"Todas as coisas de que falo
estão na cidade
entre o céu e a terra.
São todas elas coisas
perecíveis
e eternas como o teu riso,
a palavra solidária
minha mão aberta
ou este esquecido cheiro
de cabelo que volta
e acende sua flama inesperada
no coração
de maio.
Todas as coisas de que falo
são de carne
Como o verão e o
salário.
Mortalmente inseridas no
tempo,
estão dispersas como
o ar
no mercado, nas oficinas,
nas ruas, nos hotéis
de viagem.
São coisas, todas
elas,
cotidianas, como bocas
e mãos, sonhos, greves,
denúncias,
acidentes de trabalho e
do amor.
Coisas,
de que falam os jornais,
às vezes tão
rudes
às vezes tão
escuras
que mesmo a poesia as ilumina
com dificuldade.
Mas é nelas que te
vejo pulsando,
mundo novo,
Ainda em estado de soluços
e esperança".