Voyeurismo
on-line: contemplando a sociedade digital do espetáculo
Cyberspace,
Novembro de 2000
Clarissa
Fonseca de Castro
Mestranda
em Comunicação Social
PUCRS
A
Internet se transformou. De ferramenta de informação e pesquisa
militar e acadêmica nos seus primórdios, para além
de tudo isso; hoje é, também, um palco de fenômenos
sociais. Deixando de lado o caráter informativo, comunicacional
e interativo da rede, o qual já foi amplamente discutido, este ensaio
se propõe ao detalhe, ao que Maffesoli
(1995) chamou de “nobreza da vida quotidiana”, onde é, a partir
do “ordinário” que se elabora o conhecimento social. Aqui se entrelaça
uma questão: o ordinário na internet pode se tornar extraordinário.
Isto se dá através de um olhar eletrônico e voyeur,
com olhares de internautas ávidos por imagens alheias em situações
cotidianas.
Este
artigo pretende, tal como um flaneur
contemporâneo, passear entre sites e páginas observando, sem
pretensões absolutas, a vida alheia na web como sociedade
digital do espetáculo cotidiano.
A
primeira parada é em ferramentas de busca. Na rede do espetáculo,
encontra-se uma infinidade de indicações de sites cuja atração
principal é a webcam instalada. Decide-se, então, passear
apenas pelas páginas pessoais brasileiras, onde o internauta tem
a possibilidade de assistir-participar da vida rotineira alheia.
A
Internet
se constitui, então, em um grande palco da sociedade do espetáculo.
A webcam possibilita que qualquer pessoa que acesse a rede participe desse
evento. E, com certeza, é sucesso absoluto, vide a profusão
de sites com esta temática. Apropriando-se deDebord
(1998.14), “O espetáculo
não é um conjunto de imagens, mas uma relação
social entre pessoas, mediada por imagens.”
Os monitores e telas tornaram-se as novas janelas do mundo, condensando
numa pequena moldura uma paisagem virtual que de outra forma seria inacessível.
Este processo não tem nada de novo; o “olhar pela buraco da fechadura”
foi lançado há séculos, quando nem mesmo havia
fechadura. No novo ambiente on-line, a paisagem é desterritorializada,
de contornos indefinidos; a realidade é captada e percebida em pixels
; o computador torna-se, então, uma fechadura mais ampla, possibilitando
ao voyeur a busca deliberada de novas experiências. O que acontece
no voyeurismo tecnológico é a reformulação
da percepção, elementos arcaicos utilizados de maneira diferente,
a metamorfose contínua, a desconstrução dos paradigmas
temporal e espacial, a experiência em comum partilhada entre “espectadores”.
Segundo Maffesoli (p.19),
“De
uma maneira provisória, pode-se dizer que o mundo imaginal é
causa e efeito de uma ‘subjetividade de massa’ que, progressivamente, contamina
todos os domínios da vida social. Esta não mais repousa sobre
uma razão triunfante, ela nada mais tem a ver com uma atitude contratual,
não está mais voltada ao porvir. Mas pode-se desvenda-la
no emocional, no sentimento partilhado e na paixão comum, todos
eles de valores dionisíacos, que remetem ao presente, ao hic et
nunc, ao hedonismo mundano. É exatamente isso que faz destacar o
jogo das imagens e sua disseminação virótica.”
Além
de inúmeros sites, empresas de software também investem nessa
área, colocando no mercado programas de conversação
e/ou imagens via web, como é o caso do NetMeeting, da Microsoft
e Netscape Comunicator, da Netscape. Estes programas, inicialmente projetados
para vídeo-conferências profissionais, foram assumindo função
de lazer, um simulacro que possibilita contatos dos mais variados tipos
entre internautas em geral. Sem entrar em uma discussão mais aprofundada
sobre o conceito de simulacro, considera-se neste trabalho a idéia
de Arlindo Machado (1996) sobre o pensamento de
Deleuze, “uma potência
positiva, que nega tanto o original quanto a cópia, tanto o modelo
quanto a reprodução.” Machado
(p. 129), ao referir-se à “subversão” do simulacro segundo
Deleuze, diz que esta
“(...)
está no corte que ele introduz nas distinções ontológicas
clássicas entre essência e aparência, original e cópia,
verdadeiro e falso, real e hiper-real. O simulacro vem demonstrar como
são estreitas nossas categorias de interpretação;
ele embaralha essas categorias, a ponto de comprometer sua operacionalidade.”
O
simulacro digital é, então, originário de um programa,
de um software, não substitui o real como afirma Baudrillard. Ele
é
a “expressão sensível
de uma linguagem especializada, de um pensamento lógico e não
pode atestar qualquer outra existência senão a do código
que o engendra”, conforme Machado (p.118).
Antes
de aportar nos sites nacionais é necessário, para se ter
idéia do sucesso do voyeurismo eletrônico, espiar dois sites
significativos. Um deles é o de Jenni
, uma estudante americana pioneira neste estilo, sendo uma das primeiras
“exibicionistas on-line” da Internet, em 1996. Jenni colocou uma câmera
digital no seu antigo apartamento (hoje ela mora com seu companheiro em
uma casa) na Califórnia. O que ela faz de tão fascinante
para que seu site seja amplamente visitado e mundialmente conhecido pelos
internautas? Nada. Apenas deixa uma câmera digital 24 horas ligada
à sua moradia. E vê-se que ela faz o que a grande maioria
das pessoas do planeta costuma fazer no seu dia-a-dia. Para se ter acesso
à rotina da estudante americana com minúcias, é preciso
ser um “membro” do site, ou seja, paga-se uma taxa em torno de $ 15,00
por ano para participar da vida comum de Jenni minuto a minuto, que é
o tempo de atualização das imagens. Quem se contentar em
observar a cada 15 minutos não precisa pagar. E é justamente
aí que está o atrativo: o ordinário, transformado
em imagem, é alçado ao extraordinário.
Um
outro exemplo – e mais radical – é o do DotComGuy
, um rapaz americano de 26 anos que ficará encerrado em uma casa
em Dallas, durante um ano. Dot trocou seu nome verdadeiro em cartório,
assumindo esta identificação virtual de “garotopontocom”.
Segundo ele, o objetivo é provar que se pode comprar tudo através
da rede, sem precisar sair de casa; é “ajudar” as pessoas, vivendo
on-line para que percebam as possibilidades da Internet. E a câmera
está lá, exibindo passo a passo desse aventureiro virtual.
A mais recente festa que DotComGuy promoveu em sua casa foi virtualmente
tão concorrida que o acesso ao site ficou engarrafado. Baudrillard
(1992, p. 124) se regozijaria com esta cena dos “barrados no baile virtual”,
pois apregoou em seu discurso apocalíptico que “O
figurante da realidade virtual não é mais ator nem espectador,
está fora da cena, é obsceno.”
Nestes
exemplos americanos, cujas presenças na sociedade digital são
encampadas por estratégias de marketing, encontra-se a afirmação
de Debord (p. 17):
“Como
indispensável adorno dos objetos produzidos agora, como demonstração
geral da racionalidade do sistema, e como setor econômico avançado
que molda diretamente uma multidão crescente de imagens-objetos,
o espetáculo é a principal produção da sociedade
atual.”
Os
atores do ciberspaço, ao espetaculararizarem suas práticas
sociais e o ordinário de sua existência, extensionam digitalmente
a materialidade da sociedade contemporânea, é a visibilidade
ocupada por eles ofuscando a transparência em decomposição.
A teia societal vai ficando cada vez mais cheia de nós e conexões
e o espetáculo se encontra imbricado nela. Associando ao pensamento
de Debord (p. 15):
“Não
é possível fazer uma oposição abstrata entre
o espetáculo e a atividade social efetiva: esse desdobramento também
é desdobrado. O espetáculo que inverte o real é efetivamente
um produto. Ao mesmo tempo, a realidade vivida é materialmente invadida
pela contemplação do espetáculo e retoma em si a ordem
espetacular à qual adere de forma positiva. A realidade objetiva
está presente dos dois lados. Assim estabelecida, cada noção
só se fundamenta em sua passagem para o posto: a realidade surge
no espetáculo, e o espetáculo é real. Essa alienação
recíproca é a essência e a base da sociedade existente.”
Deixando
os americanos famosos de lado, aporta-se nos sites brasileiros. Como não
podia deixar de ser, há infinidade de Jenni e DotComGuy tupiniquins,
embalando a rede mundial de computadores com suas imagens brasileiras.
Em um passeio entre bytes da terra brasilis, percebe-se cenários
virtuais de todos os tipos e gostos.
Uma
experiência recente foi a do “cybereporter”
Leandro Simões, da revista Playboy (agosto de 2000). Ele ficou um
mês (15 de junho a 15 de julho de 2000) confinado em seu apartamento,
sem telefone, usando apenas a Internet para se comunicar com o mundo. Três
câmeras digitais (na sala, na cozinha e no escritório) o colocavam
on-line em tempo integral. Diz ele: “Vigiado
por três webcams durante um mês, fui chamado de fofinho, ursinho
e docinho por uma legião de fetichistas. (...) Via e-mail, centenas
de voyeurs policiavam algumas das minhas furtivas coçadas no nariz,
comentavam a decoração do escritório e minhas companhias
virtuais, comoviam-se com a cozinha após o jantar.”
O saldo de um mês através de olhares eletrônicos foi
de 1636 e-mails, sem contar a participação no mural de recados
e a observação sem registro dos internautas mais tímidos.
O
cybereporter partilhou sua vida com os internautas; do mesmo modo que estes
fizeram com ele, construindo uma socialidade desterritorializada, onde
a imagem tem função agregadora. O repórter virtual
faz parte do mundo imaginal maffesoliano,
“(...)
um indivíduo social e de uma sociedade que não repousa sobre
uma distinção com o outro, nem tampouco em um contrato racional
que me liga ao outro, mas em uma empatia que me torna, com o outro, participante
de um conjunto mais amplo, totalmente contaminado por idéias coletivas,
emoções comuns e imagens de todos os tipos.” (p. 110)
Neste
cenário espetaculoísta, a vivência on-line do cybereporter
tinha por objetivo “experimentar”, vivenciar a situação e
relatar suas impressões a respeito. Aparentemente, um motivo fútil
e sem maiores pretensões científicas, uma vez que “o
espetáculo não deseja chegar a nada que não seja ele
mesmo”, como afirma Debord (p. 17). O desenrolar
é tudo, o fim não significa nada.
Fazendo-se
um link, chega-se ao site do Projeto
e-card 99 dias , idealizado pelo Unibanco em parceria com a MasterCard
e Terra Networks. É uma estratégia mercadológica para
divulgação do cartão de crédito virtual. Ao
longo de 99 dias, duas pessoas, o e-moço em São Paulo e a
e-moça no Rio de Janeiro viverão apenas através da
Internet, suprindo todas as suas necessidades de compras e serviços
com o e-card do referido banco. O e-moço e a e-moça entraram
apenas com a roupa do corpo em um apartamento vazio, só com um computador,
e têm que abastecê-lo sem sair de casa durante os 99 dias.
Para isso, eles dispõem de R$ 60.000,00. Ao final do projeto, as
compras serão leiloadas pela Internet e a verba arrecadada será
destinada a uma instituição de caridade. O objetivo, segundo
explicações no site, “é
mostrar ao público em geral as facilidades e a segurança
que o e-card proporciona em compras na Internet.”
Mesmo
sendo uma jogada de marketing em grande dimensão, a experiência
dos e-jovens faz parte da socialidade do ciberespaço. Não
é uma “convivialidade fantasma”, como afirma Baudrillard. É
uma socialidade sentida através de emoções partilhadas.
Além de serem vistos pelos internautas, eles mantém contato
com pessoas, trocando emoções e sentimentos através
de correspondências, programas de conversação on-line
e da interface amigável das páginas, que permite ao internauta
mergulhar e partilhar da vivência virtual dos e-jovens. É
um site com elaborada produção gráfica e com riqueza
de informações e aparatos técnicos cujo fim do projeto,
é apenas o início de outro espetáculo: o do consumo.
No
ambiente das webcams, observa-se que a possibilidade de aproximação
está latente. O internauta voyeur tem a decisão de, se tiver
desejo, se aproximar do alvo de seus olhares através de envio de
e-mail, contatos pelo ICQ, fóruns de discussão, mural de
recados, etc. A interação entre o espectadores e palco desse
espetáculo tecnológico favorece a comunicação
proxêmica, que segundo Maffesoli:
“Inscrevem-se
em um contexto do qual não faltam o lúdico e o sonho. Por
isso, favorecem um estilo de vida (simbólico, isto é, um
estilo de troca e de comunicação, em que o imaterial e, por
que não empregar o termo, a mística desempenham um papel
não desprezível.” (p. 43)
A
“multidão solitária”, desse modo, deixa de estar isolada.
Mesmo que não haja um contato face a face, que não haja materialidade
tão festejada pela sociologia clássica, a relação
social foi estabelecida. O fenômeno virtual não rompe com
a realidade e não se opõe a ela. No ciberespaço há
um redimensionamento da relação com o outro, antes só
visível a olho nu. O olhar eletrônico faz parte da socialidade
com dominação empática, um “estar-junto” desmaterializado
e mediado por unidades binárias, que se desdobram em idéias,
imagens, sons e pessoas. Com uma visão negativa da sociedade on-line,
Baudrillard afirma que as relações humanas são enfraquecidas
pelas relações tecnológicas, a virtualidade substitui
a realidade: “O homem
virtual, imóvel diante do computador, faz amor pela tela e faz cursos
por teleconferências. Torna-se um deficiente motor e provavelmente
cerebral também” (p. 60).
Numa
ousadia só permitida em um ensaio acadêmico, pode-se dizer
que o pensador francês não tem embasamento e vivência
suficientes na grande rede de computadores. A Internet é antes de
tudo uma rede de pessoas com vidas e sentimentos reais, que utilizam o
computador como meio de vivenciar suas experiências e emoções
em comum. É o “sentimento de pertença”, utilizando uma expressão
de Maffesoli, que move a lógica afetual da web.
A
supervia da informação passa a ser, com um olhar mais apurado,
supervia do entretenimento, do lúdico, do prazer e do imaginário
social. Contrariando Baudrillard, chega-se no Sofazão
, uma casa de “swing e experiências sexuais” de Porto Alegre que
criou um site para, obviamente, atrair público e também servir
de link aos interessados. Por muito tempo, a casa ficou na mitologia
urbana da cidade: ouvia-se falar, alguém tinha um amigo de um amigo
que fora em uma de suas festas liberais, mas não se sabia onde era
exatamente, nem como se chegava lá. Primeiro através de classificados
de jornal e agora com a Internet, a casa de encontros sexuais está
visível, oferecendo-se, até. Nas páginas do Sofazão
pode-se, entre outras coisas, entrar em contato com uma gama de casais
e solteiros à procura de aventuras sexuais que não se concretizam
na web, diga-se de passagem. Ali, internautas mais “vorazes” deixam fotos
e endereço de contato, que se dá efetivamente na cama (ou
outro lugar qualquer) de algum espaço geográfico específico,
físico e materializado. Para deleite dos voyeurs eletrônicos,
há uma webcam conectada à matriz do Sofazão, onde
casais mais desinibidos apresentam suas performances sexuais na “suíte
virtual”. Neste caso, diferente dos sites de webcam pessoais, há
um horário estipulado para a exibição do “espetáculo”,
permanecendo conectada somente até às duas horas da manhã
de sextas e sábados. O mundo imaginal do Sofazão, dessa forma,
tem a ver com o sensível, com o gozo no presente, com o relativismo
inerente do cotidiano, onde nada é absoluto, como diz Maffesoli
(p. 99):
“(...)
cada coisa vale enquanto estiver em relação com o conjunto
das pessoas e das coisas. É para essa colocação em
relação que se emprega a imagem factual, a imagem efêmera,
a imagem sensual. Ela nada vale por si mesma, mas, em um movimento de reversibilidade,
extrai sua força do todo social no qual se integra, do todo social
que ela constitui, que ela evoca e epifaniza, com maior ou menor beleza.”
Na
rede rizomática e multifacetada, pode-se inverter o mundialmente
famoso ditado de Andy Warhol: as pessoas podem não ter apenas seus
quinze minutos de fama. A internet, com sua vitrine sociotécnica
e visibilidade virtual, possibilita que todo mundo seja anônimo por
quinze minutos.
Deixando
de lado a caricatura e o exagero, aporta-se na página pessoal de
Alex
Pinheiro Machado Rodrigues . Este rapaz desconhecido tem uma câmera
digital no escritório do seu emprego. Fica-se, por entretenimento,
a olhar, em horário comercial, o que milhares de pessoas não
gostariam de estar fazendo, ou seja, trabalhando. É a espetacularização
das práticas sociais, onde o ator se confunde com o espectador,
desempenhado papéis semelhantes, mas separados pela tela da máquina.
Além do espetáculo profissional de Alex, há mapas
de localização do seu, pasmem, carro pelas ruas de Brasília.
Há gosto para tudo nesse mundo de voyeurismo virtual.
Como
o personagem do filme “Janela Indiscreta” (Rear Window-1954), mas em vez
da teleobjetiva, o clicar do mouse e a tela fazendo a vez da famosa janela,
chega-se ao site Tanto Faz, onde habitam virtualmente as Garotas-Cam
, duas meninas que moram juntas e disponibilizam aos internautas voyeurs
imagens da sala, cozinha e estúdio onde trabalham. Eve e Melic,
apesar de dividirem suas vidas com os internautas, não dão
endereço pra contato. O mistério tem o seu atrativo. Para
contentar o visitante, presenteiam os “convidados” com papéis de
parede de gosto um tanto kitsch.
Seguindo
pelo mesmo caminho do Tanto Faz, encontra-se o Morango
, site de beldades femininas que não poderia ficar de fora do olhar
voyeur eletrônico. A webcam da casa da Janaína está
na sala e no quarto, provocando o imaginário masculino. Ainda nessa
linha, mas bem mais angelical, o site Fabcam
esmiúça a vida dessa estudante de 20 anos, com total aprovação
dela, já que tem diário, galeria de fotos, chat, fórum,
perguntas mais freqüentes, entre outros. E assim passeia-se por outras
e outras salas e quartos de mulheres jovens e atraentes. Pode-se dizer
que essa interação virtual entre atores sociais é
o que diz Maffesoli (p. 17) quando “vive-se
uma forma de estar-junto que não está voltada para o longínquo,
para a realização de uma sociedade perfeita no porvir, mas
que se dedica a organizar o presente, que se tenta tornar o mais hedonista
possível.”
Os
sites de webcam de domínios masculinos são em menor número
e, basicamente, mostram escritórios e locais de estudo. As imagens
são em plano mais fechado, indicando uma menor intimidade para o
voyeur tecnológico. Uma passada nestes sites mais “formais” mostram,
porém, o mesmo desejo de exibição e a possibilidade
de contato com outras pessoas. Mais uma vez, é a imagem agregadora,
como afirma Maffesoli( p.92):
“(...)
a imagem constata um ela vital, uma estética (aisthesis) emocional
em todos os seus afetos, sejam eles refinados, de mau gosto, despojados
kitschs, explosivos ou conformistas. É bem esse ‘deixar-ser’da função
icônica que a torna suspeita à ideologia “ativista” do homo
faber, que, confundidas todas as tendências, marcou o pensamento
ocidental.”
Este
ensaio, uma espécie de flaneur pós-moderno, ficaria páginas
e páginas a navegar por sites, o que não será o caso
aqui. Ainda há muitas janelas (in)discretas a serem observadas e
desvendadas pela curiosidade voyeurísticas que impulsionam o pensamento
sensível. Apenas alguns territórios foram explorados, terrenos
férteis para observação ainda precisam de aventuras
acadêmicas. Este texto é um zapping
,
apenas um primeiro olhar eletrônico sobre alguns fenômenos
presentes na sociedade contemporânea. Muito ainda há que ser
analisado, mas ficam aqui pistas acerca do tema em fecundação.
Referências
Bibliográficas
BAUDRILLARD,
Jean. A Transparência do Mal: ensaios sobre os fenômenos
extremos. 2 ed. Campinas: Papirus, 1992.
DEBORD,
A Sociedade do Espetáculo: comentários sobre a sociedade
do espetáculo. 1ª reimpressão. Rio de Janeiro: Contraponto,
1998.
MACHADO,
Arlindo. Máquina e Imaginário: o desafio das poéticas
tecnológicas. 2 ed. São Paulo: Editora Universidade de São
Paulo, 1996.
MAFFESOLI,
Michel. A Contemplação do Mundo. Porto Alegre: Artes e Ofícios,
1995.