A mulher com osteogenesis imperfecta (OI)
que fica grávida pode experimentar uma gravidez sem problemas ou
cheia de dificuldades. Similarmente, o desenvolvimento de um feto que apresente
OI pode levar a um nascimento com muito poucas complicações
ou a que o bebê não sobreviva mais que poucas horas.
Estima-se que a gravidez de uma mulher com OI represente apenas 1 em
25.000 gravidezes que ocorrem. Devido à raridade da OI e de que
uma mulher com OI e grávida seja ainda mais raro, muitos obstetras
e outros profissionais médicos não terão tido experiência
na administração de tais casos.
Há poucos dados disponíveis no presente sobre a probabilidade
de uma mulher com o OI desenvolver determinadas complicações
durante a gravidez. A falta de consistência nas comunicações
de vários médicos e laboratórios sobre seus achados,
combinados com a ampla variação na severidade entre as pessoas
com OI, torna difícil chegar a conclusões claras sobre uma
possível relação entre a OI e várias das complicações
que têm sido relatadas desse modo. De qualquer modo, esse paper
tentará aportar alguns dos problemas específicos que têm
sido sugeridos estarem associados com a OI durante a gravidez.
Preocupações Obstétricas
e Ginecológicas de Mulheres com OI.
Mulheres com OI
podem esperar menstruar na mesma idade que as mulheres que não têm
OI. Os períodos menstruais ocorrem na época costumeira e
os ciclos são geralmente regulares. Pode haver sangramento intenso
em mulheres com história de contusões fáceis ou de
tendência a sangramentos.
Embora a reprodução possa ser embaraçada devido
à elevada suscetibilidade a fraturas ou ao movimento limitado do
quadril, não há evidências para sugerir que fertilidade
ou taxas de aborto sejam influenciadas pela OI.
A gravidez não parece ter um efeito adverso significativo nas
formas leves da disfunção. Mulheres com OI Tipos I e IV podem
experimentar perda das juntas, mobilidade reduzida, aumento da dor nos
ossos e problemas dentais durante a gravidez. No geral, as preocupações
médicas anteriores à gravidez nestas mulheres serão
limitadas.
Indivíduos com as formas mais severas e debilitantes de OI, que
têm baixa estatura e curvatura da espinha podem ter um risco elevado
de complicações médicas e obstétricas. Se o
nível da curvatura da espinha é grande, as possibilidades
de problemas de coração e pulmão aumentam. É
possível que estas mulheres precisem cedo de hospitalização
devido a problemas de falta de ar.
Parto prematuro ou mesmo interrupção de uma gravidez podem
ser necessários se sinais de problemas cardíacos e respiratório
surgirem. Como o útero aumenta, a encurtada distância entre
a caixa torácica e o osso púbico podem causar desconforto
e resultar na necessidade de permanecer deitada.
Varias complicações obstétricas têm sido
relatadas em mulheres com OI, incluindo pré-eclampsia (que se caracteriza
por pressão sanguínea alta, proteína na urina e corpo
inchado), parto prematuro, placenta prévia (quando a placenta se
implanta no útero e cobre a abertura do cervix), ruptura prematura
de membranas, recorrentes infecções do trato urinário,
anemia (baixa contagem de células vermelhas no sangue) e deficiência
de cálcio. De todo modo, com base na informação disponível,
não parece haver forte associação entre OI e
estes eventos. Outro modo de pensar nisso é: só porque pessoas
com OI rotineiramente ficam resfriadas, não podemos concluir que
exista alguma associação entre OI e resfriado comum.
Gravidez não tem sido associada com o aumento do risco de fraturas
maternas. De qualquer forma, traumas durante a gravidez ou manipulação
na hora do parto vaginal podem resultar em fraturas. Tem sido sugerido
que, devido ao risco existente para uma mulher com OI de fraturar durante
o parto e porque existe potencial para outras complicações,
a secção cesareana eletiva possa ser o método de parto
escolhida para a maioria das mulheres com OI.
Algumas das complicações durante o parto relatadas incluem:
(1) um canal muito pequeno para permitir o nascimento, (2) ruptura uterina
e (3) hemorragia. Alguns médicos podem considerar um corte cesareano
prudente, se existe uma história prévia de fraturas púbicas
ou contratura pélvica, ou se a mulher tem uma severa forma de OI.
De todo modo, em mulheres com OI que têm dimensões pélvicas
normais, não parece haver uma forte razão para evitar
o trabalho de parto ou o parto vaginal.
As desordens de sangramento em OI não são geralmente um
problema. Nos casos relatados de sangramento excessivo depois do
parto, cada um foi conseqüência algum trauma durante o trabalho
de parto. Uma vez que os parâmetros de coagulação do
sangue e plaquetas eram normais nestes casos, suspeitou-se que a hemorragia
era devida à inabilidade do tecido em cicatrizar corretamente por
causa do defeito do colágeno. O risco maior de sangramento nas mulheres
com OI estaria entre aquelas com história de sangramento nasal recorrente,
contusões fáceis ou sangramento excessivo depois dos procedimentos
ortopédicos precedentes.
Na ausência da indicação clara de quem pode estar
em maior risco de hipertermia (aumento na temperatura do corpo durante
a anestesia), alguns médicos consideram a anestesia espinal ou peridural
como a abordagem mais segura. Estes procedimentos de anestesia, que envolvem
a injeção da medicação perto da espinha, podem
ser difíceis em algumas mulheres com deformidades advindas de compressão
e fraturas vertebrais
Quando um dos pais é afetado pela OI, o feto corre o risco de
ser portador de OI também. Nesta circunstância, há,
de fato, uma possibilidade de 50% em cada gravidez de que o feto tenha,
também, OI. Excluindo OI, o risco de outras desordens congênitas
nas gravidezes em que um pai tem OI não é maior do que o
da população geral.
Considerações
Obstétricas para mulheres não afetadas quando é detectada
OI no Feto.
Algumas vezes, durante o ultrassom de rotina, suspeita-se de OI no feto
de uma mãe não afetada. O ultrassom pode ter sido indicado
por causa de uma prévia gravidez afetada; todavia, a maioria dos
casos estão em mulheres sem história prévia de OI.
Em qualquer destas situações, a descoberta apresenta certas
questões médicas e éticas a serem pensadas no que
diz respeito ao cuidado prenatal daí por diante, incluindo a exatidão
do diagnóstico, severidade da doença, prognóstico
de sobrevida e desenvolvimento e tipo de parto.
A idade do feto quando o ultrassom é realizado é importante
para conseguir um diagnóstico acurado e para prover os pais com
as informações necessárias para considerarem todas
as opções para o restante da gravidez.
Em gravidezes em que se suspeita do tipo II de OI, as análises
feitas em gestações com menos de 24 semanas irão mostrar,
muito provavelmente, o severo encurtamento dos ossos longos e inumeráveis
fracturas nos membros e na caixa torácica. Fetos com OI tipo III
são frequentemente detectados logo no segundo trimestre, devido
à presença de múltiplas fraturas e encurtamento
dos membros. Quando confrontados com essas descobertas, os casais são
geralmente alertados de que a OI tipo II é letal e de que o tipo
III é frequentemente associado com significante deficiência
física e, às vezes, com a mortalidade em idade tenra. Também
deve ser notado que têm sido reportados casos em que as presunções
de que não sobreviveriam além da infância foram desmentidas
por crianças com severas formas de OI sobrevivendo e vivendo vidas
plenas e produtivas. Enquanto o encurvamento de ossos longos pode estar
presentes no segundo trimestre, fraturas nos tipos I e IV de OI podem não
ser vistas até o terceiro trimestre, se o forem.
Parto normal ou Cesareana
Com respeito ao tipo de parto, tem sido sugerido que a secção
cesareana seria menos traumática que o parto vaginal quando são
identificadas fraturas de ossos longos num feto com tipos I, III, ou IV
de OI. De todo modo, não existem dados para confirmar que essa concepção
esteja correta. Teoricamente, existe um aumento do risco de injúria
do sistema nervoso central com o parto vaginal quando o esqueleto do bebê
é pobremente mineralizado. Portanto, muitos médicos sentem
que seria apropriado, ao planejar um tipo de parto, avaliar o grau de mineralização
do esqueleto do bebê. Devido ao desencorajador prognóstico
na OI tipo II, a taxa de risco-benefício de uma cesareana eletiva
é discutida com a paciente.
Aconselhamento Genético
Idealmente, casais em risco devido a herança genética
ou feto prévio com OI deveriam buscar aconselhamento antes da concepção.
Os casais deveriam ser alertados sobre as várias complicações
que podem estar associadas com OI e gravidez. A discussão deveria
incluir a disponibilidade de várias técnicas de diagnóstico
prenatal, acompanhado de amostras do villus coriônico, amniocentese
ou ultrassom no segundo trimestre antenatal para a detecção
de OI. Ultrassons semanais depois de 36 semanas de gestação
podem ser úteis para detectar mudanças esqueletais que possam
impedir o parto vaginal. Catéteres de medição da pressão
intrauterina e monitoração do escalpo fetal podem ser considerados
com partos vaginais devido à possibilidade de ruptura uterina durante
o trabalho.
Embora exista obviamente um risco fetal e maternal aumentado para mulheres
com OI, a maioria das mulheres com OI que concebem com sucesso parecem
atravessar a gravidez bastante bem.
Estas informações
são oferecidas pelo NIH Osteoporosis and Related Bone Diseases~National
Resource Center (ORBD~NRC), a Osteogenesis Imperfecta Foundation National
Institutes of Health Osteoporosis and Related Bone Diseases National
Resource Center (http://www.osteo.org).
O Centro de Pesquisa Nacional é sustentado pelo National Institute
of Arthritis and Musculoskeletal and Skin Diseases com contribuições
do National Institute of Child Health and Human Development, do National
Institute of Dental and Craniofacial Research, do National Institute of
Environmental Health Sciences, do NIH Office of Research on Women's Health,
do Office of Women's Health, do PHS, e do National Institute on Aging.
O Resource Center é administrado pela National Osteoporosis Foundation,
em colaboração com a Paget Foundation e a Osteogenesis Imperfecta
Foundation. No Brasil procure a Associação Brasileira
de Osteogenesis Imperfecta - ABOI (http://www.aboi.org.br)
