A Área da Luz em São Paulo: Reabilitação de edifícios históricos versus Recuperação urbana

Juliana Nahas Brasilino de Carvalho
Arquiteta e Urbanista

&

Maria Cristina da Silva Schicchi
Arquiteta e Urbanista.
Professora da FAU Pontifícia Universidade Católica de Campinas



 
 

 
 
 
 
 
Se sob o aspecto técnico a proposta do Plano Urbanístico Nova Luz é arrojada, do ponto de vista do trato com o território é bastante redutora ao simplesmente propor a demolição/desapropriação dos imóveis deteriorados e a criação de novos espaços e empreendimentos, ou seja, uma renovação urbana, ainda que o setor seja caracterizado por desocupação, comércio de baixa tecnologia e abandono dos espaços públicos (NAHAS, 2005, p.53) justificando intervenções diretas para sua qualificação. No Plano, estão previstos incentivos para novos programas como o de empresas de tecnologia, centros comerciais e a transferência das sedes de Subprefeitura Sé e a Secretaria de Serviços (PMSP, 2006). A Luz é uma das mais antigas áreas da cidade e possui um dos maiores conjuntos de edifícios institucionais tombados pelos órgãos de preservação e já reabilitados para usos culturais em São Paulo: a Pinacoteca do Estado, o conjunto de edifícios ocupados pelo Quartel da Força Pública, o Convento da Luz, onde funciona o Museu de Arte Sacra, ou que ainda preservam o seu uso original: o Colégio Sagrado Coração de Jesus, o edifício do Liceu de Artes de Ofícios, a Igreja de São Cristóvão e muitos outros edifícios e conjuntos de interesse histórico que estão no perímetro definido pelo Programa Luz Monumenta, que conta com o apoio da Unesco e financiamento do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) para intervenções de restauração e reabilitação. 

 
 
 



 
 
 

Ações de renovação são perfeitamente aceitáveis e necessárias em nossos contextos ainda, dada a heterogeneidade morfológica decorrente das características de ocupação e de formação dos tecidos urbanos da cidade, somatória de ações e reações diversas do mercado imobiliário às determinações normativas e, por vezes, exercendo pressão para mudanças de legislações de uso e ocupação do solo. A forma urbana gerada em algumas partes da cidade ainda é instável, muitas vezes deteriorada, com presença de vazios em áreas intermediárias ao perímetro central e, principalmente, próximas a equipamentos de grande impacto urbanístico, posto que estes são, por natureza, potenciais irradiadores de dinâmica urbana, seja de animação ou estagnação, valorização ou desvalorização, renovação ou abandono. 

 
 
Em outras palavras, a região da Luz sofre com os interesses especulativos que pouco a pouco foram remodelando o bairro. Hoje, basta a simples notificação de que um imóvel foi tombado para que os edifícios ao redor sejam demolidos, ao invés de gerar revitalização, um estigma que acompanha a figura do tombamento até o presente.

 
 
A existência de imóveis residenciais, pequenos estabelecimentos comerciais e cortiços acabaram dificultando a execução de grandes empreendimentos. Seguiu-se a diminuição dos serviços básicos, a coleta de lixo que se tornou irregular, inexistências que acabaram desvalorizando o bairro. 

 
 
Não obstante, a região, ao contrário do que tem sido dito, continua bastante ocupada, tanto demograficamente quanto economicamente. É um ponto de lazer, de compras, além de passagem de grande fluxo de pedestres. O que ocorreu, na verdade, nos últimos 30 anos, foi a ocupação gradativa por uma outra classe social.

 
 
A situação atual também decorre fortemente de ações das intervenções realizadas pelo poder público, investimentos em obras viárias, nos anos 1960/70, que reduziram a região central a um nó de articulação e passagem entre as demais regiões, como a construção de grandes avenidas e viadutos que, se não derrubaram patrimônios, acabaram contribuindo para a desvalorização das áreas e favorecendo a evasão da população de alta renda, levando à decadência de equipamentos culturais e ao desuso dos espaços públicos existentes.

 

Portanto, é preciso que o olhar não se distancie das áreas existentes ainda não consolidadas, do potencial representado pelos espaços públicos elementares como ruas, calçadas, praças, largos, cuja recuperação e estado de urbanidade somente serão possíveis na medida em que houver investimentos nas edificações que os circundam e a fixação de atividades que gerem movimento e apropriação coletiva dos espaços, base para o convívio e sucesso de ações simultâneas de renovação, restauração e reabilitação.

 
 

Esta premissa foi o principal elemento de condução da pesquisa, em cujos resultados nos baseamos para estas reflexões. A alteração de usos, a detecção de índice de vazios urbanos, de subutilização de edificações e a leitura da paisagem gerada pelas atividades que hoje ocorrem na área foram os principais fatores levantados.


 
 
Estas informações, fruto de levantamentos de campo, foram também a base para realizarmos o cotejamento de diferentes posturas adotadas nos projetos de reabilitação dos edifícios da Estação da Luz e Estação Julio Prestes para compreender os resultados destas intervenções, já concluídas, sobre suas áreas envoltórias, admitindo-se a escala de interferência urbana destes equipamentos.

 
 
 
OS PROJETOS DE INTERVENÇÃO NA ÁREA

 
 
Na última década do século passado, as intervenções para a requalificação urbana da área da Luz, sejam de reabilitação ou de renovação ocorreram desarticuladas de planos de maior alcance, tendo sempre o caráter pontual, seja do ponto de vista físico (restaurações, reabilitações) ou sociais (programas junto às populações carentes ou em condição de rua) . O que não significa que estudos e propostas, articulados, bem informados por dados sobre o estado atual da área não tenham sido realizados. A partir da última gestão, a Prefeitura do Município de São Paulo, através dos seus diversos órgãos e secretarias, despendeu um esforço no sentido de viabilizar o Projeto Luz Monumenta (Mapa 2), com apoio do MinC (Ministério da Cultura) e do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento).
 
 
Recentemente, uma matéria no Diário do Comércio (2006) anunciou que a região da Luz recebeu recursos captados da iniciativa privada pela Operação Urbana Centro (criada na década passada) da ordem de R$3,6 milhões cujo objetivo é destinar para as desapropriações na área, previstas para as ações de renovação do Plano Urbanístico Nova Luz (Mapa 2). O Plano já disponibilizou um edital de habilitação para obtenção de incentivos fiscais na região onde 20 empresas apresentaram interesse em investir na área.  Os recursos seriam utilizados também para desapropriação de nove terrenos localizados na Rua dos Gusmões, dentro da área do Plano para construção de dois prédios residenciais de interesse social, com 170 unidades, pela CDHU (Companhia de Habitação e Desenvolvimento Urbano) em convênio com a Prefeitura e a CEF (Caixa Econômica Federal), para famílias com renda de até seis salários mínimos, que serão preferencialmente destinadas a funcionários públicos que trabalhem no centro e ainda não possuam imóvel próprio.

 
 
As ações recentes do poder público, entretanto, têm sido ambíguas no trato com a população que habita a área, como constatamos na iniciativa denominada “Operação Limpa” que deu início ao Nova Luz. Realizada no ano passado pela atual gestão, entre outras ações, decretou o fechamento de hotéis irregulares, realizou a prisão de traficantes e prostitutas, detectou e coibiu várias atividades irregulares e introduziu um policiamento ostensivo na área, oficialmente chamada de “Cracolândia” que, não obstante tenha sido uma sinalização importante de resgate do nível público dos espaços, tomados por pontos de tráfico e outras práticas ilegais, também penalizou a população mais carente que vive na área ao rotular com esta denominação todas as outras práticas, usos e formas de apropriação, em geral, pouco conhecidas do poder público e da sociedade e que se relacionam com os usos atuais da área e sua forte característica de lugar de passagem devido à presença das estações.

 
 
Além disso, a participação no plano da população que mora e tem comércio na área não tem sido efetiva. Para se ter uma idéia, na mesma matéria do Diário do Comércio já citada, o texto termina com a informação de que os pequenos comerciantes locais se queixam da pouca informação sobre os incentivos fiscais oferecidos pela Prefeitura para investimentos na área, de que as reformas já realizadas por eles nos imóveis não contaram com a ajuda do poder público e que estão temerosos de investir em seus imóveis diante da possibilidade de desapropriação.

 
 
 
 

AS ESTAÇÕES E A IMAGEM DA ÁREA 
 
 

A principal característica da região é o fato de ter sido marcada pela localização das duas principais estações ferroviárias da cidade, a da Luz, da pioneira E.F. Santos Jundiaí (antiga São Paulo Railway Company) e a Júlio Prestes, da Companhia Mogiana. A presença das estações, entretanto, só veio somar importância à área onde já existiam o Jardim da Luz (1825), o Seminário Episcopal (1860), a Escola Politécnica (1894) e muitos outros edifícios que marcaram a história da paisagem da Luz e a história da Cidade (FOLHA DE SÃO PAULO, 2002).
Esta importância resistiu até o final da Segunda Guerra Mundial quando o transporte ferroviário começou a perder espaço para o automóvel e o ônibus no deslocamento regional. O desprestígio deste meio de transporte foi ainda reforçado pelo incêndio ocorrido na estação em 1946, apenas dois dias antes de ser incorporada pela Rede Ferroviária Federal. Deste incêndio saíram ilesas a gare e a parte oeste do edifício. As obras de reconstrução se estenderam de 1947 a 1951 e a principal modificação foi o acréscimo de um andar, que recebeu o mesmo tratamento da fachada original mas resultou em grandes modificações no seu hall principal para receber o reforço da estrutura (SOUKEF, MAZZOCO, 2000)

 

Esse processo de decadência fez com que inúmeros ramais fossem desativados e a Estação da Luz passou a receber os trens suburbanos. Em 1996, a estação foi tombada como patrimônio nacional.
 
 
 

O centro da cidade de São Paulo sempre teve sua paisagem marcada pela alternância diária do deslocamento de pessoas - característica pouco explorada nos planos e projetos propostos - com saídas e chegadas de pessoas para o trabalho e de acesso a bens e serviços que geraram um centro predominantemente voltado para as atividades terciárias. A partir dos anos 1940, a oscilação dos investimentos públicos para consolidação e melhoria da área como um todo e especificamente da área da Luz, diante de uma cidade com modelo de crescimento extensivo, disperso, desencadeou um processo de evasão de moradores e de ocupação desequilibrada dos setores centrais, concentrada em certos pontos mais movimentados ou nos de comércio especializado, com muitas interferências e barreiras provocadas pelas soluções viárias, priorizadas quando não se tinha completado ainda a urbanização ao longo dos leitos ferroviários. Muitos bairros situados ao redor do centro principal permaneceram, por longo tempo, isolados entre si e sua população foi, aos poucos, sendo substituída ou abandonando-os e se transferindo para bairros residenciais mais distantes.
 
 
As barreiras criadas pelo complexo ferroviário dificultam até hoje o acesso para o transporte individual. A falta de retornos e a confusão nas mãos de direção dificultam a acessibilidade para quem tenta chegar à área. A Avenida Tiradentes é uma barreira física de transposição entre os dois lados do bairro, principalmente para automóveis e ônibus, dificultando o acesso aos demais bairros contíguos. São recentes as faixas de travessia de pedestres colocadas a cada esquina a partir do final da Avenida Prestes Maia e ao longo da Avenida Tiradentes.

 
 
 
Ambas as estações recebem passageiros de todos os quadrantes da cidade. A Estação da Luz está interligada no Projeto Integração Centro aos terminais intermodais do Brás e Barra Funda, ligação operacional entre as seis linhas da CPTM e três linhas do metrô, permitindo acesso direto dos usuários das regiões leste, oeste, noroeste e sudeste à área central de São Paulo. Já a Estação Julio Prestes, ao contrário, recebe apenas passageiros do noroeste e sudeste da cidade e terá futura ligação com a Estação da Luz (CPTM, 2003).

 
 
Não obstante o intenso fluxo gerado, a apropriação da área por diversos grupos sociais que não necessariamente moram e sim “habitam” os arredores das estações, formado por uma população pobre e em condição de rua, como já foi dito, determinou sucessivas ações de repressão e/ ou inibição da circulação nos espaços públicos, ainda que, desde 1993, vários projetos sociais tenham atuado na área.

 
 
 
As duas estações presentes nessa região embora tenham a mesma função e proximidade de localização, configuraram contextos urbanos completamente diferentes devido a vários fatores, entre os quais a diferença na dinâmica que estabeleceram a partir dos anos 1960 com o sistema de transporte de passageiros da cidade e ao longo de seus trilhos, as características de ocupação de seus entornos imediatos e, finalmente, isto hoje se acentuou ainda mais com os projetos de reabilitação propostos para cada uma delas e as relações que estes estabelecem com a superfície e os espaços públicos em termos de acessibilidade.
 

A estação da Luz, mesmo antes do término de sua reabilitação, era responsável por 30.000 passageiros em horário de maior movimento, segundo dados da CPTM (2003). É um eixo importante de ligação da cidade com o litoral do estado e está localizada próxima à Avenida Tiradentes, um dos caminhos de entrada da cidade que ganhou importância principalmente a partir de 1872 (http://www.estacoesferroviarias.com.br/index.html) com a ocupação de seu lado leste e, na década de 1940, como importante ligação viária do eixo norte-sul.  Este movimento mantém uma constante pressão sobre seu entorno, que hoje é quase setenta por cento ocupado por edifícios comerciais e de escritórios, gerando um fluxo de pedestres e uma demanda de equipamentos específicos para o horário comercial e apoio a este comércio.
 
 
 

O contexto urbano da estação Julio Prestes é completamente diferente, apenas a parte esquerda da plataforma do edifício é utilizada para embarque e desembarque dos passageiros que deverá ser desativada no futuro. Longe de grandes eixos de acesso à cidade, com ausência de retornos viários, portanto, de difícil acessibilidade, inclusive para o pedestre, seu entorno é marcado por uma ocupação difusa, com espaços públicos mal delineados, os quais antes de sua reabilitação eram ocupados para estacionamentos ou ambulantes. 

 
 
A população que freqüenta a área é caracterizada por um grande número de desempregados onde, segundo constatou o estudo do Perímetro de Reabilitação Integrada do Habitat (PRIH) , no início de 2000, grande parte da população, 33%, apresenta uma renda de 0 a 3 salários mínimos, está ocupada no comércio informal ou  comércio ambulante, prostituição, drogas e freqüentes assaltos, já que muitos de seus moradores são também usuários do  crack. As ruas são pouco movimentadas durante o dia, quando é possível contar os pedestres em alguns trechos. A partir de algumas quadras de seu entorno imediato, ainda encontramos edifícios residenciais, que apesar de mal conservados e ocupando quarteirões inteiros, garantem um fluxo de pedestres fora do horário comercial. 

 
 
 
 
USO DO SOLO E DINÂMICA URBANA

 

O uso do solo do entorno da Estação Julio Prestes em alguns setores é muito indefinido. A partir da Rua Nothmann em direção aos bairros e nas proximidades da Avenida Rio Branco (Mapa 1) historicamente o eixo principal de ocupação do bairro de Campos Elíseos, muitos imóveis foram abandonados, principalmente na Rua do Triunfo e região onde a predominância é de ocupação por bares e hotéis de alta rotatividade.
 
 
 

Entretanto, na parte posterior da Estação Julio Prestes, no Bom Retiro, já é possível ver ações de recuperação sendo realizadas, tais como calçadas que receberam tratamento de piso, embora não padronizados, serviços de transporte alternativos para os usuários e pontos de táxis, evidenciando o aumento de circulação de pedestres, a recuperação de algumas fachadas para o comércio, conservando o gabarito de altura, estacionamentos mais organizados, alargamento de calçadas. Entretanto, são intervenções desarticuladas e que não configuram ou não produzem um efeito de requalificação visível sobre os espaços públicos como um todo.

 
 
 

  Bairro do Bom Retiro. Foto: Juliana Nahas (2005).



 
 

 
Do mesmo modo que ocorre no bairro do Bom Retiro, na região de Santa Ifigênia e arredores, marcada pelo comércio varejista e atacadista de eletrônicos e informática, de hotéis voltados para usuários deste comércio e hotéis de alta rotatividade, constata-se maior interação de usos.  É uma região caracterizada por usos comerciais que geram um fluxo intenso de compradores e usuários durante o dia e outro, diferente, de lazer e consumo noturno. Esta condição de alternância inibiu a instalação de usos mais permanentes, de fixação e investimento dos proprietários na área e de atividades geradoras de renovação e valorização dos imóveis.

 
 
 
Ao contrário, na área em frente à entrada principal da estação, configura-se uma paisagem mais heterogênea que mescla edifícios abandonados e outros com usos indefinidos, com a presença de edifícios mais altos, de melhor padrão (final da estação em direção à Alameda Nothmann). A maioria dos edifícios abandonados se encontra no limite do bairro com os trilhos ou localizados do outro lado da Avenida Cleveland (Mapa 1).

 
 
Essa situação pode ser explicada pelo descuido e indefinição com os espaços públicos da região, uma situação que é particularmente grave nas áreas ao longo dos trilhos, onde o fato de não ter havido nenhuma intervenção de melhoria ou mesmo urbanização, ao longo de muitos anos, definiu uma linha de espaços liminares que, embora sejam parte de área de ocupação consolidada não possuem a sua vitalidade típica. 

 
 
 
Do outro lado da Avenida Tiradentes, lado leste, instalou-se outro tipo de comércio especializado, principalmente na Rua São Caetano, rua tradicional da cidade e especializada no setor de artigos para noivas. Neste setor, há edifícios com usos mistos, com bares e restaurantes nos térreos e residências nos andares superiores, estes últimos, remanescentes do período em que o bairro do Brás era tipicamente residencial. Na Rua Mauá, no setor oeste, mais caracterizado por serviços, predominam os hotéis de alta rotatividade.

 
 
 
 

 Rua Mauá, setor em direção ao Bairro do Brás. Foto: Juliana Nahas (2005)



 

 
 
 
Porém, na Avenida Prestes Maia, próximo à estação da Luz pode-se observar edifícios verticais abandonados que, em geral, têm sido alvo de ocupações de população de integrantes de movimentos de moradia ou de população do movimento dos “Sem Teto”, tendo uma delas sofrido reintegração de posse através de ação policial logo após a realização do levantamento.

 
 
A Avenida Tiradentes é importante corredor de uso institucional, apresenta uma ocupação mais homogênea com a presença de edifícios históricos, porém também é grande o número de estacionamentos. Em decorrência dos equipamentos instalados, o significado urbano dessa avenida extrapola a área pesquisada e adquire importância regional. Na mesma direção, pode-se incluir o parque da Luz, o qual se constitui na única área verde significativa do perímetro de estudo. 
 
 
A presença de estacionamentos é tão notável na área estudada que constatamos a localização de cinco deles em apenas um quarteirão próximo à área que tangencia os trilhos, fato que confirma a característica de transição da área já que a maioria destes estacionamentos está instalada em terrenos antes ocupados por edifícios que foram demolidos após vários anos de abandono. 

 
 
 
De um modo geral, os setores que possuem uma configuração mais adensada, com lotes menores e ocupação de gabarito mais baixo, que correspondem ao definido como de utilidade pública e desapropriação no Plano Nova Luz, da gestão atual, nas condições em que se encontram hoje, não parecem ser de interesse do mercado imobiliário, confirmando a necessidade de indução de investimentos para sua mudança. As construções são antigas, de poucos pavimentos, como se nota nas ruas José Paulino e São Caetano e na área denominada de “ Quadrilátero do Crack” (Mapa 2).  Edifícios mais altos, de oito a 15 andares, foram localizados na quadra de uso residencial já citada. Além disso, identificaram-se alguns edifícios vazios: cerca de cinco próximos à estação Júlio Prestes; e dois na Avenida Prestes Maia, os quais, como já dissemos, foram ocupados irregularmente.

 
 
O pequeno gabarito e o fato de ser uma área de ocupação urbana mais antiga podem ser os fatores que explicam a existência de poucos terrenos desocupados. Os lotes não edificados, de um modo geral, são estacionamentos e se localizam próximos às quadras de uso predominantemente comercial e de serviços.

 
 
 
 
 
OS PROJETOS PARA AS ESTAÇÕES  versus  A REQUALIFICAÇÃO DA ÁREA

A partir dos aspectos descritos, foi possível uma análise mais objetiva dos projetos propostos para as estações e a sua relação com a cidade. Os projetos para as estações têm diferentes enfoques em termos de reabilitação dos edifícios e, embora muito próximas geograficamente (foto 3), estabelecem relações também distintas com o contexto urbano. 
 
 
 

A estação da Luz, apesar de receber um programa estranho a seu desígnio, o Museu da Língua Portuguesa que, como a Sala São Paulo, poderia estar em qualquer outro edifício histórico da região, foi além da implementação de atividades culturais ao manter a transposição urbana pelo edifício ao fluxo de pedestres, permitindo a passagem ao nível da superfície, estabelecendo um percurso entre o Jardim da Luz e a Rua Mauá, tornando a estação um “recinto-pórtico que, por meio dos seus pontilhões, ultrapassa a fenda da ferrovia com seu leito rebaixado” (www.estacaodaluz.org.br )

 
 
Os usos levantados, tanto de um lado quanto de outro da estação demonstram que a diversificação e interação entre eles são aspectos determinantes para deflagrar um processo de requalificação. 
 

 
 


 
 
 
 
 
 
 

 Ao fundo Estação Julio Prestes e à esquerda da foto a Estação da Luz.
Foto: Juliana de Carvalho (abril 2005)



 
 

 
 
O prédio da Estação Júlio Prestes foi inaugurado em 15 de outubro de 1938, após passar 12 anos para sua obra ser concluída. O restauro e a transformação da Estação Julio Prestes com a instalação da Sala São Paulo fez parte dos projetos do governo estadual na década de 90 de revitalizar o centro de São Paulo a partir da inserção de equipamentos culturais, seguindo padrões já adotados em outras metrópoles mundiais. O programa de reabilitação tornou o edifício auto-suficiente em termos de seu funcionamento, já que possui seu próprio bar-café, estar, chapelaria, loja, restaurante e estacionamentos, que possibilitam o acesso direto por circulação vertical à sala de espetáculo, sem necessidade de contato com a área externa ao edifício.

 
 
O acesso ao edifício é bastante restrito fora dos horários em que há espetáculos e esta limitação reforça o aspecto de barreira física do edifício em relação ao seu entorno, a ponto de os compradores do tradicional bairro do Bom Retiro, localizado logo atrás da estação (foto 4), precisarem contornar o edifício para ter acesso ao bairro. A mesma dificuldade é enfrentada pelos que acessam com automóvel a região, causada pelas “mãos únicas” de direção e ausência de sinalização adequada.

 
 
 
 

 Muro da Estação Julio Prestes, dos fundos da estação para o bairro do Bom Retiro. 
Foto: Juliana de Carvalho (abril 2005)



 
 
 
 

Portanto, a forma como foi conduzido o projeto de requalificação para a área,  com intervenções apenas no edifício, com um programa que contribui para o confinamento dos usuários, não permite impulsionar melhorias visíveis e definitivas no meio urbano

 
 
Num dia útil da semana, a Sala São Paulo às cinco e meia da tarde já estava fechada ao público e a Praça Julio Prestes totalmente tomada por mendigos, deitados em frente à edificação. Enquanto em outra visita à área, no horário de almoço, por volta das quatorze horas, não foi possível ver nenhum morador de rua na frente da estação.

 
 
O que se pode afirmar hoje, portanto, é que a Estação Júlio Prestes e Sala São Paulo, mantidas as condições atuais, ou seja, a dificuldade de acesso ao edifício e à sua área envoltória, o programa de uso que, cada vez mais, se configura apenas como um equipamento cultural que poderia perfeitamente estar em outra parte da cidade pois prescinde de qualquer relação com seu entorno, dificilmente contribuirá para a recuperação e apropriação dos espaços públicos ali situados, fato que deve se acentuar ainda mais com a desativação da estação.

 
 
E, quanto ao edifício da Estação da Luz, apesar do projeto possibilitar outra relação com a rua e os espaços públicos, como constatamos, para que a requalificação do entorno se mantenha é necessário que as intervenções sejam mais do que a somatória de restaurações de edifícios, tendo em vista o esvaziamento, a indefinição de usos e a sucessão de barreiras representadas pela ferrovia, por grandes avenidas ou mesmo, pelas características singulares de ocupação do grande complexo de edifícios-equipamentos presentes na área (estações, quartéis, igrejas e conventos) que geram quadras extensas e grandes distâncias das áreas de consumo. 

 
 
Apesar da Estação da Luz se localizar do lado oeste, do lado leste da Avenida Tiradentes ocorrem os mesmos problemas nos quarteirões próximos aos trilhos,  decorrentes do uso do solo e de pouco investimento nos espaços públicos. Durante a gestão anterior, o programa Morar no Centro implantou a primeira experiência do Programa de Reabilitação Integrada do Habitat exatamente em um conjunto de quadras aí situadas (Mapa 2), delimitado pela Av. Tiradentes, pela Rua João Teodoro, Av. do Estado e Rua Mauá (PRIH Luz – Foto 5). O programa continha um Plano de Melhoria Ambiental (recuperação de espaços públicos e fachadas), um  Plano de Construção Social (ações sociais, equipamentos públicos) e de Provisão Habitacional que propunha a análise de empreendimentos para construção de unidades habitacionais para locação social (PMSP, 2004).

 
 
Ou seja, são ações diversas, que tomadas em si são compatíveis com objetivos, interesses e agentes envolvidos, mas tão “delimitadas” quanto os perímetros de suas abrangências. Mais agravante é o fato de não haver uma discussão de prioridades ou formas de atuação combinadas. Se a experiência dos PRIH, que prevêem a participação da população e a detecção de problemas a partir de discussões diretamente com a comunidade é o caminho para um lado e um setor da área, parece não ser o mais adequado para o setor do outro lado da Avenida, ou seja, o perímetro objeto de desapropriações e intervenções de renovação, com investimentos privados de grandes empresas de tecnologia e de construção.

 
 
 
 

 Rua Alfredo Maia, paralela do lado leste da Av. Tiradentes, área adjacente ao PRIH Luz.
Foto: Juliana Nahas (2005)



 
 

 
Há dois fatores ainda a considerar e verificar. O primeiro é se a presença deste conjunto de edifícios históricos com usos públicos na área, como a Pinacoteca, o Batalhão de Polícia, o Convento da Luz e a Igreja de São Cristóvão, para citarmos alguns, juntamente com a Estação da Luz e a Júlio Prestes, à medida que sejam interligados por um tratamento dos espaços públicos e da Av. Tiradentes, à médio prazo, poderão efetivamente induzir a recuperação das áreas do entorno. Neste sentido, na Avenida Cásper Libero, há indícios de adesão de alguns proprietários nas recentes reformas e recuperações de seus edifícios, influenciados pela restauração da Estação da Luz e pela proximidade da futura saída do Metrô.
 
 
 
Ou se a desapropriação da área delimitada no Plano Urbanístico Nova Luz (150mil m2 nos seus setores mais deteriorados), com a demolição de boa parte dos prédios e indução de maior rotatividade e intensificação de usos para a área podem, em menor prazo, gerar uma nova paisagem na região, inclusive acelerando o processo de esvaziamento de outras áreas, caracterizadas por pequenas propriedades, uma vez pressionadas pelo aumento no valor dos imóveis.
 
 
De qualquer modo, a primeira situação, decorrente dos investimentos públicos em obras de restauração, reabilitação e da oferta de incentivos seletivos para reforma e reabilitação de edifícios particulares na área, será objeto do Programa Monumenta Luz, que tem em seus objetivos, a recuperação física e manutenção da população local (moradores de renda baixa, pequenos comerciantes). A segunda situação, conseqüência de investimentos da iniciativa privada, com incentivos fiscais da Prefeitura e algumas intervenções de melhoria dos espaços públicos que estão previstas será objeto do Plano Urbanístico Nova Luz, cujo perímetro não coincide com o do Programa Monumenta (Mapa 2), ou seja, são projetos que podem se desenvolver em paralelo sem necessariamente estabelecer interações, programas comuns ou complementares. Outra questão é o fato de terem como interlocutores principais os proprietários ou locatários dos imóveis, no primeiro caso, e os grandes investidores e as construtoras, no segundo, restando ainda para os programas sociais oficiais e para as ONGs a atuação junto aos demais habitantes da área

 
 
 
 

 Estação da Luz.  Fachada Norte em frente ao Jardim da Luz
Foto: Juliana de Carvalho (abril 2005)


 
 
 
Há uma contradição colocada como princípio na proposta do Nova Luz de derrubada de vários quarteirões, que certamente se revelará nos efeitos sobre as populações que hoje os habitam, seja a população necessitada – que hoje ainda é vista indistintamente dos envolvidos com o tráfico e a criminalidade – seja a população que ainda reside na área, pois a valorização produzida por esta operação de derrubada e renovação do tecido com novos padrões de edifícios e especialização de usos, ao pressionar para cima o valor dos imóveis da área que é objeto do próprio Programa Monumenta, podem induzir a saída da população local, produzindo um outro esvaziamento indesejável: o de urbanidade, produto da expulsão e substituição da população permanente e da impotência em gerar usos e atividades complementares ou interativos em seus entornos, principalmente se tais edifícios tiverem programas auto-suficientes para seus novos usuários, que não serão necessariamente residentes na área.

 
 
De forma geral, nas atuais propostas de reabilitação da área há uma distância, que parece cada vez mais intransponível, entre o que se revela nos estudos e levantamentos sobre os contextos urbanos atuais e as formas de apropriação dos espaços públicos - com todas as distorções e segregações - e os programas e projetos propostos para as áreas e os edifícios existentes ou novos, mesmo considerando que não se trata de olhar a área apenas sobre o ponto de vista do desenvolvimento local, mas sim como parcela de uma área central.

 
 
Parece que as diferentes escalas de intervenção propostas e cabíveis para a área, indissociáveis sob o plano teórico, técnico e político – desde a interação de modalidades de transportes no nível metropolitano até as intervenções de resgate dos espaços públicos, estímulos à diversificação de usos e fixação das populações locais – permanecem ainda em tempos diferentes, interpostas no mesmo espaço, porém sem interagir. 

 
 
 

Notas

 
***Os perímetros delimitados no Mapa 2 foram retirados dos editais: 1. Anexo 1 do Edital de Chamamento para Habilitação de Interessados em Obter os Incentivos Fiscais para a Região Adjacente à Estação da Luz, Lei 14.096 de 8/12/2005 – decreto 46.996/06, iniciativa ligada ao Plano Urbanístico Nova Luz da atual gestão. 2. Delimitação da área de projeto do Edital de Seleção de Imóveis Privados para Reforma e Recuperação, de 24/01/2006, iniciativa do Programa Monumenta Luz. 3. Delimitação da área de atuação do PRIH Luz a partir do Caderno do Programa MORAR NO CENTRO da SEHAB

 
  Este artigo foi baseado no trabalho de pesquisa de Iniciação Científica desenvolvido pela então aluna Juliana Nahas e orientado pela Profa. Dra. Maria Cristina Schicchi em 2004/2005 e financiado pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Uma versão resumida deste artigo foi apresentada em forma de painel no Seminário Projetos urbanos Contemporâneos no Brasil, realizado em agosto de 2006 e pode ser acessado pelo sítio:http://www.usjt.br/prppg/informe/2006/agosto/semprojurb/anais.htm.
A área da Luz foi objeto específico de intervenção ou foi incluída na área dos seguintes projetos: Criação de uma “Zona de Preservação e Recuperação na Área da Luz através de trabalho desenvolvido pelo escritório Rino Levi Arquitetos Associados, em 1974; Projeto Luz Cultural sob a coordenação da Secretaria de Estado da Cultura, em 1984; no programa “Centro Seguro” e “Ação Local” criados pela Associação Viva o Centro em 1991; Programa de Requalificação Urbana e Funcional do Centro (Procentro) em 1993; Concurso Nacional de Idéias para um Novo Centro de São Paulo, realizado pela Prefeitura e pela SEHAB, em 1996;  Operação Urbana Centro, em 1997; Projeto Pólo Luz pelo governo estadual e federal, do qual resultou as reabilitações da Pinacoteca do Estado, da Estação Júlio Prestes e da Estação da Luz, em 1998. Também em 1998 iniciou-se o Projeto Monumenta/BID, que foi implementado a partir de 2000, na gestão Marta Suplicy, juntamente com o Programa de Reabilitação do Centro de São Paulo. Em NAHAS, Juliana Brasilino de Carvalho. Reabilitação de Edifícios vs Recuperação Urbana. Estudo de Caso no Centro de São Paulo. Relatório de Pesquisa. FAU PUC-Campinas, agosto 2005
A Operação Urbana Centro reúne 14 entidades da sociedade civis, entre as quais autarquias e secretarias públicas e organizações não-governamentais
Os incentivos fiscais oferecidos são: redução de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), ITBI (Imposto sobre Transmissão “Inter Vivos” de Bens Imóveis) e de 60 do ISS (Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza). Prefeitura estudo conceder incentivo fiscal para o centro de São Paulo. http://centrosp.prefeitura.sp.gov.br/projetos/novaluz_area.php
Entre as ações sociais e programas voltados para as populações da área, podemos citar ONGs (Organizações Não Governamentais): “Associação de Apoio a Meninos e Meninas da Região Sé”, a partir do CEDECA (Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolecente), desde 1993; “Projeto Comer Bem” que atende os meninos das oficinas da AAC e que trabalham na Coorpel (Cooperativa de Reciclagem de Papel, Papelão e Materiais Reaproveitáveis), desde 1998; Centro da Criança e do Adolescente, desde 1992; Instituto Dom Bosco; Centro de Integração Social da Mulher (CISM) voltado para mulheres em situação de prostituição; CENA, que atende moradores de rua e não tem ligação com a prefeitura. Entre os programas vinculados com o Estado, podemos citar o “Ateliê Amarelo”, localizado na esquina da Rua do Triunfo e General Osório que possibilita o uso gratuito de espaço a dez artistas por ano. Em NAHAS,  2005, pág. 27
O levantamento de uso e ocupação do solo urbano foi realizado em abril de 2005 em perímetro delimitado pelas principais avenidas existentes e formado por três quarteirões localizados em todas as direções a partir das estações. O Mapa 1 apresenta o uso e ocupação do solo urbano na área.
Esse é o primeiro Perímetro de Reabilitação Integrada do Habitat (PRIH) de um total de seis previstos para a região central da cidade, onde a Sehab desenvolve o programa Morar no Centro. Lá foi instalado o Escritório Antena para coordenar os trabalhos e manter contato direto com a população. De acordo com o novo Plano Diretor, o perímetro está inserido numa Zona Especial de Interesse Social (ZEIS). Com isso, para aprovação de novas construções, reformas para mudança de uso ou reformas de edifícios residenciais vazios os proprietários deverão destinar 50% da área em cada lote para Habitação de Interesse Social (HIS). SECRETARIA MUNICIPAL DE HABITAÇÃO. Programa Morar no Centro. PRIH LUZ: http://www6.prefeitura.sp.gov.br/secretarias/habitacao/departamentos/habi/0006
O atual prefeito Gilberto Kassab, em entrevista à Revista Urbs declarou que deverão ser realizadas, no próximo ano obras de”alargamento de calçadas, melhoria das travessias, troca e uniformização do piso, projeto de iluminação pública, paisagismo e ordenamento do mobiliário, além da implantação de galeria técnica, que comporta a infra-estrutura de tecnologia de informação, como o cabeamento de fibra ótica”. REVISTA URBS Viva O Centro. Ano X – nº42 – Edição Especial  VIVA O CENTRO 15 ANOS. São Paulo: dezembro de 2006, pág.36 e 37.
O Plano Urbanístico Nova Luz, também chamado de Projeto Nova Luz, propõe a intervenção em 23 quadras na área adjacente à Estação da Luz, especificamente 23 quadras denominadas de “Cracolândia”.As desapropriações vão se restringir a imóveis irrecuperáveis e áreas destinadas a instalação de equipamentos públicos e foram aprovadas legislações específicas: a lei e a regulamentação estabelecendo incentivos fiscais para a instalação de empresas na região (cujo primeiro edital já foi publicado, conforme citamos) e o decreto declarando de utilidade pública algumas áreas passíveis de desapropriação. A Subprefeitura da Sé está fazendo o levantamento imóvel por imóvel da região. Do ponto de vista do investimento, as primeiras iniciativas caberão ao Poder Público. Nas quadras selecionadas como piloto para o projeto já estão definidas desapropriações e demolições que darão lugar à nova sede da Subprefeitura da Sé e da Secretaria de Serviços, base da Guarda Civil Metropolitana (GCM) e Prodam, além de uma escola municipal, que também atenderá à demanda de lazer dos moradores da área (http://centrosp.prefeitura.sp.gov.br/projetos/novaluz_area.php). O Programa Luz Monumenta Luz, tem como objetivo a restauração e recuperação do patrimônio arquitetônico e urbano da área da Luz, bem como ações de recuperação sócio-ambientais. Conta com financiamento do BID e tem apoio da UNESCO. A Comissão Especial de Seleção/ CES nomeada pela Portaria n° 48, de 31/08/2005, tornou pública a realização de processo de seleção de imóveis privados para reforma e recuperação para fins de obtenção de apoio financeiro para restabelecimento das características históricas, artísticas e cênicas de ditos imóveis. São ações conjugadas do poder público, na recuperação dos edifícios históricos e espaços públicos e de iniciativa particular dos proprietários ou locatários (http://ww2.prefeitura.sp.gov.br/arquivos/secretarias/cultura/edital/MONUMENTA).

 
 

WEBGRAFIA:

Estações Ferroviárias do Brasil:
http://www.estacoesferroviarias.com.br/index.html por Ralph M. Giesbrecht.
 

Secretaria Municipal de Habitação. Programa Morar no Centro. PRIH LUZ: http://www6.prefeitura.sp.gov.br/secretarias/habitacao/departamentos/habi/0006
 

Prefeitura de São Paulo:
http://www.prefeitura.sp.gov.br/portal/a_cidade/noticias/index.php?p=3297
 
 
 

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