Complicações
Neurológicas da Osteogenesis Imperfecta.
Gérard MOHR,
M.D., FRCS(C),
Martin BLACK, M.D.,
FRCS(C),
Max AEBI, M.D, FRCS(C).
Divisão de
Neurocirurgia, Otolaringologia e Cirurgia Ortopédica,
Sir Mortimer B. Davis
Jewish General Hospital,
Montreal, P.Q., Canada
Tradução:
Rita Amaral
INTRODUÇÃO
:
Osteogenesis
imperfecta (OI), uma variante da osteocondrodisplasia, é
caracterizada por severa
fragilidade óssea, levando a freqüentes fraturas dos
ossos vertebrais e do corpo
e maleabilidade óssea, com progressivas
deformidades do esqueleto,
resultando em estenose espinal , cifoescoliose,
espondiolise lumbo-sacral
e estabelecimento de progressiva invaginação basilar
cranial.
MANIFESTAÇõES
NEUROLÓGICAS :
A mais devastadora
manifestação neurológica da OI consiste na instabilidade
e
fraqueza do ligamento cranio-cervical
no nível de C1-C2 associada com
progressiva migração
para fora do interior do eixo interno no forâmen magno
(invaginação
basilar ), resultando em compressão da medula superior pela
inferior na coluna cervical
com progressiva tetraparesia [paralisia incompleta
dos braços e pernas
] e perturbações respiratórias. Platibasia (achatamento
da
base do crânio) também
ocorre e produz estiramento dos nervos inferiores do
crânio, com perda
de audição, problemas para engolir, ataxia. Em casos
extremos, a invaginação
de C2 pode comprimir o cérebro intermediário e
produzir hidrocefalia.
TRATAMENTO CIRÚRGICO
:
O tratamento cirúrgico
é normalmente restrito aos casos mais severos e é
extremamente difícil
pois requer uma combinação de estabilização
posterior da
junção crânio-vertebral,
e também uma descompressão anterior dos elementos
ósseos da vértebra
invaginada, geralmente via acesso transoral. Um caso
representativo, de uma paciente
de 49 anos com invaginação basilar severa,
deformidade cranial e platibasia,
que desenvolveu tetraparesia severa,
apnéia e déficits
no nervo sub cranial se apresentou : o tratamento consistiu em fusão
posterior usando placas e parafusos de fixação do occipício
até C6 seguido, dez dias mais tarde, por uma odontoidectomia transoral
(remoção do processo odontóide de C2). Após
a cirurgia a condição neurológica da paciente melhorou,
para o uso proveitoso das funções de seus membros superiores,
mas ela permaneceu impossibilitada de andar.
CONCLUSõES
:
A invaginação
basilar é responsável pelas mais severas complicações
neurológicas de OI
e seu tratamento permanece desafiador, requerendo
procedimentos extensivos
com equipes e abordagens multidisciplinares
objetivando a descompressão
anterior transoral da haste do cérebro e posterior
fusão para reduzir
a "colonização" cranial, que inevitavelmente progredirá.
O
tratamento cirúrgico
adequado e a tempo irá pelo menos melhorar a
qualidade de vida dos pacientes
severamente afetados.
Referência: 7th
International Conference on Osteogenesis Imperfecta. Montreal,
Canadá, 1999.
