“A inveja é pecado
E papai do céu castiga:
Na próxima encarnação,
Você nasce em Curitiba.”
(Paulo Leminski)
Nem todos concordam com o
admirado poeta curitibano Paulo
Leminski . Perguntei a algumas pessoas como elas viam as palavras do
poema e obtive respostas significativas:
“[...] não
gostei nada [...] . Já tive oportunidade de viajar para varias cidades
do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e até algumas
cidades de São Paulo, em algumas viajei pra conhecer mesmo e outras
a trabalho, mas até hoje não achei nem uma que comparasse
com Curitiba, no clima, no ritmo das pessoas. Dizem que os curitibanos
são mal-humorados, mas não, vai pra Santa Catarina pra ver!
O povo de Curitiba é hospitaleiro e aceita de braços abertos
pessoas de outras culturas, outras religiões, tem até parada
gay aqui. É uma cidade grande com jeito de cidade pequena; sou apaixonado
pela noite de Curitiba, os barzinhos, as baladas, a galera voltando
à noite pra casa depois de um dia de trabalho e de estudo, é
tudo muito bom. Resumindo: não troco Curitiba por nada.” (Guilherme
T., técnico em informática).
“Para te falar
bem a verdade, esse poema quis dizer que a pessoa estava puta da vida com
Curitiba. O que não é para menos, pois os próprios
motoristas do trânsito são todos assassinos e mal educados,
açougue fecha para almoço e não há uma churrascaria
rodízio aberta em pleno domingo a noite... É uma cidade boa
em termos de qualidade de vida, porém pra quem já está
velho, porque até as baladas já estão indo pras cucuias....
Barzinhos, então, só tem num ponto da cidade. Restaurantes
também.... Não tem diversificação.” (Vivian
A., economista).
Curitiba foi fundada em 29
de Março de 1693 por Matheus
Martins Leme. A atual capital paranaense era chamada de Vila de Nossa
Senhora da Luz dos Pinhais e, posteriormente, passou a ser chamada
de Curitiba. A palavra Curitiba é indígena, Guarani, e significa
“lugar onde existem pinheiros”. Na cidade há muitas festas cívicas
e religiosas de diversas etnias, dança, música, culinária
e outras expressões culturais, além dos vários
memoriais em homenagem aos antepassados imigrantes, espalhados em espaços
públicos, praças e bosques municipais. Bons exemplos são
a Praça
do Japão e da Ucrânia, nas quais se mostram aspectos caros
à cultura destes povos O povo de Curitiba é composto por
imigrantes de vários lugares do mundo e seus descendentes, mas a
maioria expressiva na cidade descende de italianos e de poloneses.

Atualmente [2006], a cidade
tem mais de dois milhões de moradores. A "Cidade Luz” , como é
chamada por seu belíssimo Natal iluminado, é a única
cidade brasileira que entrou no século XXI como referência
nacional e internacional de planejamento urbano e qualidade de vida.

Experimente caminhar pela
Rua
XV, a famosa "Boca
Maldita", no centro da cidade. Há pessoas de todos os lugares
do país. A "XV" pode ser comparada à Rua 25 de Março
em São Paulo, com muita gente menos caminhando pelas calçadas
e automóveis trafegando. Na Boca Maldita, lojinhas e artistas de
rua são o que não falta. Pode-se comprar desde pequenas bijuterias
a roupas caras, comer comidinhas pouco saborosas ou tomar um esplêndido
café com creme. Ainda há um bonde que fica parado no calçadão.
Ele foi usado como transporte no século passado. Atualmente é
uma oficina de arte e oferece um bom espaço para as crianças
desenvolverem habilidades artísticas. No entanto, há muitos
curitibanos que passam todos os dias ao lado desse bonde e nem se dão
conta das as atividades desenvolvidas ali.
Há pontos turísticos
em Curitiba que são de tirar o fôlego. A Ópera
de Arame, por exemplo: um teatro todo feito de tubos de aço.
Ao se chegar na Ópera, enxerga-se o grande monumento de aço
erigido sobre um rio que pode ser visto correndo embaixo. Particularmente,
a ponte que leva ao interior mexe com as emoções, pois seu
piso é feito de pequenas vigas soldadas, numa malha de aço
transparente. No rio, que integra a beleza viva que preenche o teatro Ópera
de Arame há peixes coloridos de tamanho impressionante. Paredões
de
rochas naturais da pedreira onde se incrusta o teatro dão a ele
uma acústica excepcional. Na verdade, a Ópera fica dentro
de paredões naturais com se fosse uma pequena cachoeira.

Outro ponto é o Jardim
Botânico. Meio abandonado com os anos, mas com imensa responsabilidade
na educação em relação ao meio ambiente. O
local preserva algumas das espécies de plantas quase extintas e
ainda há uma estufa que ajuda a compor o milagroso cenário.
Quem o visita adora o passeio pelos caminhos do Jardim. Mas o Jardim Botânico
tem um problema : é uma ilha de natureza no meio da cidade,
rodeada por asfalto e carros poluentes. Tente correr no ali no horário
de pico e em vez de relaxar sairá mais estressado. Vai ser difícil
ouvir passarinhos cantando ou o som do vento que bate no topo das árvores
ou, ainda, sentir o cheiro da relva fresca. O que se escuta nesse horário
são crianças gritando, buzinas de automóveis, trânsito
na ciclovia do Botânico, uma trilha sonora que não combina
com o cenário de tranqüilidade da natureza.
Pode ser que esse seja o
maior problema de Curitiba: a cidade está ficando pequena para o
tamanho da população e existam poucos espaços para
atender às necessidades dos moradores.

O trânsito de Curitiba
é uma questão que vem se tornando problema maior de uns tempos
para cá.. Pára por qualquer coisa e uma fila gigante já
se faz atrás do carro parado. No horário de pico, a Visconde
de Guarapuava, uma das artérias da cidade, fica lotada e não
há buzina que pare de tocar. Carros se fechando, gente com cara
enfezada e imigrantes xingando os curitibanos de lerdos porque demoraram
a avançar o sinal. O trânsito é odiado diariamente
pelos moradores da cidade, embora os motoristas curitibanos sejam educados
no trânsito, respeitem as leis e as os limites de velocidade.
Uma das marcas da cidade
é o ônibus INTER 2. O grande "Falcão prateado" que
transporta todos os dias mais de meio milhão de passageiros tem
até comunidade no Orkut: "Famoso, mas ordinário". Em horário
de pico torna-se uma verdadeira lata de sardinhas e o cheiro, segundo os
passageiros, é difícil de agüentar. É preciso
ficar com o rosto na janela e estas ficam todas bem abertas. Os ônibus
levam todo tipo e gênero de pessoas. O Transporte Urbano de Curitiba
é considerado um dos melhores do mundo, uma vez que tem um sistema
de integração eficiente e os ônibus são confortáveis.
Em algumas linhas dos biarticulados (ônibus de até três
compartimentos) os assentos são estofados. Os ônibus têm
cores variadas que indicam a função daquele ônibus;
por exemplo: se percorre somente bairros, regiões metropolitanas
ou se faz a integração centro-bairro. Diferenciam-se em:
amarelos (("ligeirinhos"; sem terminal, geralmente ônibus de linha
direta que saem dos bairros e vão até o centro da cidade);
laranjas (alimentadores; levam a população dos terminais
de ônibus para os bairros e vice-versa); vermelhos (biarticulados;
utilizados para transporte rápido dos terminais ao centro da cidade);
verdes (interbairros; cruzam longas distâncias percorrendo quase
todos os bairros da cidade) e os cor de prata (têm a mesma função
do ligeirinho, porém com paradas em estações tubos).
Assim, os passageiros têm conforto e tranqüilidade para chegar
ao destino que escolherem. O custo da passagem é de R$1,80 [em 2006]
e pagando apenas uma passagem os passageiros podem viajar pela cidade e
região metropolitana.

Para os turistas que pretendem
conhecer a cidade existe uma rota de ônibus que leva a todos os pontos
turísticos da cidade. Para quem quer conhece-los sem se perder pelo
caminho pode ser uma boa opção de transporte. No passeio
o passageiro tem direito a parar em três pontos turísticos
e permanecer até duas horas no local antes de embarcar para o próximo
ponto.
Os táxis de Curitiba
chamam a atenção por sua cor "discreta": todos os carros
são cor de laranja, facilitando sua identificação
mesmo de longe. Curitiba tem ainda uma linha trem que corta a cidade.
A empresa ALL é proprietária da ferrovia, que está
sendo cuidada e supervisionada por ela.
Cidade limpa
"Gosto de morar
aqui, porque acho uma cidade muito bonita, com diversos parques, praças,
bairros separados por tipos de construções, ruas bem cuidadas,
limpas, poucos mendigos comparado a grandes centros urbanos, a saúde
oferecida pelo governo tem um bom estado físico (sim, geralmente
lotado, mas de fácil acesso), meio de transporte acessível
que liga um lado ao outro da cidade, boas escolas públicas e pessoas
bonitas. Esta cidade com um clima diferenciado proporciona todas as estações
o ano inteiro, isso é divertido porque geralmente utilizamos todo
o nosso ”guarda-roupa (Fernanda Lopez, estudante).
É difícil ver
lixo espalhado pelas ruas de Curitiba ou até mesmo nas favelas.
As casas são limpas e as ruas impecáveis. O lixeiro tem um
"jeito especial" de recolher o lixo e no Natal ganha até presente.
Muitos moradores, numa demonstração carinhosa de quem amam
essa cidade, separam o lixo para os "carrinheiros", que também saem
ganhando. As favelas são organizadas, as casas são construídas
com cuidado. Curitiba se dedica também à reciclagem de lixo.
O Programa da Prefeitura de Curitiba “Lixo que não é lixo”
colhe plásticos, metais, latinhas e papelão, entre outros
objetos, e encaminha para os setores de reciclagem. Com isso, a cidade
ajuda o meio ambiente a ser preservado, já que alguns produtos como
vidro e o plástico podem durar centenas de anos para se decompor.
Os lixeiros percorrem as ruas com seus gritos estridentes que deixam os
cachorros irritados. No Natal os lixeiros tocam as campainhas das casas
e perguntam “tem Natal pro lixeiro?”. As pessoas doam roupas, presentes
e até comida para esses profissionais que são fundamentais
no dia-a-dia da população.
Pobreza e violência
Curitiba
tem favelas isoladas. É difícil se ver a convivência
entre favela e casas de classe alta e média nos bairros. Geralmente
estas estão nas periferias da cidade e em regiões metropolitanas.
Infelizmente, para uma cidade que é considerada a melhor em qualidade
de vida, esta é uma realidade triste, uma falha no planejamento
urbano ou uma conseqüência da imigração
para a cidade em busca de novas oportunidades. A pobreza, crianças
desnutridas, assassinatos, violência física e psicológica
há em excesso na cidade Seja em bairros nobres ou em bairros pobres
e miseráveis ninguém está seguro na cidade. O sistema
de segurança ainda é deficiente e em plena luz do dia qualquer
cidadão pode ser assaltado. E o mais triste é o fato de que
a polícia chegará ao local do crime meia hora após
o chamado da vitima ou da pessoa que denunciou. A “Favela das Torres” ou
”Vila Pinto” que fica próxima a Pontifícia Universidade Católica
do Paraná (PUCPR), foi fechada por quatro dias por gangues e a polícia
não tinha acesso ao local, tendo sido preciso um esquema policial
reforçado para conseguir render aqueles que sujavam o nome dos moradores
honestos da vila. A “Favela Trindade“, localizada no CIC, é um exemplo
de grande favela. Nela vivem gangues que tomam conta da área. Como
em toda grande cidade que cresce a cada dia, a desigualdade e os problemas
sociais de Curitiba também crescem.
Lazer
A Avenida Batel é
o point da cidade. Os jovens se reúnem ali para ir à balada,
para namorar, paquerar e fazer novas amizades. À meia noite, principalmente
aos sábados, há uma fila imensa de carros na avenida e dezenas
deles aguardam pelo menos meia hora para atravessar o grande point dos
jovens. Se no sábado há agito no centro da cidade, o domingo
à noite é complicado para os jovens. O curitibano mantém
costumes tradicionais como a convicção de que “a madrugada
foi feita para dormir e não para pessoas estarem na rua e os domingos
foram feitos para reunir a família e não para as baladas”.
Faltam opções de lazer nos finais de semanas para jovens
e adultos.
"Adoro viver aqui,
não tenho muito que reclamar; diria que, por não ser uma
cidade tão grande, faltam lugares de lazer como em cidades grandes,
estabelecimentos diferenciados, por exemplo parque de diversão,
parque aquático entre outros tipos de atrações. Gosto
da minha cidade; para mim, falta só uma praia... mas também
não está tão longe daqui.” (Fernanda L, estudante).
Educação
Curitiba também possui
um bom número de universidades. Existem mais de dez faculdades,
mas apenas duas são federais. Isso quer dizer que se a população
quer estudar, tem que pagar. Esta é uma das grandes falhas da cidade:
faltam alunos em vez de faltarem vagas. Para o ensino particular,
evidentemente.
O curitibano é muito
exigente: nunca está satisfeito com nada, sempre reclama dos serviços
e preza a qualidade. É por esta característica que vários
produtos são primeiro oferecidos (testados) na cidade, para depois,
se bem aceitos, serem distribuídos pelo Brasil todo. Se antes São
Paulo era o pólo de atração para nordestinos que acreditavam
que a cidade era fonte de fortuna e de oportunidades, o mesmo vem acontecendo
com Curitiba. Infelizmente os que vêm para cá não respeitam
o jeito de ser do povo e taxam os curitibanos de "antipáticos e
fechados".
Curitiba, "cidade luz", cidade
da gente. Com problemas sociais como todas as outras cidades, mas com uma
qualidade vida singular. Aqui são construídos sonhos, esperança
de uma vida melhor para pessoas de todos os lugares. Se os pontos negativos
são a falta de segurança, o povo "fechado", a falta de opções
em diversão e lugares de lazer, estes perdem para o comprometimento
da cidade com o cidadão. Se ela ainda não é o ideal
de todos os curitibanos, a educação, a limpeza e a urbanidade
da população são o orgulho de "nossa gente" que espera
atingir este ideal no futuro.
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