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"A
noção de grupos é essencial ao entendimento
da dinâmica cultural urbana.
Uma
vez tendo tido acesso a toda a teorização sobre a cidade
feita por sociólogos que influenciaram fortemente não só
as ciências sociais, mas também o senso comum, compreende-se
que a cidade só existe enquanto relação entre os diferentes
grupos que interagem em um dado sistema produtivo.
Ou
seja, a cidade pode ser "construída"
(interpretada, analisada) a partir do trabalho, do lazer, da economia,
da religião, do "funk", da capoeira, dos shoppings, das esquinas,
das festas, do transito e sempre haverá uma cidade a ser construída
conforme se privilegiem aspectos específicos.
Pensar
a cidade como construção simbólica de determinados
grupos (inclusive o grupo dos que estudam a cidade) possibilita ver que
ela não rejeita seu papel de mercado, encontrando sua melhor definição,
provavelmente, neste termo, pois além de mercado de trabalho, de
trocas materiais, é o lugar onde os grupos efetuam também
- e especialmente - suas trocas simbólicas (Bourdieu, 1987). E que
é nesse processo de trocas simbólicas que a cidade desintegra
e dilui, mas apenas para, no instante seguinte, reintegrar, refazer de
modo diverso.
AMARAL, Rita de Cássia. Povo-de-santo, Povo de Festa - Estudo antropológico sobre o estilo de vida dos adeptos do candomblé paulista. Dissertaçao de Mestrado apresentada ao Departamento de Antropoloia da Universdidade de São Paulo, USP, São Paulo, 1992.
BOURDIEU,
Pierre "Gostos de classe e estilos de vida". In:
Ortiz,
Renato
(org.) - BOURDIEU, Coleção Grandes Cientistas Sociais.
no. 39. Ática, São Paulo 1983.
COHEN, Abner O Homem Bidimensional. Zahar, Rio de Janeiro, 1978