Avaliação
dos problemas orais em uma população de osteogenesis imperfecta
C. O’Cornnell &
J. C. Mariani
Tradução:
Katia Ogawa
Objetivo: A incidência
de anormalidades craniofaciais e dentais em crianças com as formas
não letais mais severas de osteogenesis imperfecta foras avaliadas
Plano de estudo: O
estudo avaliou 40 crianças (faixa etária , 1-17.5 anos) com
osteogenesis imperfecta tipos III e IV. Em cada caso, a dentição
foi avaliada pela presença de dentinogenesis imperfecta, desgaste
e cáries, assim como por aparência radiográfica, desenvolvimento
dental e má oclusão.
Resultados: A incidência
de dentinogenesis imperfecta foi maior que 80% na dentição
primária. Clinicamente, a cor da dentição foi de valor
prognóstico na administração apropriada da dentição
primária. Descoloração dos dentes e desgaste não
ocorreram em mesmo grau na dentição permanente como na dentição
primária em cada grupo. Classe III de má oclusão dental
ocorreu em 70% a 80% nesta população de osteogenesis imperfecta,
com uma alta incidência de mordida cruzada anterior e posterior e
mordida aberta. Um atraso no desenvolvimento dental foi observado em 21%
dos pacientes com osteogenesis imperfecta tipo III, enquanto de desenvolvimento
acelerado foi notado em 23% dos pacientes tipo IV. Além disso, erupção
ectópica ocorreu em 13 pacientes.
Conclusões:
Em adição à dentinogenesis imperfecta, significantes
problemas orais ocorrem em tipos III e IV de osteogenesis imperfecta. Outros
traços que impactam a manutenção dental dessa população
são salientados.
Fonte: Oral Surg Oral
Med Oral Pathol Oral Radiol Endod, v.87, n.2, p.189-196, 1999
INTRODUÇÃO
Osteogenesis
imperfecta (OI) é uma doença autossômica dominante
do tecido conjuntivo que também é conhecida como “doença
dos ossos de cristal”. A condição é resultado de mutação
nos genes que codificam para cada cadeia de colágeno tipo 1. Uma
redução na quantidade de colágeno resulta em OI tipo
I, enquanto que os tipos II, III e IV de OI resultam de alterações
tanto qualitativas quanto quantitativas na síntese de colágeno.
Todos os tecidos ricos em colágeno tipo 1 podem ser afetados. Pacientes
podem ter esclerótica azul, perda de audição, dentinogenesis
imperfecta (DI), deficiência de crescimento, afrouxamento das juntas,
ou qualquer combinação destas características. OI
é normalmente classificada com base em critérios clínicos
e radiológicos [...]. Existe grande variação fenotípica
dentro desta população, desde OI tipo II letal até
tipo I muito brando. O manejo de contenção das crianças
com os mais severos tipos de OI envolve terapia física e ortopédica
ativa e enérgica para maximizar a força muscular e minimizar
as deformidades.
Cada
um dos 4 tipos de OI é depois subdividido com base na presença
ou ausência de DI. Alguns pacientes com OI não apresentam
anormalidades clínicas ou radiográficas na dentição,
enquanto outros manifestam significante envolvimento da dentina. Em DI,
os dentes primários são afetados mais severamente que a dentição
permanente, e a cor dos dentes é relatada como opalecente, cinza,
marrom ou amarela. A cor dos dentes varia também entre as dentições.
Radiograficamente, as coroas dos dentes são bulbosas, com acentuada
constrição cervical; as raízes parecem curtas, e as
câmaras da polpa podem se tornar destruídas com o passar do
tempo.
Ferramentas
clínicas, radiográficas e histológicas visam separar
DI tipo I (associado com OI) da DI que é herdada de maneira autossômica
dominante independente de OI (tipo II ou dentina opalecente hereditária).
Enquanto os 2 tipos de DI são geneticamente distintos, a dentina
é similarmente afetada. Por essa razão, a descoloração
em dentes afetados por DI é tida como independente do defeito no
colágeno tipo I. Uma camada de manto dentina normal com uma textura
irregular da matriz da dentina, além de número e estrutura
anormais de túbulos de dentina são relatados. Coerentemente
há áreas atubulares de dentina. O recorte normal da junção
dentina-esmalte está presente em dentes com DI. Perda de esmalte
não é resultado de junção anormal de dentina-esmalte
mas certamente devido à fraqueza dentro dentina por si, a separação
sendo na junção do manto e a dentina circumpulpal.
Outros
problemas orais têm sido associados com OI. Pacientes adultos com
OI são identificados como grupo de alto riso para o desenvolvimento
de má oclusão. Jensen e Lund relataram que as anormalidades
mais severas de características craniofaciais são associadas
com os tipos mais severos de OI em pacientes adultos. Há apenas
2 relatos de má oclusão em crianças com OI. Isshiki
examinou 10 crianças japonesas com OI e relatou hipoplasia na meia
face (midface), maxila encurtada e comprimento normal da mandíbula.
Schwartz e Tsipouras examinaram 16 crianças com OI e notaram má
oclusão classe III em 75% dessas crianças, mordida cruzada
posterior em 65% e desgaste dos dentes em 25%.
RESULTADOS
A
maioria dos pacientes (67%) nessa população tinha menos de
12 anos de idade. Havia 6 pacientes com parentesco de primeiro grau afetados,
dos quais 2 eram irmãos e 2 eram primos, sendo que suas mães
eram gêmeas idênticas. As mutações nos genes
COL 1A1 e COL 1A2 foi identificada para 8 dessas crianças; entretanto
somente 3 dos pacientes compartilham a mesma mutação. Houve
grandes variações na apresentação clínica
desta população. Alguns pacientes com tipos de OI severos
não-letais eram “andantes”, enquanto outros usavam muletas; a maioria
das crianças severamente afetadas eram confinadas à cadeira
de rodas. As características faciais – rosto com forma triangular
e testa larga – foram notadas em todos os pacientes, com coloração
variada da esclerótica. Todos os pacientes tiveram histórias
significantes de fraturas dos ossos com mínimos traumas. Como esperado,
a massa óssea era baixa em todos os pacientes nos quais foi medida.
Colocação de haste intramedular nos baixos ossos longos era
comum na população. Invaginação
basilar (BI) (1) foi reportada em mais de 80% desses pacientes
com OI; a severidade da invaginação foi relatada como
de leve a severa. A estatura era
reduzida em todos os pacientes, mas isso era mais severo em crianças
com OI tipo III. A circunferência da cabeça variou bastante.
Medições mostraram a existência de macrocefalia verdadeira
em alguns pacientes, porém como todos os pacientes exibiam baixa
estatura, a circunferência da cabeça ideal para a altura revelou
relativa macrocefalia na maioria da população de OI. Prolapso
da válvula mitral foi observado em apenas 1 paciente. Alergia
a látex foi documentada em 10% da população.
A
prevalência de DI em nossa população é mostrada
na tabela III. DI não esteve presente em todos os pacientes, 18%
dos pacientes com OI tipo III e 17% dos tipo IV não tiveram descoloração
anormal dos dentes na dentição primária. A descoloração
dos dentes em DI variou dentro de cada dentição, mas sobretudo
pode ser classificada como amarelo/marrom ou cinza opalescente. A descoloração
amarelo/marrom ocorreu mais frequentemente e afetou mais a área
de superfície total do dente do que a descoloração
cinza. O desgaste foi mais proeminente na dentição primária
que apresentou envolvimento amarelo/marrom, e as fraturas no esmalte foram
mais comuns nesses dentes.
Cobertura
completa com coroas de aço inoxidável foi indicada para manter
a apropriada dimensão vertical da oclusão em 63% dos pacientes
com descoloração amarelo/marrom. Apenas 1 paciente com descoloração
cinza opalescente recebeu restaurações na boca inteira pelo
mesmo motivo. A dentição primária foi sempre mais
afetada por DI do que os dentes permanentes. Alguns pacientes que tinham
descoloração amarelo/marrom na dentição primária
apresentaram DI cinza opalescente na dentição permanente
(Fig.2). Alguns pacientes exibiram descoloração em toda a
superfície do dente, ainda que descoloração na dentição
permanente em pequenas áreas seja mais comum no grupo cinza opalescente.
Os incisivos inferiores são os dentes mais afetados sobre toda a
coroa, os dentes anteriores superiores eram menos afetados, e somente uma
linha cervical de cor cinza foi observada em alguns pacientes nos dentes
posteriores [...] . Os dentes permanentes não exibiam desgaste excessivo
ou fratura do esmalte. Restaurações na dentição
permanente foram necessárias apenas para melhora estética,
não para manter a dimensão vertical da oclusão. Não
foi observado envolvimento da dentição permanente em alguns
pacientes mesmo quando os dentes primários foram afetados. Não
há relação entre severidade de OI, frequência
de fraturas, e grau de envolvimento dental.
A
[...] má oclusão classe III esteve presente na maioria dos
pacientes de ambos os grupos. Mordida cruzada posterior esteve presente
nas dentições primária e permanente de 36% dos pacientes
com OI tipo III e 47% dos tipo IV. Além disso, tanto mordida aberta
anterior quanto posterior foram relacionada ao uso prolongado de pacificador
(pacifier) em apenas 1 pessoa; os casos restantes
refletiram tendência a classe III. Mordida aberta posterior ocorreu
com a idade avançada sendo frequentemente bilateral, sua incidência
foi 46% em pacientes maiores de 9 anos em ambos os grupos.
Constatações
radiográficas clássicas de junção cimento-esmalte
constrictas e obliteração pulpar foi evidente na maioria
dos casos [...]. Algumas dentições que não tiveram
descoloração dos dentes não tiveram traços
de DI, enquanto outras demonstraram obliteração pulpal. Doenças
periodontais, cáries e tratamentos de restaurações
associados foram raros em nossa população, mas 3 pacientes
tiveram histórias de excessiva restauração por causa
de cáries na infância. Uso inadequado de mamadeira foi documentado
nesses casos. Muitos pacientes para os quais selantes foi clinicamente
indicado obtiveram sucesso na adesão da resina ao esmalte dos dentes
afetados.
Radiograficamente,
o desenvolvimento dental foi compatível com a idade na maioria dos
pacientes [...]. Um atraso maior que 12 meses na maturidade dental foi
observado em 21% dos pacientes com OI tipo III, que comparado com 8% dos
pacientes de tipo IV. Aceleração do desenvolvimento dos dentes
foi mais comum em pacientes com OI tipo IV do que em pacientes com tipo
III. Radiografia panorâmica não foi possível em todos
os pacientes por causa dos problemas para posicioná-los com segurança
na máquina. Encurtamento do pescoço, dilatação
do tórax, e limitação de mobilidade, particularmente
em pacientes afetados mais severamente com OI tipo III, às vezes
impediram radiografias panorâmicas. Erupção clínica
dos dentes foi dentro do limite normal tanto para dentição
primária quanto permanente para a maioria dos pacientes. Porém,
erupção ectópica dos primeiros molares prmanentes
superiores foi notada em 3 pacientes com I tipo III e 4 pacientes com tipo
IV. Esses dentes foram corrigidos por si em 4 casos, e nos 3 pacientes
restantes foram necessárias extrações. Além
disso, 6 pacientes tiveram impactação do seu segundo molar
permanente, que causaram um significante atraso na erupção
desses dentes [...]. Não foram notadas outras impactações.
Dentes faltando ocorreram em 10% de nossos pacientes, 2 pacientes dos quais
com OI tipo III com um segundo premolar superior, 1 paciente com OI tipo
IV com um incisivo lateral esquerdo inferior faltando. O outro paciente
com OI tipo III tinha congenitamente todos os 4 premolares e 3 segundos
molares faltando. Além disso, esse paciente tinha fusão dos
incisivos lateral e central primários direitos, tinha um canino
mandibular permanente suplementar, e não tinha nenhuma evidência
de DI.
-
A incidência de
BI foi investigada pelo uso de tomografia computadorizada em crianças
maiores de 5 anos; BI foi diagnosticada se a extremidade odontóide
estava deslocada em cima do foramem magnum.
DISCUSSÃO
Este
relato apresenta nossas observações clínicas em 40
pacientes com as formas não letais mais severas de OI (tipos III
e IV). As manifestações orais e dentais em grande número
dos pacientes jovens com OI severa não foram previamente relatadas.
Descrições prévias na literatura reprovaram a subtipagem
das formas de OI ou examinaram tanto adultos quanto pessoas com OI tipo
I (a forma branda). Nós não podemos distinguir entre tipo
III e IV de OI com base em características orais/dentais. Além
disso, mutações específicas nos genes do colágeno
1 de 8 pacientes não demonstraram uma relação clara
entre o defeito genético e as manifestações orais
de OI. Entretanto, quanto mais mutações são descritas
em pessoas com OI, a relação dos dados clínicos e
moleculares podem ser melhor entendidos.
Características
clínicas e radiográficas de DI são similares daquelas
relatadas anteriormente. Entretanto, nosso trabalho mostra que DI está
presente na dentição primária em mais de 80% dos pacientes
com OI dos tipos III e IV, que é significativamente maior que os
50% relatado previamente para populações de OI. Muitas observações
recentes foram feitas em nossa população. Clinicamente, 2
grupos poderiam ser identificados com base da descoloração
dos dentes da dentição primária: amarelo/marrom e
opalecente/cinza. Esta classificação foi de valor prognóstico
na conduta clínica da dentição. Um aumento na incidência
de desgaste severo e fratura do esmalte foi observado quase exclusivamente
nos dentes primários com descoloração amarelo/marrom,
indicando necessidade de intervenção mais ofensiva nesses
pacientes. A maioria dos nossos pacientes com descoloração
amarelo/marrom necessitaram restaurações de cobertura inteira
antes que eles atingissem 4 anos de idade. Descoloração amarelo/marrom
na dentição permanente não foi associada com aumento
de desgaste ou fratura do esmalte, no entanto a superfície dos dentes
foi mais afetada em comparação com o grupo cinza opalecente.
Muitos pacientes foram classificados como tendo descoloração
cinza opalecente com base na aparência dos incisivos inferiores ou
presença de um colar cinza cervical no primeiro molar permanente,
ainda quando os dentes anteriores superiores são minimamente afetados
e não representam preocupação estética para
essas pessoas. Se DI estava presente na dentição primária,
será menos severa na dentição permanente. Ainda que
a dentição primária tenha sido afetada, DI foi apresentada
clinicamente nos dentes permanentes na minoria dos pacientes, mas é
impossível predizer em quais pacientes isso pode acontecer. Dentes
clinicamente não afetados por DI exibem evidência radiográfica
de DI em vários graus, destruição da polpa sendo a
característica mais frequente. Existem relatos que mostram evidências
histológicas de envolvimento da dentina e presença de dentículos
nas câmaras da polpa em dentes não afetados por DI. Fraturas
no esmalte ocorreram como fraturas vertical bucal ou lingual e não
como foi descrito previamente por Levin. A extensão das fraturas
e a severidade do desgaste não foi como anunciado em pacientes de
DI tipo II, talvez indicando que ocorreu intervenção dental
mais cedo em nossa população de OI.
Embora,
em teoria, amarração (bonding) de resina para
dentes de estrutura defeituosa possa ser comprometida, foi um sucesso
clínico na maioria dos pacientes. Por essa razão, adesivo
dental não é contra-indicado em pacientes com DI. Entretanto,
expectativa de sucesso com amarração (bonding) deve ser cautelosa,
e o uso de tal tratamento deve ser avaliado para cada caso individual devido
à extrema variabilidade de envolvimento da dentina. Veneers tem
tido sucesso em alguns pacientes; porém, em casos de descoloração
severa, restaurações de cobertura total serão necessárias
para restaurar o dente. Este tratamento é frequentemente adiado
até a erupção dos dentes ser completa, o que geralmente
acontece no final dos dez anos. Amarração (bonding) de suporte
ortodôntico também pode ser realizada nesses pacientes.
Maturidade
dental e erupção dos dentes foram apropriados para a idade
na maioria dos nossos pacientes. Erupção ectópica
do primeiro ou segundo molar permanente ocorreu em cada um dos 13 pacientes.
Essa incidência, que é maior que a observada na população
em geral, é provavelmente devida em parte à posição
posterior da maxila, como tem sido documentado para pacientes com lábio
leporino (cleft lip and palate). Outro fator de contribuição
é a bulbosidade exagerada das coroas dos dentes afetados por DI
(12 dos 13 pacientes). Em 4 dos 6 casos em que os primeiros molares foram
afetados, eles erupcionaram em boa posição sem tratamento
corretivo. Os outros casos estão em observação. A
aceleração ou atraso na maturidade dental notadas em pacientes
com tipo IV e tipo III de OI, respectivamente, parece causar poucas consequências
clínicas.
Houve
uma alta incidência de má oclusão classe III; isto
afetou mais de 70% dos nossos pacientes, que comparado aos 3% a 8% relatados
para a população em geral, sugere necessidade de correção
ortodôntica e ortognática. Esta má oclusão tem
sido atribuída à inibição do crescimento maxilar,
à protrusão mandibular, ou à hipoplasia maxilar tanto
nas dimensões anteroposterior como vertical e também hiperplasia
mandibular. Existe grande variação no fenótipo craniofacial
entre nossos indivíduos, e a causa da má oclusão classe
III é provavelmente uma combinação de anormalidades
esqueléticas e dentoalveolares, como foi sugerido anteriormente.
Postura, peso e tamanho da cabeça são irregulares em população
de OI e podem contribuir para o desenvolvimento de má oclusão.
Isso pode ser especialmente verdade em nossa população pediátrica,
visto que a maioria de nossos pacientes com tipos III e IV de OI exibiam
macrocefalia (1) (relativa ou verdadeira), com um exagerado occipício
e protrusão dos ossos frontal e parietal.
O
aumento na incidência de mordida cruzada anterior e posterior é
esperado dada a frequência de má oclusão classe III.
Mais intrigante, talvez, é o desenvolvimento de mordida posterior
aberta como em muitas crianças. Nenhuma das crianças abaixo
de 9 anos tiveram mordida aberta posterior, enquanto 46% das crianças
mais velhas tiveram mordida aberta posterior unilateral ou bilateral. A
alta incidência de mordida aberta posterior pode ser explicada pelo
desenvolvimento dentoalveolar vertical anormal permitindo aumento do espaço
interdental para a língua ou por falta de compensação
dental para a posição mandibular avançada. Muitos
fatores devem ser considerados na etiologia dessa má oclusão,
e estudos longitudinais serão necessários nessa população.
A
alta incidência de IB [invaginação basilar] tem
sido previamente relatada em nossa população, e também
poderia contribuir para o desenvolvimento de má oclusão.
IB pode ser resultado da incapacidade do osso cervical osteoporótico
de suportar o crânio relativamente macrocefálico. A direção
do crescimento mandibular pode ser influenciado por essa postura anormal.
Essas características tem ainda que ser exploradas em crianças
e estudos adicionais serão necessários para estabelecer um
padrão de crescimento em crianças com formas não letais
mais severas de OI. Dentistas devem estar cientes para este aspecto, que
pode se apresentar sem sinais ou com complicações neurológicas.
Posicionamento da cabeça durante os procedimentos dentais ou radiográficos
pode ser monitorado e deve ser permitido ao paciente posicionar-se para
o conforto e segurança.
Todos
os pacientes com OI são significativamente osteoporóticos,
como esperado; entretanto, a relação entre a densidade do
osso lombar e do complexo craniofacial ainda não está determinada.
Consolidação das fraturas ocorre dentro do tempo normal,
mas a qualidade do osso formado recente é similar ao osso original.
Frequentemente, utensílios ortopédicos são usados
para estabilizar e alinhar os osssos osteoporóticos na população
de OI. A administração rotineira de antibióticos para
profilaxia de infecções não é indicada para
pacientes dentais com pino, chapa ou parafuso. Ainda que defeitos cardíacos
necessitem profilaxia para tratamento dental de acordo com o guia da American
Heart Association tem sido anteriormente relatado em associação
com OI, apenas 1 paciente em nosso estudo apresentou tal defeito. Outra
descoberta recente deste trabalho é a alta incidência de resposta
alérgica ao látex nesta população. A US Food
and Drug Administration estima que aproximadamente 1% do público
em geral pode ser alérgico ao látex. Muitos grupos estão
em risco mito maior, incluindo pacientes com procedimentos cirúrgicos
múltiplos e as crianças com OI são frequentemente
hospitalizadas após as fraturas. Tratamento dental para pacientes
alérgicos a látex é extremamente complicado porque
a maioria dos consultórios dentários e hospitais incluem
ítens que contém látex, como luvas, reservatórios
de borracha, copos profiláticos, e bloco de mordida.
Além
disso para DI, crianças com tipos III e IV de OI manifestam um espectro
de características orais. Nós fomos incapazes de distinguir
entre os 2 tipos de OI com base em características orais clínicas,
assim como essas características não correspondem à
severidade do envolvimento ósseo. A presença de descoloração
amarelo/marrom com fraturas no esmalte na dentição primária
indicam que deve ser provida intervenção restauradora precoce.
Descoloração cinza opalecente indica um prognóstico
mais favorável. Erupção atrasada deve ser investigada
para determinar se os dentes estão impactados devido ao formato
bulboso exagerado dos dentes afetados por DI e deve ser tratado adequadamente.
Profilaxia rotineira com antibiótico não é necessária
para tratamento dental devido à presença de hastes ortopédicas.
Toda criança com OI tem anormalidades na área craniofacial.
Existe uma tendência a desenvolver má oclusão classe
III, sendo mordida aberta posterior e mordida cruzada bastante comuns.
Pacientes com OI podem ter um risco maior de desenvolver sensibilidade
ao látex.
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Macrocefalia foi definida
como circunferência da cabeça maior que 98% para a idade (verdadeira).
Relativa macrocefalia é definida como aumento relativo da cabeça
para o peso atual.