As Cidades "Invisíveis"
 
Percebe-se portanto que a cidade só existe enquanto relação entre os diferentes grupos que interagem em um dado sistema produtivo. Cada grupo, com seu modo ver o mundo ou com interesses voltados para aspectos específicos  pode construir e reconstruir a cidade criativamente, a partir de elementos selecionados no amplo leque de opções disponíveis na cultura de uma dada sociedade.
Pensar a cidade como construção simbólica de determinados grupos (inclusive o grupo dos que estudam a cidade) possibilita ver que ela não rejeita seu papel de mercado, encontrando sua melhor definição, provavelmente, neste termo, pois além de mercado de trabalho, de trocas materiais, é o lugar onde os grupos efetuam também - e especialmente - suas trocas simbólicas (Bourdieu, 1987). E que nesse processo de trocas simbólicas é que a cidade desintegra, dilui, mas apenas para, no instante seguinte, reintegrar, refazer de modo diverso. Enfim, a noção de mercado permite dizer que a cidade afirma sua existência empírica apenas enquanto sistema no qual atua uma grande quantidade de grupos de interesse, de referência, de vários tipos, tamanhos e filiações, que se confrontam, competem entre si, aliam-se, misturam-se e interpenetram a fim de proteger, aumentar ou legitimar aquilo que consideram seu patrimônio, seja este cultural, histórico, ideológico ou outros. Numa palavra: seus estilos de vidas".
BOURDIEU, Pierre.  "Gostos de classe e estilos  de vida". In: ORTIZ, Renato (org.)  BOURDIEU, Coleção Grandes Cientistas Sociais. no. 39. Ática, São Paulo, 1983.

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