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O Teatro Que o Povo Cria
- Cordão de Pássaros, Cordão de Bichos, Pássaros
Juninos de Belém do Pará - Da dramaturgia ao espetáculo.
Carlos Eugênio Marcondes
de Moura (org.)
Editora SECULT
Ano: 1997
Brochura
404 páginas
Preço de capa: Esgotado
nas livrarias
Preço de autor:
A fabulação
gentil do passarinho roubado quase se perde de vista, no emaranhado de
situações melodramáticas que se acumulam, em progressão
sufocante, nas peças de nobres e nas peças de coronel, sempre
ambientadas na Amazônia. Amazônia fantástica, onde,
sobre campos nevados, adejam pássaros tropicais, emblemáticos
dos cordões; fadas muito alvas, dríades dos bosques, algumas,
êmulas de Allan Kardec, espíritos de luz que vivem para proteger
os incautos, travam duelos cósmicos com “fiticêras” negras,
‘mórenas’, melhor dizendo, batuqueiras, macumbeiras, umbandistas
de grande fundamento e poder; malocas aguerridas, paramentadas com deslumbrantes
cocais’ e capacetes, exibem seus dançados, se exprimem em um tupi-guarani
ou nheengatu reconstituído sabe-se lá mediante quais critérios;
seres míticos, que povoam o imaginário da gente amazônida,
assoMbram a matutagem ou com ela confraternizam, em humanizada e carnavalesca
camaradagem; onde, finalmente, nobres de maus bofes, que vieram da Europa
enricar nos seringais, exibem ao mundo atos de maldade, vilania e corrupção,
pelos quais serão castigados mediante as ‘artimânias’ de fadas
e feiticeiras e, melhor do que isso, enlouquecidos e destruídos,
para gozo da inocência que perseguiram e das virtudes que mancharam”

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