Magnani, J.G.Cantor -  "Festa no Pedaço: Cultura Popular e Lazer na Cidade", 1998.

Esta pesquisa - realizada entre 1989 e 1990 na cidade de São Paulo -  contou com o apoio do CNPq e com a participação  de integrantes do Núcleo de Antropologia Urbana (NAU/Depto. Antropologia, USP) tanto na fase de coleta de dados como nas discussões que se seguiam às idas a campo. 

"Centro da cidade", aqui, é tomado em relação de oposição tanto a "periferia", como a áreas predominantemente residenciais: trata-se de espaço servido por diversos equipamentos e serviços  - no caso, de lazer e entretenimento. Foram escolhidos  e percorridos, numa primeira caminhada de reconhecimento prevista pela pesquisa, dez roteiros nas seguintes áreas da cidade: região central propriamente dita, Bexiga, rua Augusta, av. Paulista, Jardins, av. Henrique Schaumann, av. Ibirapuera, Parque Ibirapuera; praças Vilaboim, Buenos Aires e  "Pôr-do Sol". Dessas  foram escolhidas, a seguir,  duas  - Bexiga e adjacências da esquina da av. Paulista com rua da Consolação - para a segunda etapa da pesquisa. 

É digna de nota a observação registrada no trabalho A dinâmica nas redes das relações comerciais do Brás, apresentado por Walter Fagundes Morales para a disciplina  "A pesquisa antropológica no contexto urbano", FFLCH/USP, 1992. Em campo, o aluno teve sua atenção despertada pela demora no atendimento em algumas lojas, que chegavam a distribuir senhas para as clientes. Ao perguntar por que não se dirigiam a outros estabelecimentos, ouviu a seguinte resposta: "costureira não pode ter pressa para comprar". A espera, como pôde então comprovar, era devidamente preenchida por uma discreta mas cuidadosa avaliação do material comprado pelas "colegas", comparações, troca de informações, comentários, etc. Em suma, enquanto se esperava, a rede de sociabilidade ia sendo tecida. 

Note-se a centralidade e o papel aglutinador de  determinados equipamentos "âncora" na constituição das respectivas  manchas   na cidade de São Paulo: o Mercado da Cantareira, na zona cerealista; os estabelecimentos da PUC, no bairro de Perdizes; o Hospital das Clínicas, entre as avenidas Rebouças e Doutor Arnaldo; o Hospital São Paulo e Escola Paulista de Medicina, na Vila Mariana, para citar apenas alguns exemplos.

Cfr.  Santos, C.N. e Vogel, A. (coord), 1985,  p. 103.