" compunha-se de prédios monumentais que formavam uma grande "parede" branca, tornando-se a grande atração da exposição e o símbolo da Beaux-Arts dos EUA, influenciando os planos das cidades de Washington d.C., Cleveland, San Francisco e Chicago. 
 
 

A Roda Gigante, “Ferris Wheel”, outra grande atração, podia conduzir, a um só tempo, dois mil passageiros e tinha 80 metros de altura. 
 
 

O Pavilhão do Brasil foi a primeira importante representação internacional do governo republicano. Pela primeira vez, um arquiteto brasileiro, Francisco Marcellino de Souza Aguiar, foi o responsável pela nossa representação. Souza Aguiar projetou nosso pavilhão, um edifício monumental e simétrico, em estilo eclético com elementos clássicos, de acordo com a tendência construtiva dos demais pavilhões, usando o mesmo revestimento em gesso branco da White City, mas deu aos pináculos do coroamento um leve toque de exotismo e dispôs muitas bandeiras brasileiras nas cúpulas, como demonstração do espírito republicano de orgulho nacional.
 
 

No dia 22 de fevereiro de 1894, Souza Aguiar foi exonerado, a pedido, da Comissão Brazileira da Exposição de Chicago e nomeado Director Geral do Telegrapho.
 
 
 
 

Hospital Central do Exército
 

Quando já estava designado para participar da Exposição de Chicago, na condição de arquiteto, Souza Aguiar recebeu, do Marechal Floriano Peixoto, a incumbência de projetar o novo Hospital Central do Exército, objeto de dois decretos assinados pelo Marechal Manoel Deodoro da Fonseca: o nº 277, de 22 de março de 1890, que organizava o Corpo de Saúde e o serviço hospitalar e no Artigo 7 determinava: “Fica criado na Capital Federal um hospital central, único de 1ª classe..." e o nº 307 de 7 de abril de 1890, que regulamentava o Serviço Sanitário e no Capítulo V, Artigo 54 determinava: "Haverá na Capital Federal um hospital de 1ª classe sob a denominação de Hospital Central do Exército”. 
 
 

Em poucos dias, Souza Aguiar elaborou o projeto que constava de oito pavilhões isolados, Modelo Tollet, para enfermarias e de um grande pavilhão para administração de serviços gerais, além de outras edificações para enfermarias de isolamento e mais serviços, tudo para quinhentos leitos. 
 
 

Em 20 de março de l892, foi lançada a pedra fundamental, na grande área de 78.960 m2 no bairro de Benfica, adquirida ao Jóquei Club, no valor de sessenta e nove contos de réis. 
 
 

Em 22 de junho de 1902, foi oficialmente inaugurado com apenas três pavilhões construídos: Pavilhão "Caxias", com as Enfermarias "B.Vasques", "Moura" e "João Severiano"; Pavilhão "Osório", com as Enfermarias "Bayma", "Mallet" e "Argolo"; e Pavilhão "Deodoro", com as Enfermarias "Êneas Galvão", "Cantuária" e "Carlos Machado". Em 11 de agosto de 1905, foram inaugurados mais três pavilhões: "Rodrigues Alves", destinado ao Laboratório Bacteriológico e Serviço de Eletroterapia e Eletrodiagnóstico, "Marcellino Aguiar", com as Enfermarias "Paulo Guimarães" e "Ismael da Rocha", para presos, e "Benjamim Aguiar", para as Irmãs de Caridade. Em 8 de dezembro de 1910, foram inauguradas mais duas enfermarias. O Pavilhão Central “Floriano Peixoto” foi inaugurado em 1913. Em 1915, foi inaugurado o Pavilhão "Dr. João Câncio, com as enfermarias: "Dr. Souto Castagnino", "Dr. Nestor Cavalcante" e "Dr. Tolentino de Albuquerque". Em 11 de abril de 1916, foi inaugurado o Pavilhão "Visconde de Souza Fontes", constituindo uma única Enfermaria. Em 4 de novembro de 1911, foram inaugurados mais dois pavilhões o "Calógeras" e o "General 
Médico José Bulcão".
 
 

Mais de meio século depois, o Modelo Tollet, de pavilhões isolados, foi considerado superado pelas modernas técnicas hospitalares, o hospital foi demolido e, em 18 de novembro de 1982, foi inaugurado o conjunto arquitetônico do Ambulatório, denominado "General-de-Brigada Antônio Carlos Pires de Carvalho e Albuquerque", que inclui clínicas médicas de todas as especialidades, Serviço Odontológico e uma Unidade de Emergência. Depois, foi construído o Bloco Industrial, integrado ao conjunto arquitetônico, composto de: cozinha, quatro refeitórios, central de caldeiras, lavanderias e uma central de esterilização. Completa a área hospitalar, um conjunto de quatro pavilhões que atendem aos pacientes geriátricos, infecto contagiosos, oncológicos, pediátricos e gestantes. Em 1990, foram inaugurados, no andar térreo do antigo Pavilhão "Lott", um moderno Acelerador Linear e no Pavilhão "Canrobet Pereira da Costa", maternidade, enfermaria para clínica cirúrgica pediátrica, clínica oftalmológica e clínica laringológica. A capacidade total do Hospital é de seiscentos e trinta leitos.
 
 
 
 

Pavilhão Mourisco
 

Projetado pelo arquiteto português Luiz de Moraes Júnior, com base em croquis de Oswaldo Cruz, o Pavilhão Mourisco é o atual Prédio Central da Fundação Oswaldo Cruz. Arcos bizantinos, arcadas sobre colunas e duas abóbadas evidenciam o estilo neo-mourisco, seu aspecto decorativo lembra o Alhambra de Granada, em alguns aspectos também lembra o Observatório de Mountsouris, na França, onde Oswaldo Cruz fez sua especialização em microbiologia. A construção foi iniciada em 1905 e concluída em 1909. 
 
 

O prédio foi construído em Manguinhos, voltado para o mar, no alto de uma colina, com fachada de 50 metros. 
 
 

As paredes do subsolo são de granito extraído de pedreiras de Manguinhos. A base do prédio é arrematada por uma cinta em granito trabalhado. As paredes das varandas externas são cobertas de azulejo Bordalo Pinheiro e o piso de mosaicos franceses que imitam, pela variação de cores e formas, tapetes e passadeiras árabes. As portas são trabalhadas em peroba nacional amarela, talhadas em diversos motivos e com maçanetas americanas lavradas em bronze dourado. As paredes e o teto são ricamente decorados em alto relevo, com predominância de elementos geométricos e cor mate-ouro. A escadaria principal, em ferro forjado, com corrimão de metal e degraus de mármore Carrara, foi feita na Alemanha, a partir de desenho nacional. No hall, à altura do quarto pavimento, há um vitral em cores fortes executado por Formenti & Cia. Em alguns ambientes, as paredes e o teto são trabalhados em estuque branco com arcos, rosáceas e caneluras. As varandas internas são cobertas de azulejo procedente de Meissen. Há fechaduras e dobradiças em bronze dourado da Yale; gradeamento de janelas com dezoito desenhos diferentes; escadaria de serviço em ferro alemão e em caracol; louça inglesa nos banheiros; e luminárias alemãs, fabricadas em ferro fundido ou em bronze dourado, ostentando acessórios em opalina lilás. 
 
 

Instalado em novembro de 1909, o elevador do Prédio Central da Fundação Oswaldo Cruz é o mais antigo ainda em funcionamento no Rio de Janeiro, com duas cabines: a de passageiros, em mogno, luxuosamente ornamentada, com cúpula de espelhos e portas internas com cristal bisotado e a de carga. As duas torres têm cúpulas revestidas de cobre, ornamentadas com folhas e flores de acanto, possuem aberturas circulares, protegidas por vidros.
 
 
 
 

Quartel Central do Corpo de Bombeiros
 

Souza Aguiar assumiu o posto de Comandante Geral do Corpo de Bombeiros em 27 de janeiro de 1897. Tão logo assumiu o comando, Souza Aguiar estabeleceu como meta a construção do quartel central e determinou: “ Um quartel de bombeiros deve dispor de um pátio bastante espaçoso, onde se possa fazer experiências com bombas a vapor, armar mangueiras com diversos derivantes, medir altura e projeção de jactos, e fazer exercícios de escadas e apparelhos especiais... deve ter armazéns espaçosos e saída franca para o material de prontidão e cachoeiras próximas, de modo a facilitar a trella rápida dos animais ao signal de alarma; salões para oficcina de ferreiro, serralheiro correeiro e pintor...; uma torre de 22 metros de altura mínima para secar mangueiras à sombra; uma estação telegráphica e telephonica central para o serviço de avisos de incêndio... apparelhos completos para gymnástica, e enfim um salão para gymnásio, com todos apparelhos necessários a fim de, mesmo em dias chuvosos, não se interromper os exercícios gymnicos, tão necessários aos bombeiros“.
 
 

O então Coronel projetou o novo quartel da corporação e, apesar da falta de recursos financeiros, em 1898, iniciou a sua construção. Os primeiros blocos, com entrada pela rua do Senado, foram inaugurados em 1903; a frente, com entrada pelo Campo de Santana, foi inaugurada em 23 de maio de 1908, quando Souza Aguiar já era prefeito do Rio. 
 
 

O prédio mais parece um palácio com vastos salões, escadarias de mármore, alas fechadas e abertas, lambrequins dourados, colunas jônicas, dóricas e coríntias, torreões de castelos franceses, torre monumental, cúpulas de bronze e pátio central. O estilo eclético, o uso de requintados trabalhos em metal, pedra, madeira e alvenaria refletem a tendência da época caracterizada pelo processo de modernização da cidade.
 
 
 
 

O Palácio Guanabara
 
 

O Palácio Guanabara começou a ser construído pelo comerciante José Domingos Coelho, em 1853. Em 1865, com o casamento da Princesa Isabel com o Conde D’Eu, o Governo Imperial comprou o palacete e contratou o arquiteto José Maria Jacinto Rebelo que o reformou, transformando-o na residência dos recém-casados, a partir de então, recebeu o nome de Paço Isabel.
 
 

Com a Proclamação da República, o governo tomou posse do palácio onde passou a hospedar visitantes ilustres. Em 1907, Dom Carlos I, Rei de Portugal, marcou uma visita ao Brasil, por isto, o Presidente Affonso Penna solicitou que o Prefeito Souza Aguiar reformasse o palácio, o próprio prefeito projetou uma grande reforma que transformou o palácio, de estilo neoclássico, dando-lhe características ecléticas. Os jardins foram projetados pelo paisagista Paul Villon. 
 
 

Antes da visita ao Brasil, Dom Carlos I e o príncipe herdeiro, Luís Felipe, foram assassinados, em fevereiro de 1908, mesmo assim o palácio foi reformado e reinaugurado em 1908. Em 1920, o Rei Alberto e a Rainha Elizabeth, da Bélgica, em visita oficial ao Brasil, hospedaram-se no Palácio Guanabara. De 1926 a 1950, o Palácio Guanabara foi residência oficial do Presidente da República. Em 11 de maio de 1938, o Palácio Guanabara foi atacado por integralistas que não causaram danos ao prédio. Desde 1950 o Palácio Guanabara é sede do Governo do Estado do Rio de Janeiro.
 
 
 
 

Construção de Quartéis
 

Souza Aguiar ao comandar diversas unidades militares se preocupou com a infra-estrutura das mesmas, no exercício do cargo de comandante projetou e construiu, além do Quartel Central do Corpo de Bombeiros, os quartéis de Bagé e São Miguel, no Rio Grande do Sul, e do Batalhão de Infantaria e do Batalhão de Cavalaria, no Rio de Janeiro. 
 
 
 
 

Exposição Nacional de 1908
 

A Exposição Nacional de 1908, promovida pelo Governo Federal, de 11 de agosto a 15 de novembro de 1908, na cidade do Rio de Janeiro, então Capital Federal, foi visitada por diversas autoridades nacionais e estrangeiras. Foram expostos bens naturais e produtos manufaturados, oriundos de diversos estados brasileiros.
 
 

A exposição foi realizada para celebrar o centenário da Abertura dos Portos e fazer um inventário da economia do país. Seu principal objetivo, porém, era o de apresentar a nova Capital da República - urbanizada pelo Prefeito Pereira Passos e saneada por Oswaldo Cruz - aos que a visitaram. A modernização do Rio de Janeiro foi considerada estratégica para a atração de capitais externos e mão-de-obra estrangeira qualificada, pois a Capital da República, antes das reformas, era conhecida como Cidade da Morte, depois das reformas, em 1908, há o primeiro registro, feito por Coelho Netto, da nova denominação do Rio de Janeiro: Cidade Maravilhosa.
 
 

Dr. Antonio Olyntho dos Santos Pires presidiu a Comissão da Exposição Nacional. Para participar da exposição, o Prefeito Souza Aguiar nomeou, em 27 de julho de 1907, uma comissão responsável pelo pavilhão do Distrito Federal, o qual teve uma área de 4,109 m², com um pavilhão em dois pavimentos, com 1.088 m² de superfície, destinado à exibição de trabalhos relativos à administração municipal, instrução primária e profissional, higiene e assistência pública, melhoramentos materiais da cidade e estatísticas dos vários serviços municipais; no pavimento superior também foram realizados bailes e recepções. Um terreno contíguo, medindo 1.400 m², foi destinado à exposição especial da Inspectoria de Mattas, Jardins, Arborisação, Caça e Pesca.
 
 
 

Cronologia de Souza Aguiar

Data                                                   Evento 
1855 Nasceu em Salvador, Bahia, no dia 02 de junho.
1868 Tornou-se órfão do pai, Major Francisco Primo de Souza Aguiar, em 5 de maio.
1869 Ingressou na Escola Militar, como cadete.
1874 Tornou-se Alferes-aluno.
1876 Promovido a 1º Tenente, em 1 de junho.
 Concluiu o curso de Engenheiro, em 18 de dezembro.
 Nomeado Instrutor Geral da Escola de Tiro de Campo Grande.
1879 Promovido a Capitão, em 8 de fevereiro.
 Transferido para a Comissão de Engenharia no Rio Grande do Sul.
1879 a 1888 Construiu quartéis de Bagé e São Gabriel. Demarcou as fronteiras entre Brasil e Uruguai.
1884 Falecimento da mãe, Joanna Maria Freund de Aguiar. Casou-se com Maria Gabriela.
1888 Retornou ao Rio de Janeiro. Promovido a Major, em 21 de junho.
1891 Promovido a Tenente-Coronel, em 7 de julho. Nomeado Comandante do Batalhão de Engenharia.
 Projetou os quartéis de Infantaria e de Cavalaria.
1892 Nomeado Secretário do Ministro da Guerra. Membro da Comissão Brasileira à Exposição de Chicago. Projetou o prédio do Hospital Central do Exército.
1893 Exonerado, a pedido, do cargo de Secretário do Ministro da Guerra, em 31de janeiro.
1894 Nomeado Diretor Geral dos Telégrafos, em 22 de fevereiro. Promovido a Coronel, em 22 de março. Ordem do Dia de 28/03/1894.
1896 Nomeado Comandante da Escola Militar do Rio Grande do Sul.
1897 Nomeado Comandante do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, em 27 de janeiro. 
1898 Iniciou a construção do Quartel Central do Corpo de Bombeiros, inaugurado em 23 de maio de 1908.
1903 Deixou o posto de Comandante do Corpo de Bombeiros, em 29 de julho. Recebeu a Medalha de Ouro do Mérito Militar.
1904 Promovido a General-de-Brigada, em 23 de novembro. Ordem do Dia de 30/11/1904.
 Presidente da Comissão de Representação do Brasil na Exposição Universal de Saint Louis. Ganhou o Grande Prêmio de Arquitetura da Exposição Universal de Saint Louis.
1906 Nomeado Prefeito do Rio de Janeiro pelo Presidente Affonso Penna, em 16 de novembro.
1909 Deixou o cargo de Prefeito do Rio de Janeiro, em 23 de julho.
1911 Promovido a General-de-Divisão (10/02/1911, Boletim de 15/02/1911). Reformado no posto de Marechal (31/05/1911, Boletim de 05/06/1911).
1935 Faleceu em 10 de novembro, no Rio de Janeiro.
 
 
 

Notícias  da  época

 
Na Avenida Central

Era imponente o quadro que hontem offerecia á vista do passeiante a Avenida Central.A affluencia de pessoas era enorme alli.Elegantes senhoras e senhoritas trajando garridamente, cavalheiros com toilette de passeio, o povo em trajes domingueiros, todos percorriam a Avenida de um a outro extremo, manifestando a sua impressão, patenteando o seu entusiasmo pela belleza desse logradouro.
Ás 8 ½ S. Ex. o Sr. Presidente da Republica Affonso Penna atravessou em landau a Avenida em toda sua extensão.Á sua passagem foi extraordinario o movimento de curiosidade despertado na multidão.
Na physionomia de S. Ex. transparecia a maior satisfação por ver a alegria que reinava entre o povo.

Em frente aos cafés, circulando as mesas postas ao ar livre, viam-se sentadas muitas familias.Muitas pessoas occupavam tambem os bancos que ladeiam a Avenida, nas proximidades da rua do Passeio.Em tres pontos diversos da Avenida exhibiam-se animatographos, attrahindo tão grande massa de curiosos, que chegava a difficultar o transito.O great-attraction, porém, da Avenida era o Pavilhão de S. Luiz, feericamente illuminado, sobresahindo no centro do jardim, adornado por um cem numero de focos multicores que irradiavam pelo gramado em ondulações de Serpe.Dos diversos repuxos disseminados pelo jardim jorravam oleres de jympha que se tornavam polycrhomos pela projecção eletrica, o que dava áquelle recanto um encantamento de palacio de fadas.
Ao lado do pavilhão ostentava-se magestoso o obelisco comemorativo da abertura da Avenida, antehontem inaugurada.A illuminação estendia-se até ao mar, onde se avistava a Ilha Fiscal resplandecente de luzes, bem como diversas embarcações, cujos contornos se desenhavam por discos luminosos. No paredão do caes havia debruçada uma infinidade de pessoas a contemplar o mar, que tranquillo, apenas casava o seu murumurejo com os sons poeticos que se perdiam no ar.
Diante de profusão de luzes e do enxame de galhardetes que se viam em outras ruas, causou-nos reparo o esquecimento em que vae ficando a nossa rua do Ouvidor, cujo aspecto era sombrio, estando apenas illuminada com o numero de lampadas de todos os dias!”
JORNAL DO BRASIL, Rio de Janeiro, 16 de novembro 1906.

 
 
 
Ver Pariz em dous dias... 
Este vosso chronista, amigos, é talvez a unica creatura pensante que tenha estado só dous dias em Pariz!
Concordo que, para o contar, numa roda de café, a conhecidos que nunca houvessem ido além de Nitherohy e de S. Francisco Xavier, seria o bastante; mesmo para, mais tarde, dizer aos netos possíveis que o futuro me reserve, seria estrictamente indispensavel. Mas, para ver Pariz! Em dous dias, não se chega a habituar os olhos ao movimento, nem os ouvidos ao ruido dos “boulevards”; não se tem tempo de visitar conscienciosamente uma sala no Louvre; não se aprende a distinguir os “rastacueros” do Café de la Paix dos diplomatas do Restaurant Voisin, nem dos artistas que vão cear “chez” Maxim’s. Não se fica fazendo idéa do que sejam as Tulherias, com seu ambiente pomposamente historico no qual perpassam ainda, num vibrar eterno, os echos da Revolução; só de fugida se póde atravessar o Bosque de Bolonha, tão complexo, tão borborinhante, tão confuso para quem não o frequenta annos seguidos, com toda a concentrada attenção e todas penetrantes argucias de um observador de raça.”
JOÃO LUSO, Dominicaes, JORNAL DO COMMERCIO, Rio de Janeiro, 11 de novembro 1906.

 
 
 
 
“Cidadãos cubanos, que não toleram a intervenção norte-americana, estão fazendo propaganda em favor de uma revolução libertadora.
Mas esses descontentes não têm encontrado a adhesão unanime  que certamente esperavam. Há quem esteja satisfeito com a situação que enche de desespero aquelles patriotas.
E não são poucos os que pedem a Monroe que continue do outro mundo a felicitar com a sua política e a sua polícia a ex-colonia hespanhola.
Muitos e muitos proprietários de engenhos de assucar, com a boca amarga pelo temor de grandes desordens, rogaram ao governo dos Estados Unidos que enviasse soldados, afim de garantir no interior de Cuba a tranquilidade ameaçada pelos propagandistas da revolução.”
JORNAL DO COMMERCIO, Rio de Janeiro, 12 de novembro 1906.

 
 
 
“A ninguem ocorre lembrar que, si o Dr. Passos pôde fazer um certo numero de coizas, foi porque achou uma situação esplendidamente preparada pelo Dr. Xavier da Silveira. É verdade que outro qualquer, sem o seu talento, sem a sua enerjia, sem a sua atividade assombrozas, não faria o que elle fez. Mas não é menos verdade que um terceiro, com o dobro do seu talento, enerjia e atividade, nada conseguiria si a situação financeira da Municipalidade e do paiz fosse diversa do que foi.
Chega agora o general Souza Aguiar. Acha a divida colossalmente aumentada. Vê faltarem-lhe os recursos ao credito, que nunca escassearam ao seu antecessor. Não foi elle que fez a guerra russo-japoneza. Não foi elle que fez a crise dos Estados-Unidos. Mas tudo isso, pela fatalidade do momento, cai-lhe sobre a cabeça!...
...O que mudou de 1906 para cá não foi apenas o prefeito. O que mudou foram as condições da Prefeitura, pelas dividas enormes que contraiu, divida por quantias muito bem empregadas, mas que nem por isso deixam de ser enormes. O que mudou foram as condições de credito, não só para a Prefeitura, como para o Brazil, como para o mundo inteiro.
É deploravel, mas é assim.”
A NOTÍCIA, Rio de Janeiro, 04 de janeiro de 1908.

 
 
 
“Aspecto á noite – Coisa assim tão bella, combinação tão opulenta de luzes, até hontem, só nos fora dado ver na polidez de paginas de revistas, sobre celebrisadas festas ao Senna ou na velha Londres, sobre as magnificencias de S. Luiz.
Hontem o Rio de Janeiro vio ao vivo; observou a alegria de conjuncto de talvez sessenta mil pessoas, passando por encantadoras avenidas á beira mar, ou percorrendo os luxuosos salões em que a energia e a força brasileiras ostentavam gloriosamente...
É preciso que se elogie o serviço de transporte dos visitantes: quer a Cantareira, quer, principalmente, a Jardim Botanico empregaram o maximo de esforço em bem servir a estupenda onda de gente que, de minuto em minuto, invadiu a monumental porta de nossa Exposição.”
A NOTÍCIA, Rio de Janeiro, 12 - 13 de agosto de 1908.

 
 
 
Bibliografia:

(Um grupo de amigos). O General F. M. de Souza Aguiar – Notas Biographicas. Rio de Janeiro, Typographia do Jornal do Commercio, 1909.
Notícia. Rio de Janeiro, 1908. Acervo da hemeroteca da Biblioteca Nacional.
Almanak do Ministerio da Guerra para o anno de 1911(officiaes). Rio de Janeiro, Imprensa Militar, 1911. Acervo do Arquivo Histórico do Exército.
CORRÊA, Innocencio Serzedello. Mensagem do Prefeito ao Conselho Municipal. Rio de Janeiro, 1909 a 1910. Acervo do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro.
ESTADO MAIOR DO EXERCITO. Ordens do Dia. 1890 a 1909 Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, Acervo da Biblioteca do Exército.
Fé-de-Ofício do General Francisco Marcellino de Souza Aguiar. Rio de Janeiro. Acervo do Arquivo Histórico do Exército.
GRANDE ESTADO-MAIOR DO EXERCITO. Boletins do Exercito. 1909 a 1911. Rio de Janeiro, Imprensa Militar. Acervo da Biblioteca do Exército.
Jornal do Brasil. Rio de Janeiro, 1900 a 1976. Acervo da hemeroteca da Biblioteca Nacional.
Jornal do Commercio. Rio de Janeiro, 1900 a 1935. Acervo da hemeroteca da Biblioteca Nacional.
PEREIRA PASSOS, Francisco. Mensagem do Prefeito ao Conselho Municipal. Rio de Janeiro, Typographia da Gazeta de Notícias. 1904 a 1906. Acervo do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro.
RODRIGUES, Alvimar. Livro do Sesquicentenário do CBMRJ. Rio de Janeiro, Pancrom, 2006.
SOUZA AGUIAR, Francisco Marcellino. Mensagem do Prefeito ao Conselho Municipal. Rio de Janeiro, Officinas graphicas do Paiz. 1907 a 1909. Acervo do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro.


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