COM A BANDEIRA DE OXALÁ- - Trajetórias, Práticas e Concepções das Religiões Afro-Brasileiras na Grande Florianópolis

Cristiana Tramonte

Diálogo Cultura e Comunicação, UNIVALI (Universidade do Vale do Itajaí) e Lunardelli Editora
Ano: 2000
Brochura
510 páginas
32 imagens fotográficas

Preço de autor: 27 reais

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     Com a Bandeira de Oxalá pode ser considerado um marco nos estudos das religiões afro-brasileiras por pelo menos duas razões. A primeira delas, o ineditismo de um estudo de tão amplas proporções - Tramonte realizou quatro anos de pesquisa de campo - sobre estas religiões na Grande Florianópolis, no estado de Santa Catarina. Percorreu aproximadamente 35 terreiros, assistindo neles ampla diversidade de rituais. A segunda é seu caráter radicalmente interdisciplinar, fazendo uso de fontes históricas, observação etnográfica, entrevistas, bibliografia acadêmica e nativa, utilizando instrumental de análise da educação, da antropologia, da sociologia e da ciência política. O resultado é um amplo e minucioso estudo diacrônico (a primeira parte do livro traz a história das religiões afro-brasileiras  em  Santa Catarina e, a segunda, a apresentação das mesmas na configuração atual, separadas por um belo caderno de fotos com 32 imagens) destes cultos na Grande Florianópolis. Com a bandeira branca da sensibilidade nas mãos, Cristiana percorre tempos e espaços durante 510 páginas de modo isento, passando desse modo inclusive pelos conflitos, tantas vezes escamoteados nos estudos sobre religiões, mas que ela descreve e analisa. Sob seu olhar desfilam ainda exus, orixás, caboclos, pais-de-santo, mães-de-santo, pretos-velhos, atabaques, pontos, giras, congás, oferendas, festas, políticos e políticas em suas particularidades catarinenses, e a presença destes na mídia, na vida cotidiana dos habitantes da cidade, enfim, sob todos os aspectos bricolados que fazem das religiões afro-brasileiras o universo religioso mais parecido com o Brasil. Esse Brasil afro-brasileiro ao qual Santa Catarina demonstra pertencer definitivamente, neste livro. Quem não acreditar, que leia o delicioso episódio da batalha dos orixás numa certa partida de futebol entre Avaí e Figueirense. Jorge Amado adoraria.