REVISTA DIGITAL DE ANTROPOLOGIA URBANA :::::: ISSN: 1806-0528



 


 

Novas formas de viverClubbers e Ravers
 


 
 
 
 
Resumo
A Cultura da Música Eletrônica fundamenta a formação de grupos como os clubbers e ravers e,  também,  a produção musical computadorizada, festas raves, vestimentas, cultura  dj, clubbing, ideologias (PLUR- peace, love, unity and respect), etc. O movimento clubber surge no final dos anos setenta e as primeiras raves no final da década de oitenta, ou seja, na pós- modernidade. Características desse período histórico  pós- industrial, a saturação do forma política e do individualismo, a desterritoriazição, a massificação das sociedades e o consumismo, entre outros, são criticados por essas tribos.
Histórico
Na Pós- Modernidade, que corresponde a uma sociedade pós- industrial, marcada por um momento pós-utópico, sem projeção de futuro,  são constituídos  novas formas de agrupamentos: as tribos urbanas. Os clubbers e ravers, marcados pela Cultura da Música Eletrônica, se fundamentam em modelos subjetivos com características próprias da contemporaneidade que representam uma nova forma de viver nesse período histórico. 

O movimento clubber começou a surgir na década de 70, em um período pós-guerra do Vietnã. No entanto, foi na década de 80, na Inglaterra, que esse movimento sefirmou. Naquele  momento não só os clubbers estavam tentando se auto-afirmar dentro do sistema, mas também os punks, negros e gays. Os clubber se uniram para defender uma filosofia de paz, diversão e liberdade. Já no final dos anos 80 aconteciam as primeiras festas raves em Manchester (Inglaterra), derivadas das festas em clubs de Ibiza, Espanha, cujo som se denominava “balearic” (qualquer gênero dançante). Em seguida o  fenômeno se espalharia pela Alemanha, principalmente Berlim. Nos EUA (New York), as festas rave chegam em 1991. 

Toda a cena inglesa, ao final dos anos 80, era chamada de “acid house party". A terminologia não existia até então. O termo  Rave (delírio) surge para reforçar a relação da música eletrônica, com o esctasy e ácido lisérgico na busca por um estado alterado de consciência .(Souza,2002)

 O conceito de Rave, advindo da produção da música eletrônica, foi formatado em festas realizadas em espaços abertos, fora do perímetro urbano ou em galpões abandonados da periferia, ao som da música hipnótica tecno e do uso de drogas como o Ecstasy e o LSD. Como ideologia, os ravers adotaram a defesa dogmática do PLUR (peace, love, unity and respect - paz, amor, unidade e respeito). A música, "executada" em pick-ups (pratos de toca-discos antigosl) por DJs, envolvia os clubbers e ravers em danças de horas a fio, numa grande celebração tribal de alegria e êxtase. (Souza,2002)

Os clubbers  surgiram em conseqüência do panorama da música de dança e do chamado clubbing, que mais não é do que a freqüência assídua a determinadas casas noturnas (clubs, ou discotecas) onde domina a música de estilo house, techno, trance, e drum n´ bass, quatro gêneros de música eletrônica.

A formação das tribos de  clubbers e ravers tem como referencial comum o gosto pela música eletrônica, que corresponde, para estes agrupamentos, a um conjunto de manifestações associadas a esta musica (e-music), como  estilos de vestuário, moda em geral,  culto ao DJ, cultura gay, uso underground de tecnologias contemporâneas (webzines, sites, listas de discussão, chats), festas ravers em clubs, cibercultura e o caracter hedonista da busca do prazer coletivo através da música, do uso de drogas, do prazer aqui e agora (Souza,2002).

Podemos dizer que a cultura da música eletrônica faz parte de uma cultura rizomática, ou seja: universal, com conexões em diferentes regiões do planeta, desterritorializada. Ainda, essa cultura é marcada pelo conceito underground (formas alternativas de informações, música sem caracter comercial) ligada à cibercultura. Associadas, essas culturas produzem novas formas de socialidade, difusão artística, manifestações de tribos, construindo novas formas do existir humano, afirma Palácios. Para que essas formas culturais constituam uma socialidade é preciso, contudo, um ponto de conexão. No caso da cultura da E-music, a música assume esse papel, constituindo tribos (clubbers e ravers), gerando, então, uma interconexão entre tecnologia, comportamento, arte, informação e ciberespaço. 

Sendo assim, através da música eletrônica, os ravers e clubbers vivenciam uma forma comum de experimentar, que é definido por Maffesoli (1987) como  “estilo estético” (“estético” entendido aqui como a maneira comum de experienciar, de sentir). Maffesoli (1995) afirma: 

o estilo estético, ao se tornar atento à globalização das coisas, à reversibilidade dos diversos elementos dessa globalidade, e à conjunção do material com o imaterial, tende a favorecer um estar-junto que não busca um objetivo a ser atingido, (...) mas empenha-se, simplesmente, em usufruir os bens deste mundo, em cultivar aquilo que Michel Foucault chamava de "cuidado de si", ou "o uso dos prazeres", em buscar, no quadro reduzido das tribos, encontrar o outro e partilhar com o outro algumas emoções e sentimentos comuns”. 

As características do ”estilo estético” são idênticas e partilhadas em diferentes territórios do mundo, acentuando por um lado à noção de tribalidade, e, por outro, a desterritorialização e o caráter rizomático desta cultura. 

Para compreender quem são os clubbers e ravers é preciso descrever  alguns aspectos que estão na base da cultura da música eletrônica como: a música eletrônica, a cultura do dj, festas raves, o dogma PLUR, vestimentas e drogas.


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E-zine:
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Listas de discussão:
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