A cerimônia das Águas de Oxalá é uma das mais belas do candomblé, e rememora um mito pleno de ensinamentos sobre o modo de se viver no candomblé.
Diz o mito que Oxalá sentia muitas saudades de seu filho Xangô, e resolveu visitá-lo.Para saber se a longa viagem lhe seria propícia, foi consultar Orunmilá o deus adivinho, amigo de Obatalá. Este jogou seu jogo de ikins e lhe disse que a viagem não se encontrava sob bons auspícios. E que, se ele desejasse que tudo corresse bem, deveria se vestir inteiramente de branco e não sujar suas roupas até chegar ao palácio, devendo também manter silêncio absoluto até o momento em que encontrasse seu filho. E assim fez Oxalá.
Exu,
contudo, que adorava atormentar Oxalá, disfarçou-se de mendigo
e apareceu no caminho de Oxalá, pedindo a ajuda deste para levantar
um pesado saco de carvão que se encontrava no chão. Sem poder
responder nada e sendo piedoso, Oxalá levantou o saco de carvão
para Exu, mas estando este saco com o fundo rasgado, abriu-se e caiu sobre
Oxalá sujando sua roupa branca. Exu riu loucamente e se foi...
Prevenido
como sempre fora, Oxalá havia levado uma muda de roupa branca
a mais. Toma banho num rio e vestiu roupas brancas novamente. E seguiu
seu caminho.Sem
poder responder para explicar sua situação e tendo boa vontade
em ajudar, Oxalá levantou o barril de azeite dendê e Exu o
derramou sobre suas roupas, que desta vez não podiam mais ser trocadas,
pois eram as últimas roupas limpas que Oxalá trazia.
Sujo
e cansado, Oxalá vai seguindo seu caminho quando vê o exército
de seu filho, Xangô, aproximar-se dele, sinal de que estava
bem perto de seu destino.
O
exército,
contudo, prende Oxalá, confundindo-o com um procurado ladrão
das redondezas. Como não podia falar, Oxalá nada diz e permanece
jogado numa prisão durante 7 anos. Neste meio tempo o reino de Xangô
entra em decadência: suas terras não produzem alimentos, os
animais morrem, o povo fica doente... Desesperado, Xangô chama um
babalaô que ao jogar o ikin lhe diz que todo o mal do reino
advém do fato de haver injustiça na terra do senhor da justiça.
Desolado,
coloca o velho pai sobre suas próprias costas e o carrega para o
palácio, onde se encarrega de banhá-lo e vesti-lo com sua
alvas roupas, realizando a seguir uma grande festa. A cerimônia
do candomblé chamada "Águas de Oxalá" rememora este
episódio, com a procissão representando a viagem de Oxalá.
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