"Ciberencontros: o chat
da Internet como espaço virtual de convívio social"
Clarissa
Castro
(continuaçao)
CARACTERÍSTICAS CONTEMPORÂNEAS DA INTERNET
Na sociedade contemporânea, os homens continuam a se comunicar oralmente mas utilizam-se, igualmente, de muitas outras maneiras graças a técnicas que estão ligadas ao funcionamento social e ao desenvolvimento técnico: carta, telegrama, livro, telefone, rádio, televisão, fax, computador, etc. Para Olivier Burgelin, a comunicação de massa é “o modo particular da comunicação moderna que permite ao autor da mensagem (o indivíduo ou o grupo de quem ela parte) dirigir-se simultaneamente a um grande número de destinatários.”
Pode-se dizer que a Internet, embora fenômeno recente, está situada na fronteira entre a comunicação de massa na medida que permite atingir um número de pessoas que pode ser considerável, mas que também pode ser muito restrito. Em termos de evolução, pode-se dizer que cada novo meio de comunicação realiza uma diferenciação e um reagrupamento das funções anteriormente desempenhadas por outros. Segundo Burgelin (1970:10/12),
“o aparecimento da televisão, por exemplo, desencadeou um processo irreversível que modificou progressivamente a audiência, o impacto, o estilo do rádio, da imprensa e do cinema. Há diferenciação quando um conjunto de funções que se encontrava assumido por um meio, se encontra dissociado devido à aparição de um novo meio. Há reagrupamento quando funções anteriormente dissociadas passam a ser realizadas por um único meio.(...) o desenvolvimento das técnicas é, pelo menos em parte, condicionado pelo desenvolvimento sociocultural.”
A Internet é uma rede de computadores espalhados pelo mundo, uma poderosa ferramenta de difusão, mecanismo de disseminação de informação e uma mídia de interação e de cooperação entre os indivíduos. Tudo isso sem que as distâncias geográficas, cor ou crença sejam levadas em consideração pois as pessoas estão imersas em um “mundo” sem fronteiras. Neste caso, os marcos geo-políticos nacionais e os diversos universos lingüísticos são transcendidos.
Além do universo novo em termos de tecnologia que a Internet oferece, vê-se o nascimento de uma nova forma de comunicação, principalmente com o mundo, mas também de relacionamentos interpessoais. O uso da rede permite uma relação de interação com diversas partes do planeta, não apenas como troca de idéias mas também como um meio de conhecer pessoas.
Não serão tecidas aqui considerações técnicas à respeito da Internet, uma vez que existem inúmeras obras na área da informática. Mas, para melhor compreensão do que vêm a ser os relacionamentos virtuais na rede, se faz necessário uma breve caracterização da Internet. É levado em consideração, antes de tudo, que a Internet é uma rede de telecomunicações que integra pessoas.
A FORMAÇÃO DA INTERNET
A Internet se originou nos anos 60, quando universidades e laboratórios de pesquisas americanos receberam verbas do Departamento de Defesa dos Estados Unidos (Arpa), para realizar a ligação de computadores espalhados pelo país. Arpa era a agência de projetos de pesquisa avançada do referido departamento, assim a rede experimental recebeu o nome de Arpanet. Seu objetivo era a ligação entre computadores de localidades diferentes. No fim de 1969, as conexões dos primeiros quatro computadores diferentes localizados em três universidades e um instituto de pesquisas eram operacionais. Dois anos depois já havia 11 nós (pontos de conexão) na rede. Em 1973 eram 35, em 1977 eram 11, e em 1983 contavam-se quatro mil nós na rede. Como crescia a demanda de conexão com a rede, pesquisadores de computação que não tinham ligações com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos formaram a CSnet (Computer Science Network). A entrada de mais grupos universitários formados por pesquisadores de outras áreas fez a CSnet crescer demasiadamente em relação a seu objetivo. Assim, em 1986 a “National Science Foundation” dos Estados Unidos (NFS) desenvolveu a NFSnet, rede que absorveu a CSnet. A NFSnet passou a administrar a conexão das comunidades universitárias e das redes regionais. Em 1989 a Arpanet foi extinta. A NFSnet tornou-se a linha principal da rede dos Estados Unidos, tendo prestado importante contribuição para a expansão da rede acadêmica. Em fevereiro de 1986 havia 2.308 hosts (computadores ligados permanentemente ao serviço, são computadores servidores) ligados à NFSnet, que em outubro de 1991 expandiram-se para 617 mil.
A NFSnet foi a etapa inicial da Internet. A conexão à rede estava crescendo de 15% a 20% ao mês. Assim, em 1990 foi feito um esforço para ligar provedores de serviços de informação comerciais e acadêmicos. Acreditando que as redes de alta velocidade são estratégicas para a permanência de uma nação no mercado tecnológico, o governo dos Estados Unidos assinou em 1991 o “High-Perfomance Computer Act” (elaborado por Albert Gore), com o objetivo de manter a superioridade do país por meio de uma super-rede interligando as mais diversas instituições. Esta rede recebeu o nome de NREN (National Research and Educational Network), contando com fundos para criar bibliotecas virtuais, conectar escolas e gerar software educacional e de treinamento. Em 1991 a NFS transferiu suas responsabilidades para o “Advanced Network & Services” (ANS), que deveria procurar usuários comerciais para o que era previamente uma rede acadêmica. Com isso empresas privadas aumentaram seu interesse pela exploração comercial da Internet, cujos negócios abrangem desde assinaturas de acesso até publicidade e venda de produtos. A rede cresceu rapidamente. Quase todos os países estão conectados, de 617 mil hosts em outubro de 1991 para 4.852 hosts em janeiro de 1995. Hoje, só os EUA possuem 10.110.908 hosts ligados à rede.
A EXPANSAO DA INTERNET
A Internet teve início como uma pequena rede de um projeto militar, sofrendo uma grande expansão quando os meios acadêmicos e científicos a utilizaram. Atualmente firma-se não só como um importante meio de comunicação e informação, mas também como nova forma de perceber e vivenciar a sociedade contemporânea. Hoje, há grande diversidade de negócios e serviços na rede. Pode-se acessar desde bancos, livrarias, empresas privadas, jornais e revistas, lojas, bares, museus, etc.
Primeiramente na universidade e depois na rede comercial, a World Wide Web (WWW) foi um dos responsáveis pela popularização da Internet. Quando se formaram empresas para explorar economicamente a Internet, elas trouxeram outros interesses que não eram diretamente informação, e a rede tornou-se, também, um lugar de lazer, de compras e de relacionamento. É um sistema de informação distribuída onde, com simples toque de mouse, é possível saltar de um pedaço de informação para o outro, não importando onde ela esteja. Essas informações são organizadas em páginas eletrônicas que podem ser “folheadas” com a mesma facilidade com que é virada uma página de revista. A única diferença é que as páginas da Web aparecem na tela do computador e podem estar espalhadas ao redor do planeta, formando uma teia de informação que integra textos, imagens e sons - são as chamadas home pages.
Falar em números e estatísticas sobre a Internet é tarefa complexa, pois a rede se expande a cada momento. Entretanto, a empresa de consultoria norte-americana “International Data Corporation” (IDC) divulgou os seguintes números: no final de setembro de 1997 havia 53,2 milhões de usuários, dos quais 44,2 milhões -83% - usam a WWW. Até o final do mesmo ano, estima-se que existam 57 milhões de cibernautas - denominação do usuário que “navega” pela Internet, também chamado de internauta - o que corresponde a um aumento de 26 milhões de usuários e 22,4 milhões de usuários da Web em comparação com o ano anterior. A própria Web também se expande: em dezembro do ano passado eram 72 milhões de home pages; nove meses depois o número havia saltado para mais de 200 milhões . Os dados apresentados, embora precisos, não podem ser considerados definitivos devido ao dinamismo e a velocidade que caracterizam a rede.
Na Europa e Estados Unidos, a Internet é usada como um eficiente veículo para negócios - a parte de entretenimento fica em segundo plano. No Brasil, como a Internet ainda está em fase embrionária, os usuários estão mais interessados em entretenimento e informações do que em negócios, com o objetivo de conhecer e pesquisar. Atualmente as home pages das universidades deixaram de ser o foco das atenções na Internet. As home pages ganharam sofisticação, sendo criadas por profissionais especializados em desenho e programação, inclusive artistas plásticos, de maneira que algumas chegam a parecer obras de arte. Nas homes pages têm-se a possibilidade de encontrar tudo que se imagina, desde lojas de fast food e galerias de arte até bancos.
O interesse e a participação das pessoas na Internet pode ser traduzido no crescente espaço ocupado pela rede nos meios de comunicação, seja através de telejornais, programas de rádio, revistas especializadas ou não, roteiros cinematográficos, livros e matéria em jornais de circulação diária.
A INTERNET NO BRASIL
As primeiras conexões com a rede datam de 1988. Foram controladas pela Fapesp (Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo) e LNCC (Laboratório Nacional de Computação Científica - Rio de Janeiro). A partir de 1990 foi implementada a RNP (Rede Nacional de Pesquisa) controlada pelo CNPq, tendo por objetivo a expansão da rede interacadêmica, contando com as ligações providenciadas por fundações de pesquisa e do LNCC. Se a RNP restringia-se quase exclusivamente a áreas de interesse da comunidade acadêmico-científica, algumas organizações não-governamentais, como o Ibase, passaram a fornecer as primeiras ligações de interesse privado. Em maio de 1995, o Ministério das Comunicações e o Ministério da Ciência e Tecnologia lançaram uma nota conjunta que mudou a política do governo para a área, passando a estimular o surgimento de provedores privados de serviços Internet. O crescimento da rede no Brasil foi muito grande após a passagem para a iniciativa privada.
Estima-se que 1 milhão de brasileiros estão conectados à rede. No período de apenas dois anos, o Brasil tornou-se o 19º país em número de usuários da Internet, registrando uma taxa de crescimento na utilização da rede duas vezes acima da média mundial. Esse crescimento deu-se principalmente pela expansão dos provedores comerciais, pois, de 11 empresas conectadas no servidor experimental da Embratel em abril de 1995, passou-se, um ano depois, para mais de duas mil. De dezembro de 1995 a julho de 1997, houve um aumento de 536% no número de hosts e de 1.792% no de computadores comerciais conectados à Internet. No período, foram instalados mais de mil provedores de acesso à Internet
De acordo com uma pesquisa sobre o perfil do brasileiro que navega pela Internet realizada em conjunto pelo Ibope e pelo Cadê (catálogo com 36 mil endereços na rede), a rede brasileira é povoada por jovens de l5 a 39 anos, representando 74% do universo de usuários. Os homens ainda detém a primazia na rede, totalizando 75% da população de internautas. As mulheres, contudo, ganham espaço gradativamente, passando de l7% em novembro de l996 para 25% em agosto de l997. Das 25.316 pessoas entrevistadas, 64% disseram que acessam a rede pelo menos uma vez ao dia e 74% da sua própria casa; 38% possuem nível superior; 38% tem ou cursam o segundo grau; 62% falam inglês e 57% das pessoas acessam a rede da região sudeste do Brasil. Os números classificam os usuários da Internet como o segmento mais qualificado da população brasileira. A pesquisa também apresenta dados interessantes sobre a distribuição geográfica dos usuários: o Distrito Federal, que embora tenha uma população de 1% no espaço real, possui uma população de 4% no espaço virtual: o Rio Grande do Sul com 6,2% de população real passa para 8% de população virtual; São Paulo com 21,6% da população brasileira, representa 29,9% dos internautas e o Rio de Janeiro com 8,5% de população real, salta para l4,7% na população virtual. Ainda de acordo com a pesquisa, o poder aquisitivo de 87% dos usuários se encontra na faixa acima de dez salários mínimos. Fazendo um contraponto entre o poder aquisitivo da população brasileira e do internauta, foi constatado que enquanto 3% dos internautas situam-se na faixa de até 5 salários mínimos, a população representa 62%. Por outro lado, 19% dos internautas situam-se na faixa de 50 ou mais salários mínimos, enquanto apenas 1% da população brasileira possui esse poder aquisitivo.
REDE RIZOMÁTICA
Diante da dificuldade em estabelecer conceitos sobre a Internet, é adequado utilizar o conceito de rizoma, desenvolvido por Gilles Deleuze e Félix Guattari, a fim de explicar o caráter não estruturado, descentralizado, heterogêneo e multifacetado da chamada “Rede das redes”. As características definidas pelo conceito de rizoma são expressas pelos modos de comunicação, por meio da Internet. De acordo com Deleuze e Guattari (1995:32),
“(...) diferentemente das árvores ou de suas raízes, o rizoma conecta um ponto qualquer com outro ponto qualquer e cada um de seus traços não remete necessariamente a traços de mesma natureza; ele põe em jogo regimes de signos muito diferentes, inclusive estados de não-signos. (...). Ele não tem começo nem fim, mas sempre um meio pelo qual ele cresce e transborda.(...) O rizoma é uma antigenealogia”
A Internet não tem uma raiz principal à qual devemos nos prender para navegar no ciberespaço. É preciso esclarecer, neste ponto, o conceito de ciberespaço: é um cenário onde o real não é mais o ponto de referência; segundo Franco (1997)
“(...) tudo o que é ciber implica interatividade e controle, ou seja, não engloba os media passivos.(...) A Internet é a construção de um lugar onde a vida mediada pelo artificial é dominante e onde a habilidade para interagir com a informação externa é uma poderosa atividade humana.”
É um espaço de natureza digital onde impera a velocidade e a interatividade. Não existe uma porta de entrada principal e obrigatória para iniciar a navegação no ciberespaço. Conecta-se à rede por um provedor de acesso; a partir daí entra-se na mesma por qualquer home page, isso fica à escolha do usuário. Pode-se, por exemplo, iniciar a navegação pela home page do provedor de acesso do qual é cliente. Como existe uma variedade de provedores de acesso, existem inúmeras entradas na rede, o usuário da Internet escolhe seu ponto de partida. Qualquer ponto pode ser conectado a qualquer outro. Não existe um ponto fixo no qual nos estabelecemos, não há uma ordem pré estabelecida.
O hipertexto presente na WWW é um texto não linear. Sua leitura pode seguir inúmeros caminhos diferentes, não há o começo/meio/fim de um texto tradicional. No hipertexto mais simples, algumas palavras grafadas com cores diferentes são elos, links (pontes) para outra WWW ou outro texto, que não têm necessariamente ligações hierárquicas uns com os outros. Sobre o hipertexto, Lévy (1996:21)afirma que:
“Navegar em um hipertexto significa portanto desenhar um percurso em uma rede que pode ser tão complicada quanto possível. Porque cada nó pode, por sua vez, conter uma rede inteira.”
Essas infindáveis conexões e possibilidades abalam a noção de unidade, não se tem unidades de medida, mas apenas multiplicidades ou variedades de medida. Não há uma unidade pivotante, não admite nenhum modelo estrutural ou gerativo Há, sim, múltiplas entradas, nas quais podemos nos conectar sem correr o risco de nos “perdemos”. O exemplo dado por Hermano Vianna ilustra bem esse conceito:
“Um bom exemplo desses intercruzamentos é encontrado numa ‘página’ do WWW que existe para que os gays da Internet assumam publicamente/virtualmente suas orientações sexuais. Aquilo que poderia ser um gueto ou um espaço para a discussão de um único assunto, o homossexualismo, é na realidade território de mediação entre vários mundos.(...) Os ‘assumidos’ da Internet, em suas páginas pessoais, abrem atalhos para todas as direções, que em última instância abarcam toda a rede. Numa dessas páginas está a Lego. Noutra está o ‘ponteiro’ para quem quiser entrar no estranho mundo do coletivo artístico conhecido como The Residents. Quem ‘entrou’ naquelas páginas por interesses gays pode acabar se interessando também por Lego ou pelo The Residents. Ou vice-versa: quem tem interesse por Lego ou pelo The Residents pode, por acaso, acabar navegando pelas páginas pessoais gays, sem nunca ter tido nenhum interesse na questão gay.”
A Internet, como rizoma, “(...) pode ser rompido, quebrado em um lugar qualquer, e também retomado segundo uma ou outra de suas linhas e segundo outras linhas.” Ela pode ser reconstruída de qualquer ponto.Na WWW rizomática pode-se acessar uma home page de qualquer ponto conectado, não há uma estrutura específica de texto a ser seguido, não há uma linearidade obrigatória. As informações formam uma teia, salta-se para qualquer parte da página, sem que o sentido se perca, podendo voltar atrás a qualquer momento. Segundo Deleuze e Guattari,
“Todo rizoma compreende linhas de segmentariedade segundo as quais ele é estratificado, territorializado, organizado, significado, atribuído, etc.; mas compreende também linhas de desterritorialização pelas quais ele foge sem parar. Há ruptura no rizoma cada vez que linhas segmentares explodem numa linha de fuga, mas a linha de fuga faz parte do rizoma. Estas linhas não param de se remeter uma às outras. É por isto que não se pode contar com um dualismo ou uma dicotomia, nem mesmo sob a forma rudimentar do bom ou do mau.. Faz-se uma ruptura, traça-se uma linha de fuga, mas corre-se sempre o risco de reencontrar nela organizações que reestratificam o conjunto, formações que dão novamente o poder a um significante.”
Os hipertextos rizomáticos presentes na Web são desterritorializados, embora necessite de suportes físicos para subsistir-se (um computador, um endereço eletrônico, etc.), não possuem um lugar. Não é como um texto escrito numa folha de papel, geograficamente localizada e ocupando uma porção definida do espaço físico. A virtualização possibilita a desterritorialização, a saída da “presença”, do “agora” e do “isto”. Segundo Lévy,
“Quando uma pessoa, uma coletividade, um ato, uma informação se virtualizam, eles se tornam “não-presentes”, se desterritorializam. Uma espécie de desengate os separa do espaço físico ou geográfico ordinários e da temporalidade do relógio e do calendário. É verdade que não são totalmente independentes do espaço-tempo de referência, uma vez que devem sempre se inserir em suportes físicos e se atualizar aqui ou alhures, agora ou mais tarde. No entanto, a virtualização lhes fez tomar a tangente. Recortam o espaço-tempo clássico apenas aqui e ali, escapando a seus lugares comuns ‘realistas’: ubiqüidade, simultaneidade, distribuição irradiada ou massivamente paralela.”
As relações sociais que se estabelecem na Internet também podem ser rizomáticas. Não seguem necessariamente uma linha evolutiva de envolvimento, há linhas de fuga e desterritorialização. Mais uma vez, a palavra chave é a multiplicidade. Os incontáveis e múltiplos relacionamentos virtuais são características dessa rede rizomática e desterritorializada.