Neste
artigo procuramos mostrar que a introdução de medidas de
saneamento em Ouro Preto no final do século XIX não foi,
como havia sido na Europa, resultado de uma situação higiênica
crítica, causada por uma grande aglomeração urbana.
As melhorias sanitárias estariam, na verdade, ligadas a interesses
políticos, surgidos como parte de um programa burguês-republicano
e dentro do ideário de conforto da burguesia. Todas as mudanças
foram, portanto, implantadas, nesta época específica, devido
a um contexto político e intelectual e não por serem prioridade
funcional.
O
fato das aglomerações urbanas européias terem sido
obrigadas a achar uma solução para seus problemas sanitários
permitiu a disponibilização para Minas de toda uma tecnologia
de saneamento. Entretanto, ao contrário do que ocorria na Europa,
onde os problemas de falta de higiene, agravados pelo crescimento da população
urbano-industrial levaram ao desenvolvimento de medidas saneadoras, em
Minas estas medidas muitas vezes se anteciparam aos problemas: foram as
melhorias introduzidas com a urbanização, e as melhorias
dos meios de transporte que possibilitaram a vinda das populações
rurais para as cidades.
DEFINIÇÃO
DE UM PERFIL URBANO: NOVAS ATRIBUIÇÕES DA CIDADE
O
final do século XIX apresenta diversas similaridades com o momento
em que vivemos: entre eles, a grande compressão espaço/tempo,
a importação de valores e imposição de modelos.
Naquela época o espaço se tornou cada vez mais autoritário
e o fim da prevalência da flexibilidade foi marcado fisicamente pelas
grandes mudanças urbanas, entre as quais se inserem as reformulações
viárias, a crescente setorização de atividades no
âmbito da cidade e a implantação do sistema sanitário.
O espaço da passagem do século caracterizou-se pela especialização
gradativa, com a priorização do espace conçu (LEFEBVRE.
ap. SOJA, 1996): o espaço dos cientistas, dos
urbanistas, dos planejadores, que impõe regras e modos de vida.
A
forma mais direta de imposição do Racionalismo funcional
se deu através das ações do governo "no âmbito
de um espaço nacional de transporte e comunicações,
da administração e de organização militar",
(HARVEY, 1999.p.235) Através da reconfiguração
dos fluxos, os governos procuravam uma coordenação do espaço
e do tempo da atividade econômica, para se fortalecer. Ao nível
da administração das cidades, além disto, as melhorias
urbanas tais como o saneamento, e investimentos em medidas higienistas,
contribuíram para o sucesso do funcionalismo.
As
Minas Gerais do século XVIII haviam sofrido influências do
tempo e do espaço: espaço agreste, condições
de vida básicas, motivação baseada na aventura e na
sobrevivência; tempo iluminista, palco da afirmação
do Homem Moderno, veículo da privacidade e da intimidade.
Nas
Minas Gerais do fim do século XIX, mais uma vez se confrontam o
tempo e o espaço: primeiramente se difundiu o gênero de vida
da sociedade burguesa, funcionalista e racional, imposto por uma elite
social e política, para que somente depois o país entrasse
em um verdadeiro processo de industrialização. (QUEIROZ,
1978). Os modos de vida de uma sociedade industrializada antecederam a
própria industrialização, as influências do
tempo suplantaram as do espaço, sendo por ele, entretanto, moldadas.
O
estudo da implementação dos sistemas sanitários em
Ouro Preto no fim do século XIX revela diversas facetas das transformações
urbanas, mostrando o espaço, não apenas como produto de relações
sociais, tecnológicas, culturais ou outras, mas também como
gerador destas relações, e um dos pólos de sustentação
do diálogo e da reciprocidade de influências.
A
precocidade relativa desta implantação é à
primeira vista surpreendente: a cidade encontrava-se em plena decadência
econômica, com uma enorme redução de população
se comparada à época do apogeu da exploração
aurífera. A partir do século XIX, a decadência prolongada
das minas havia provocado a paralisação das construções
e uma grande parte da população abandonara a região:
atividades econômicas secundárias faziam subsistir a cidade,
que só manteve ainda algum prestígio político até
a transferência da capital da província de Minas Gerais.
Apesar
da conjuntura econômica desfavorável, um sistema de esgotos
incluindo uma estação de tratamento bastante sofisticada
foi nesta época implantado e entrou em funcionamento em 1890. Na
tentativa de situar e entender este esforço funcionalista e suas
implicações iremos, no texto a seguir, analisar alguns dados
sobre as instalações implantadas e sobre a conjuntura da
época para, então, elaborar algumas reflexões a respeito
do funcionalismo do século XIX, enquanto projeto capitalista - burguês,
relacionado com a preservação e garantia de interesses sócio-econômicos
precisos.
A
SAÚDE DAS ÁGUAS MINEIRAS
A
falta de saneamento nas cidades européias de grande população
gerou uma situação de desconforto e falta de higiene, que
teve graves conseqüências para a saúde pública:
o crescimento da população, a partir da formação
da burguesia e do aparecimento das cidades, foi acompanhado por uma escalada
de epidemias e da deterioração das condições
de vida, que assumiu proporções de verdadeiras catástrofes.
No
Norte da Europa, houve diversas epidemias de escorbuto. Em Nápoles,
a malária era epidêmica; nos Países Baixos, na Alemanha
e na França. o tifo exantemático constituía uma séria
ameaça. A peste bubônica era endêmica na Europa e se
tornava epidêmica em diversas ocasiões: entre 1630 e 1631
houve no norte da Itália 1.000.000 de vítimas. Na Inglaterra
a varíola causava alta mortalidade. No ano de 1832, 5.500 habitantes
londrinos e 20000 parisienses foram dizimados pela epidemia de cólera.
As condições deploráveis em Paris e Londres foram
longamente descritas por diversos autores, entre os quais respectivamente
Mercier e Wohl.(ap. OLSEN, 1986).A cólera tinha ciclos epidêmicos,
sendo o quarto um dos mais fatais, já em 1863.
No
Brasil a situação era mais amena, devido às menores
concentrações de população. Nos centros urbanos
mais desenvolvidos, tais como o Rio de Janeiro e Recife, os problemas de
saúde pública começavam a se tornar graves, sem chegar,
no entanto, ás proporções atingidas nos países
europeus.
Luccock
(1975), no início do século XIX, atribui uma parte dos problemas
sanitários do Rio aos maus hábitos higiênicos, mas
suas reflexões mostram ainda não havia uma situação
alarmante, só o temor de que viesse a haver uma degradação.As
condições de saúde estavam intimamente ligadas às
condições de saneamento urbano, que não primavam pela
sofisticação; conforme observa Canstatt
(1975), já em 1871, no Rio de Janeiro, o escoamento de esgotos se
fazia por meio de sarjetas laterais transformando as ruas em riachos caudalosos
na época das chuvas, com a acumulação de toda espécie
de detritos. Nesta época os problemas de higiene previstos por Luccock
já se concretizavam, através de surtos de moléstias
epidêmicas. Apesar disto, Canstatt (1975) reconhece a eficiência
do “magnífico serviço de abastecimento de água desta
cidade”.( p.210)
O
Rio de Janeiro, no entanto, tinha uma maior concentração
de habitantes do que o resto do Brasil, o que com certeza agravava as condições
de higiene. Em Minas, não há menção a problemas
de poluição pelos vários visitantes que aqui estiveram
no século XIX e a qualidade da água foi sempre por eles elogiada:
D’Orbigny (1976), Freireyss (ap. BRUNO, 2002),
Luccock (1975) e St Hilaire (1975) foram alguns dentre os que puderam
constatar que o nível de poluição ainda não
era alarmante, se comparado ao de grandes cidades brasileiras ou européias.
Desde
o início da formação dos arraiais, a própria
atividade mineradora tinha exigido a presença de água: as
explorações de meia encosta necessitavam de uma grande quantidade,
que era conduzida por canais, que se estendiam por quilômetros. Em
1720 surgira o Regimento das Águas e a guardamoria passara também
a conceder datas de águas minerais. “Os regos, a contornar vales,
a atravessar morros, a correr sobre extensos andaimes de pedra empilhada,
são verdadeiros aquedutos [...]”.(LOPES, 1955.
p. 10)
A
existência de toda esta infra-estrutura havia facilitado a instalação
de uma rede que garantira um bom abastecimento para os arraiais. O sistema
parece ser bastante antigo. Em 1752, na reforma do Palácio do Governador
- hoje Escola de Minas - o governador ordenou que fosse restabelecido o
fornecimento de água que já havia existido; anteriormente,
a água chegava até o pátio, quando aí funcionava
a Casa de Fundição e o sistema tinha parado temporariamente
de funcionar, quando a Casa de Fundição foi transferida.
A obra de restabelecimento da água foi executada por Manoel Francisco
Lisboa e corresponde aos chafarizes de cantaria ainda hoje existentes na
área interna do antigo palácio. Em cada taça, “um
sumidouro, que há de hir por tras do pé da ditta fonte para
se encaminhar agoa de cada hùa para os serviços do ditto
palacio.“ (LOPES, 1955. pp. 25/26)
O
detalhamento da obra prevê ainda o encanamento desde a nascente,
que deveria: “ser de[...] alcatruzes fechados[...], assentados em cal e
areia betumados nas juntas, donde encaixa hum no outro, de macho e femea
pela parte de dentro e de fora; o ditto betume será feyto de cal,
preta e azeyte de mamona”(ibid.). Vasconcellos
(1977)- talvez de maneira excessivamente otimista - baseia-se neste documento
quando descreve, para as construções em geral, os alcatruzes
que substituíram “os bicames de madeira ou telhões embetumados,
regos e canais que conduziam as nascentes a muitas das casas”. (p.164).
Entretanto, mesmo que as moradias comuns não contassem efetivamente
com um sistema tão eficiente quanto o da Casa de Fundição,
é certo que existiram nascente situadas no próprio terreno,
bicas “de preferência vizinhas da cozinha e mesmo chafarizes em pátios
ou quintais particulares." (p. 164) Vasconcellos descreve ainda detalhadamente
a estocagem de água nas residências, em tonéis, abastecidos
nas fontes públicas. (ibid.) Os chafarizes públicos eram
numerosos e exerciam uma função social enquanto centros de
encontros entre lavadeiras, escravos, aguadeiros.
Mawe
(ap. BRUNO, 2002), em 1809, fala dos vários
melhoramentos pelos quais a cidade passou e de reservatórios que
foram construídos, “que distribuíam água por meio
de canos para todos os pontos da cidade”, bem como de fontes que se erguiam
“nos lugares mais convenientes e centrais.” (p.28)
Em
1884 foi elaborado um “Projeto de Fornecimento d’água da cidade
de Ouro Preto”
, onde todo o sistema de distribuição é mapeado.Os
reservatórios descritos por Mawe também estão provavelmente
entre os que encontramos no mapa de 1905, que contempla o sistema de abastecimento
de água
( mapa de 1905), e inclui as canalizações em todas as ruas
principais, registros de descarga, de incêndio, ventosas e chafarizes,
bem como os nove reservatórios distribuídos na região
periférica alta da cidade.
SANEAMENTO: DO “TOUT-À-LA-RUE”
AO “TOUT-À-L’ÉGOUT”
Até
o século XIX, nos centros urbanos litorâneos brasileiros,
os detritos sanitários - águas servidas e conteúdo
de urinóis e eventualmente cadeiras de retrete - eram estocados
dentro das residências em tinas com aproximadamente 3 palmos de altura,
conhecidas como “tigres”. A estocagem se fazia em lugares diversos: na
passagem entre os dormitórios e a cozinha
, debaixo da escada, em cômodos de armazenagem ou, segundo Debret
(1972)
“num canto do jardim ou de pequeno pátio contíguo à
casa, colocado atrás de uma cerca de trepadeiras, ou simplesmente
escondido por duas ou três tábuas apoiadas ao muro.” (p.133)
O
escoamento se fazia através da mão-de-obra escrava, que os
esvaziava em locais pré-determinados e afastados. Esta operação
podia ser diária ou até semanal, dependendo do número
de escravos e do asseio da família. Os locais de despejo incluíam
a praia, rios, terrenos baldios e becos.
A
outra possibilidade era a escoamento através da própria chuva.
Luccock
(1975) relata que por ocasião de chuvas o conteúdo das tinas
era despejado em plena rua para que fosse levado pela enxurrada .
Nas casas onde não se utilizavam tinas, os detritos eram muitas
vezes atirados nos pátios, à espera de que as chuvas tropicais
os levassem.
O
sistema de esgoto era inexistente nesta época, mas já existiam
canais que passavam por debaixo das casas para escoamento das águas
jogadas nos pátios e um sistema precursor das fossas, quando as
águas corriam, segundo Luccock (1975) para um
[...] poço
escavado bastante fundo para que se comunique com a camada inferior ao
nível das águas altas, em que se dissolve, ou através
da qual uma parte encontra caminho para o mar. (ibid., p.89)
.
Depois
de Luccock, vários viajantes continuam descrevendo este mesmo sistema:
entre eles, Ewbank (1975)
que vários anos mais tarde, já em 1856, atesta que a situação
não tinha evoluído e o engenheiro francês Vauthier
(ap. RODRIGUES, 1975), que sugeriu um sistema
de remoção dos despejos das casas por meio de canoas especiais
de fundo falso para o problema de saneamento do Recife.
Esta
situação, que era crítica em cidades tais como Recife
e o Rio de Janeiro, parece, no entanto, ter sido menos grave nas cidades
de Minas Gerais. Por um lado, o clima era mais ameno; a população
das cidades, em número bem inferior, e o próprio relevo das
cidades facilitava o escoamento das águas servidas e dos detritos.
O sistema de estocagem de detritos também parece ter sido muito
menos utilizado no interior do país do que no litoral. O arquiteto
e historiador Carlos Lemos
, em suas pesquisas e inventários sobre o interior de São
Paulo, constatou a preferência pela solução de escoamento
através de sumidouros e fossas nos quintais. A convivência
com os detritos sanitários sempre causou incômodo e desconforto
e a solução de estocagem destes detritos só era adotada
na ausência de alternativas, como no litoral brasileiro: neste caso
a altura do lençol freático era insuficiente para a construção
de fossas e a solução era a utilização do sistema
de estocagem em “tigres”. Debret (ap. OLIVEIRA,
1991) é um dos autores que fala dos inconvenientes do lençol
freático superficial, ao atribuir-lhe a impossibilidade de instalação
de latrinas, como na França.
No
Rio este sistema de estocagem nos “tigres”, prevaleceu até 1853.
Concomitantemente, ainda havia “serviços particulares de coleta
a domicílio, realizados por “barriqueiros” - carroças fechadas
com portinholas contendo barris que recolhiam os excrementos nas casas.”(OLIVEIRA,
1991. p.53)
Em
1853 iniciaram-se na capital brasileira os estudos para o saneamento por
meio de esgotos.
Com
a criação da “The Rio de Janeiro City Improvement Co. Ltd.”,
cujo contratante foi John Frederic Russel e a instalação
de quatro estações de tratamento de eflúvios sanitários,
o Rio de Janeiro, em 1862, foi a segunda capital do mundo a ter rede de
esgoto. (ibid.)
A
influência dos ingleses foi fundamental para a implantação
de novos hábitos higiênicos no Brasil. Com costumes mais apurados
do que os franceses e outros europeus, eles exerceram, através de
sua presença marcante aqui no século XIX, uma pressão
para a instalação de melhorias a nível urbano, como
a instalação das estações de tratamento de
esgoto, e ao nível dos interiores da habitação, como
a introdução dos W.C. e dos lavabos próximos à
sala de refeições.
Em
Vila Rica, temos, na Casa dos Contos, indícios de uma fixação
precoce das atividades higiênicas - que eram na época exercidas
através de acessórios móveis tais como tinas, urinóis
bacias ou retretes; encontra-se aí um dispositivo semelhante ao
descrito por Bonnet (1990, p.627) nas fortalezas
medievais: latrinas de pedra que são construídas na espessura
da parede. No pavimento superior, elas têm escoamento através
de furos que se juntam ao escoamento das existentes mediatamente abaixo
no pavimento inferior e lança os detritos no vazio, sobre o curso
de água vizinho. Estas latrinas estão situadas perto das
janelas, em cômodos amplos (salões), sem qualquer preocupação
com seu isolamento ou com a privacidade. (fig 2)
Trata-se,
no entanto, de uma exceção, um caso de uma construção
com qualidade excepcional e fora dos padrões usuais.
Do
ponto de vista urbano, entretanto desde cedo podemos constatar a preocupação
da Câmara Municipal com os aspectos de limpeza da cidade .
Em maio de 1796 ela já se impõe contra a prática do
“tout-à-la-rue”, exigindo dos moradores que limpassem as testadas
de suas residências e proibindo-os de lançar sujeira nas ruas,
sob pena de meia oitava de ouro de condenação. (VASCONCELLOS,
1977. p.88)
Apesar
das ruas servirem para escoamento de detritos, já aparecem dispositivos
para tal fim, como bueiros de seção quadrada, constituídos
de lajes para escoamento de águas servidas e pluviais. Através
de pesquisas nos arquivos da Câmara Municipal de Ouro Preto, no Arquivo
Público Mineiro e nos diversos arquivos de museus e instituições,
pudemos retraçar a implantação de um sistema de saneamento
bastante precoce que se antecipou a problemas mais sérios.
Já
em 1847 registra-se em ata de uma sessão da Câmara o requerimento
de um certo Antônio Pereira Motta, “pedindo licença para tirar
àgoa d’um rego junto a Ponte da Barra e cercar o terreno chamado
Mãe Chica.” (OURO PRETO, 1846-1848) A licença é
concedida no mesmo documento e acredita-se que este requerimento esteja
à base da instalação posterior da estação
de tratamento de esgotos de Ouro Preto. Antes da estação
de tratamento, no entanto, já se registra a canalização
de córregos através de muros de pedra, como no córrego
próximo ao Rosário – com nove metros de comprimento e três
de altura (OURO PRETO, 1885 a 1890a ) - e a utilização cotidiana
de encanamentos. (VASCONCELLOS, 1977. p.88)
A
Estação de Tratamento de Esgotos fazia parte do projeto de
abastecimento de água e esgotos de Ouro Preto; o serviço
foi, pela Lei 3455
, entregue a um particular - Dr Quintiliano Nery Ribeiro - com privilégio
de 30 anos. O projeto foi realizado pelo "Engenheiro Chefe [d]as obras
da Companhia - Melhoramentos Urbanos da Cidade de Nietheroy", Victor Francisco
Braga Mello, conjuntamente com o "Director Geral das Obras Publicas da
Província de Minas Gerais", o Dr. José de Castro Teixeira
de Gouvêa (MINAS GERAIS,1889a). As obras se iniciaram em janeiro
de 1889 e terminaram em setembro de 1890, sob o comando do engenheiro da
Província de Minas Gerais, Álvaro Bhering .
A
estação se encontra no local designado “Beco da Mãe
Chica” e inclui tanques de decantação possuindo comportas
reguladoras do nível. As águas servidas chegam até
ela através de uma tubulação de ferro de grosso calibre
e, após tratadas voltam a ser lançadas no curso de água
vizinho.( figuras 3 e 4: tubulação )
Nos
relatórios de administração dos Serviços Urbanos
de Água e Esgoto de 1894 (OURO PRETO, 1884) já se menciona
a limpeza e desinfecção constantes dos “Tanques da Barra”
e posteriormente da “caixa geral de esgotos na Barra”. Eles são
visíveis ainda hoje, embora a estação esteja desativada.
(figuras 5 e 6: tanque de decantação)
O
plano de saneamento foi provavelmente objeto de vários estudos,
uma vez que se registra, antes da contratação de Quintiliano
Nery Ribeiro, a apresentação de uma proposta para “o saneamento
geral da cidade por meio de abastecimento d’água e convenientes
estabelecimentos de esgotos” por parte de Matteus Nogueira Brandão
e Henrique Carlos Horta.(OURO PRETO , 1885-1890b)
Um
edital para melhorias da cidade de Ouro Preto em 1891 prevê a construção
de 150 casas, que deveriam ser alugadas pela Intendência, dando-se
direito ao locatário de comprar o imóvel. Através
das determinações do edital, podemos observar que a municipalidade
já dispõe, nessa época, de um sistema de saneamento
organizado, com a execução de canalizações
e cobrança de impostos .
Existe também um sistema de escoamento de águas pluviais,
que se faz através da instalação de grades de ferro
nas ruas .
A
cobrança de taxas é constatada através do Balanço
das despesas de 1893, ano em que se simplifica o sistema de registros,
guardando-se, porém, um livro exclusivamente para “águas
e esgotos”, para controle dos pagamentos dos contribuintes A organização
também já inclui um controle técnico, que pode ser
comprovado através do registro de pagamento a “um fiscal de Congonhas,
em comissão sanitária” (OURO PRETO, 1893, p. 32)., através
de menções aos fiscais nos Livros de Atas da Câmara
ou ainda através de um documento da Intendência Municipal,
que se dirige ao “Senhor Fiscal da Freguesia de Ouro Preto.” (OURO PRETO,
1891a). Neste documento, o fiscal é incumbido de verificar o cumprimento
do artigo 8o do Regulamento de águas e esgotos, que estipula que
“nenhum proprietário poderá se utilizar dos esgotos do antigo
systhema, os quais são obrigados a demolir no prazo de 90 dias.”
(OURO PRETO, 1891c). Nesta época, o serviço de saneamento
entregue em 1887 ao dr. Quintiliano já estava em funcionamento -
o antigo sistema mencionado era provavelmente o lançamento direto
das águas servidas nos cursos de água. Este sistema, repudiado
em 1893 é infelizmente utilizado em uma grande parte da cidade até
os dias de hoje, conforme se pode observar em diversos locais.
Em
1893, um plano de expansão para Ouro Preto é elaborado pelo
Engenheiro da Câmara Municipal, J. F. Blaskey, numa tentativa dos
políticos locais de reverter a mudança da capital. Este plano
contempla, conforme as normas da Secretaria do Interior, oito ítens
principais, dos quais os três primeiros são as “Condições
de higiene”, “o abastecimento e água potável” e o “Esgoto
e o problema do escoamento das águas pluviais.” (COELHO,1987.
pp.4-5)
Com
a confirmação da transferência da Capital, no entanto,
as obras são suspensas e a cidade entra em decadência, por
falta de recursos, que eram, agora, investidos na “Cidade de Minas”. Apesar
da crise econômica, os serviços já existentes continuam
a ser prestados, conforme podemos acompanhar nos Relatórios diários
dos Serviços Urbanos de Água e Esgoto entre 1894 e 1914
e nos Relatórios de fiscais de 1936
O órgão de Serviços Urbanos se encarregava do fornecimento,
instalação e manutenção de um sistema de abastecimento
de água e evacuação de detritos já bem sofisticado
para a época. A sua rotina incluía a vistoria das edificações,
a limpeza e desinfecção da estação de tratamento,
a limpeza dos reservatórios de água da cidade, a lavagem
periódica dos dois mictórios públicos existentes (um
na freguesia de Antônio Dias e outro na Freguesia de Ouro Preto),
a desobstrução de encanamentos, latrinas e receptáculos
de águas servidas de esgoto, a limpeza de sarjetas, bem como o fornecimento
e instalação de encanamentos, latrinas e torneiras de pressão
em casas de particulares .
Existe
um documento que detalha o sistema de abastecimento de água e rede
de canalização de esgotos já em 26 de junho de 1905 .
Este sistema atende a todas as ruas do centro e inclui galerias de 022,
030, 046 (em grés inglês) e as de 040, 080, 060 e 1 m (em
ferro), bem como caixas de ligação de galerias, caixas de
lavagem e respiradouros e galerias de tijolos.
Através
dos relatórios podemos, até 1914, acompanhar a lavagem e
desinfecção periódica da estação de
tratamento dos tanques da Barra. Já em 1936
eles não são mais mencionados: a estação provavelmente
já tinha sido desativada.
BAIXAS
CONCENTRAÇÕES DEMOGRÁFICAS: RISCO REDUZIDO PARA A
SAÚDE PÚBLICA
Em
Ouro Preto, no fim do século XIX, a densidade populacional relativamente
baixa gerava uma quantidade de detritos que não chegava a poluir
os rios maiores, e a quantidade de nascentes garantia a qualidade do fornecimento
de água. O bom clima e o relevo local completavam o quadro favorável,
fazendo com que o escoamento pluvial se fizesse rapidamente e que os cursos
de água fossem de alta velocidade, evitando a estagnação
de águas e restaurando a sua qualidade.
Epidemias
de cólera existiram no Brasil, mas nunca tiveram as proporções
das que assolaram a Europa ou dizimaram grande parte da população
de cidades como Londres e Paris; aqui mesmo a mais grave delas, em Recife,
em 1854, não assumiu em momento algum a proporção
das mortandades européias.
Em
Minas e em Ouro Preto não se tem notícia de nenhuma epidemia
do gênero. Os registros da Santa Casa de Misericórdia
relatam uma epidemia de varíola em 1875, no combate da qual foi
gasto um quinto da verba da Instituição para o ano, mas não
faz nenhuma menção a qualquer caso das doenças que
na mesma época assolavam a Europa: a cólera e a peste.
Costa
(1979) analisa os óbitos em Vila Rica entre os anos de 1719 e 1818.
Em um gráfico representando o número anual médio de
óbitos de adultos por período de 10 anos, ela mostra como
o auge dos óbitos se situa em 1749 para os negros (170); e em 1794
para os livres e forros (80). Em 1818, esta quantidade havia baixado para
30, entre os escravos; e para 20, entre os livres e forros. A análise
dos dados mostra uma forte tendência ao declínio da mortalidade
durante o século XIX, o que é explicado pela diminuição
da população, mas também pela redução
da concentração de população.
Assim,
a densidade populacional relativamente baixa em Minas no fim do século
XIX está sem dúvida associada a estas condições
de salubridade que, se não são desejáveis, pelo menos
não tiveram proporções de catástrofes.
As
concentrações demográficas já tinham sido bem
superiores, e as condições sanitárias bem mais precárias:
a urbanização de impacto causada pela descoberta de ouro
nas Minas Gerais, praticamente inédita até então no
Brasil, pode ser avaliada pelas indicações também
coletadas por Vasconcellos (ap.
Mello 1985):
Enquanto,
por volta de 1800, São Paulo dispunha de pouco mais de 100.000 habitantes,
as Minas se apresentavam com cerca de 500.000.[...] Por volta de 1750,
todo o território português povoava-se de 2.900.000 habitantes,
200.000 residindo em Lisboa. Pela mesma época mais ou menos, Vila
Rica acolhia perto de 100.000, metade da população da capital
do Reino, e o dobro da sede do Vice-Reinado estabelecido no Rio. (VASCONCELLOS,
ap. MELLO, 1985. p.69)
Boxer
(ap. MELLO, 1985) estima que de 1735 a 1750 o número de escravos
variava entre 80000 e 100000 nas Minas. A evolução demográfica
de Ouro Preto é bastante representativa, embora o levantamento provenha
de avaliações sumárias de fontes diversas: em 1801
aí moravam 20.000 habitantes
; em 1816, a população era de 8.000 pessoas, segundo St Hilaire
(ap. VASCONCELLOS, 1977); em 1830, 13.616 ;
na segunda metade do século, o número seria de 25.000 segundo
avaliação de Vasconcellos (1977), embora Canstatt (1975)
tenha estimado 8.000 quando aí esteve em 1871; em 1902, com a mudança
da capital, somente 10.000
.
A
preocupação em repovoar a cidade já é expressa
em 1891 através de um edital da Intendência Municipal, onde,
juntamente com as obras de engenharia previstas, a empresa vencedora deveria
se obrigar a “repovoar com colonos nacionais e estrangeiros não
somente a área antiga da cidade, mas também os arrabaldes.”
(OURO PRETO, 1891. p.54)
O
tamanho das aglomerações era, assim, bastante reduzido quando
comparado ao de outras: em 1832 Paris tinha uma população
de 861.400 habitantes, Londres 1.778.000
o Rio de Janeiro na mesma época, por volta de 150.000
e em 1871 Juiz de Fora, 1.296 .
Barbacena, "uma das cidades mais importantes da Província de Minas
Gerais", 4.000.( (CANSTATT, 1975, p.239).
Segundo
alguns parâmetros utilizados atualmente para definição
de "urbano", muitos dos aglomerados mineiros nem seriam reconhecidos como
tal .
Desta
forma, podemos constatar que o momento do início da implantação
do saneamento em Minas não corresponde a nenhuma crise de saúde
pública e não foi conseqüência de nenhum processo
de urbanização desenfreada, como tinha ocorrido na Europa.
PROSPECÇÃO
CONCEITUAL: CONTINUIDADES E DESCONTINUIDADES NAS PRÁTICAS SÓCIO-ESPACIAIS
O
novo ciclo de desenvolvimento econômico, trazido a Minas com a cultura
do café, permitiu a elevação do nível cultural
no país e estabilizou a sociedade, que passou a ter aspirações
burguesas: os ideais liberais e conjuntura econômica mundial levaram
à abolição da escravidão, o que transformou
radicalmente as relações sociais e a disponibilidade da mão
de obra - fazendo com que novas soluções funcionais surgissem.
Nas
cidades existentes, a implementação de uma organização
baseada nos ideais emergentes foi mais difícil. Ouro Preto já
tinha toda uma estrutura urbana definida, que não se adequava aos
novos ideais republicanos. A localização e o relevo da cidade
também dificultavam qualquer expansão. O antigo tecido da
cidade impedia a setorização e a crise de atividade em que
a cidade se encontrava tornava as grandes mudanças urbanas economicamente
inviáveis. No entanto, houve aí um enorme esforço
no sentido de uma modernização, que na impossibilidade de
implantar uma setorização, concentrou-se na implementação
de melhorias.
Este
esforço veio como parte de um programa burguês-republicano
e dentro do ideário de conforto da burguesia. Todas as mudanças
foram, portanto, implantadas, nesta época específica, devido
a um contexto político e intelectual e não pelo fato de serem
prioridade funcional. O saneamento e o aperfeiçoamento do sistema
de transportes não são, naturalmente, jamais supérfluos,
mas Ouro Preto tinha assistido a momentos em que estas medidas teriam sido
bem mais necessárias.
A
construção da estrada de ferro, por exemplo, no fim do século
XIX, não foi considerada uma prioridade econômica e sua execução
foi adiada várias vezes; o trecho até Ouro Preto só
foi implantado por vontade expressa do Imperador, enquanto tática
política para se contrapor aos republicanos.
A
introdução do saneamento em Ouro Preto não foi, como
na Europa, resultado de uma situação higiênica crítica,
causada por uma grande aglomeração urbana: registram-se casos
de epidemias e outros problemas oriundos da falta de higiene em Minas Gerais,
mas o problema nunca atingiu as proporções que atingira na
Europa e o nível de salubridade no século XIX era bem mais
elevado do que no século precedente. As melhorias sanitárias
estariam, na verdade, ligadas aos interesses políticos do Imperador
D. Pedro II, que visava, com a introdução da modernização,
fazer face ao republicanismo ascendente.
As
concentrações urbanas aqui nunca alcançaram os números
de Paris, Londres ou mesmo do Rio de Janeiro e no século XIX a população
estava em declínio. Os mais altos índices demográficos
tinham sido registrados no século XVIII. Podemos, assim constatar
que o saneamento só foi aperfeiçoado quando a população
foi reduzida a uma pequena fração do que tinha sido.
A
urbanização do fim do século XIX, no Brasil, teve
características bem diversas da européia, uma vez que não
foi conseqüência imediata da industrialização
e nem atingiu densidade suficiente para que possamos neste momento falar
da formação de uma cultura urbana industrial. O desenvolvimento
da indústria aconteceu posteriormente a ela: a primeira fase da
industrialização no Brasil teve repercussão unicamente
local tendo sido elaborada por uma burguesia ainda incipiente.
Ao
contrário do que ocorria na Europa, onde os problemas de falta de
higiene, agravados pelo crescimento da população urbano-industrial
levaram ao desenvolvimento de medidas saneadoras, em Minas estas medidas
muitas vezes se anteciparam aos problemas: foram as melhorias introduzidas
com a urbanização, e as melhorias dos meios de transporte
que possibilitaram a vinda das populações rurais para as
cidades.(HOLANDA, 1976)
O
fato da Europa ter sido obrigada a achar uma solução para
seus problemas sanitários permitiu a disponibilização
para Minas de toda uma tecnologia de saneamento. Esta tecnologia foi implantada
aqui num estágio de degradação da saúde pública
anterior ao que se atingiu nas grandes cidades européias: o processo
“queimou etapas”. A introdução de um sistema de canalização
e de uma estação de tratamento de esgotos em Ouro Preto é
extremamente precoce e bastante sofisticada para a época.
A
vontade política que norteou esta implementação foi
guiada pelo patrimonialismo, conforme definido por Max Weber, (ap. HOLANDA,
1976) onde a gestão política se apresenta como assunto de
interesse particular, em contraste com o verdadeiro Estado Burocrático,
em que prevalecem interesses objetivos.
A
introdução de melhorias no saneamento diz respeito diretamente
à família burguesa em franco desenvolvimento e reflete suas
aspirações de conforto doméstico, especialmente numa
época em que a mão de obra escrava deixara de estar disponível.
É significativo o fato de que as medidas de saneamento tenham se
restringido a regiões e cidades que beneficiavam diretamente a camada
superior da população. Um indício destas motivações,
em Ouro Preto, é o próprio abandono da rede de saneamento,
provavelmente já a partir das primeiras décadas do século
XX, quando o foco das atenções progressistas tinha se deslocado
definitivamente para Belo Horizonte.
As
intervenções urbanas foram a garantia cultural de valores:
a simulação da eficiência, oriunda do positivismo;
e da verdade oriunda do racionalismo. Assim, podemos afirmar que a implantação
do sistema de saneamento de Ouro Preto fez parte de um projeto político-econômico
mais amplo, assegurando uma certa imagem absolutamente necessária
para outros discursos que não tinham nada a ver com as verdadeiras
necessidades urbanas.
Notas
Mapa
que pode ser visto no Arquivo Publico Mineiro- ref.: OPO24 enrolado sobre
MAP 6
OURO
PRETO mapa 03- Mapa da rede de canalizações de esgotos, abastecimento
de água e distribuição elétrica - 26 de junho
de 1905
“Se
dos dormitórios continuarmos para a cozinha1, outras inconveniências
não se farão esperar. Entre as piores, acha-se uma tina destinada
a receber todas as imundícies e refugos da casa;” (Luccock,1975.
p.85).Este viajante esteve no Brasil de 1808 a 1818.
Debret esteve por 15 anos no Brasil, a partir de 1816. Seu livro foi publicado
pela primeira vez na França em 1839.
Este
é o sistema ironicamente chamado de “tout-à-la-rue” pelos
franceses, significando “tudo na rua”- em contraposição ao
sistema unitário de esgotos, que é chamado de “tout-à-l‘égout”-
tudo no esgoto)
Trata-se
do sistema de sumidouros. Eles podem ser circulares, quadrados ou retangulares,
tendo as paredes revestidas por pedras, tijolos, madeiras etc; o material
das paredes não é rejuntado de modo a permitir a infiltração
do líquido no terreno.
Esteve
no Brasil em 1856.
LEMOS
Carlos A.C. em entrevista à autora. FAU USP,São Paulo, 26/08/03
criada em 1711.
ver
OZZONI, 1890. p.54
ver
MINAS GERAIS 1889b- e MINAS GERAIS, 1889c
A
intendência obriga-se a “isemptar de impostos de pennas d’agoa e
exgotos as casas e edifícios que em virtude d’este contracto forem
construídas, effectuando-se a canalização, logo que
os contratantes requeirão.( OURO PRETO, 1891, p.57)
ver
OURO PRETO, 1893.
Ver OURO PRETO, 1894 a 1909 e OURO PRETO, 1894 a 1914
ver
OURO PRETO, 1936
ver
OURO PRETO, 1894 a 1914.
OURO
PRETO, mapa 03.
Ver
OURO PRETO,1936.
Ver
OURO PRETO,1875.
Segundo
COUTO, ap VASCONCELLOS, 1977. p 35.
Ver
APM, ap. VASCONCELLOS, 1977
Segundo
VASCONCELLOS, 1977
Ver
OLSEN, 1986,
Segundo
D’ORBIGNY, 1976
Segundo
CANSTATT, 1975.
"Pierre
George mostrou, com grande vigor, as contradições insolúveis
do empirismo estatístico na definição de urbano. Mas,
no final das contas o critério generalizado parece ser o do número
de habitantes, com corretivos variáveis segundo a estrutura ocupacional
e as delimitações administrativas. O censo dos Estados Unidos
considera 2500 habitantes o nível a partir do qual um aglomerado
passa a ser urbano, mas acrescenta os aglomerados incluídos a uma
rede central (US Census of Population 1960, number of Inhabitants, United
States summary, final Report PC) Por seu lado, a conferência européia
de estatística elegeu o nível mínimo de 10000 habitantes,
corrigindo segundo a estrutura ocupacional" (CASTELLS,1984)
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OURO
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OURO
PRETO. Livro de Actas de Sessões da Câmara-
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OURO
PRETO. Livro de Actas de Sessões da Câmara-
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OURO
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OURO
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OURO
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OURO
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– Parte diária- 1894 - Serviços Urbanos Água e Esgoto.
Ouro Preto,1894. Arquivo Público Municipal de Ouro Preto. sem ref.
OURO
PRETO. Relatório das Administrações
– Parte diária- 1894 a 1909 - Serviços Urbanos Água
e Esgoto. Ouro Preto, 1894-1909. Arquivo Público Municipal de Ouro
Preto, sem ref.
OURO
PRETO. Relatório das Administrações
– Parte diária- 1894 a 1914 - Serviços Urbanos Água
e Esgoto. Ouro Preto, 1894-1914. Arquivo Público Municipal de Ouro
Preto. sem ref.
OURO
PRETO. Relatórios de fiscais – Ouro Preto,1936. Arquivo
Público Municipal de Ouro Preto. sem ref.
OURO
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