Novas formas de viver
– Clubers
e Ravers
Resumo
A
Cultura
da Música Eletrônica fundamenta a formação
de grupos como os clubbers e ravers e, também,
a produção musical computadorizada, festas raves, vestimentas,
cultura dj, clubbing, ideologias (PLUR- peace, love, unity and respect),
etc. O movimento clubber surge no final dos anos setenta e as primeiras
raves no final da década de oitenta, ou seja, na pós- modernidade.
Características desse período histórico pós-
industrial, a saturação do forma política e do individualismo,
a desterritoriazição, a massificação das sociedades
e o consumismo, entre outros, são criticados por essas tribos.
Histórico
Na Pós- Modernidade,
que corresponde a uma sociedade pós- industrial, marcada por um
momento pós-utópico, sem projeção de futuro,
são constituídos novas formas de agrupamentos: as tribos
urbanas. Os clubbers e ravers, marcados pela Cultura da Música
Eletrônica, se fundamentam em modelos subjetivos com características
próprias da contemporaneidade que representam uma nova forma de
viver nesse período histórico.
O movimento clubber começou
a surgir na década de 70, em um período pós-guerra
do Vietnã. No entanto, foi na década de 80, na Inglaterra,
que esse movimento sefirmou. Naquele momento não só
os clubbers estavam tentando se auto-afirmar dentro do sistema, mas também
os punks, negros e gays. Os clubber se uniram para defender uma filosofia
de paz, diversão e liberdade. Já no final dos anos 80 aconteciam
as primeiras festas raves em Manchester (Inglaterra), derivadas
das festas em clubs de Ibiza, Espanha, cujo som se denominava “balearic”
(qualquer gênero dançante). Em seguida o fenômeno
se espalharia pela Alemanha, principalmente Berlim. Nos EUA (New York),
as festas rave chegam em 1991.
Toda a cena inglesa, ao final
dos anos 80, era chamada de “acid house party". A terminologia não
existia até então. O termo Rave (delírio)
surge para reforçar a relação da música eletrônica,
com o esctasy e ácido lisérgico na busca por um estado
alterado de consciência .(Souza,2002)
O conceito de Rave,
advindo da produção da música eletrônica, foi
formatado em festas realizadas em espaços abertos, fora do perímetro
urbano ou em galpões abandonados da periferia, ao som da música
hipnótica tecno e do uso de drogas como o Ecstasy e o LSD. Como
ideologia, os ravers adotaram a defesa dogmática do PLUR (peace,
love, unity and respect - paz, amor, unidade e respeito). A música,
"executada" em pick-ups (pratos de toca-discos antigosl) por DJs, envolvia
os clubbers e ravers em danças de horas a fio, numa grande celebração
tribal de alegria e êxtase. (Souza,2002)
Os clubbers
surgiram em conseqüência do panorama da música de dança
e do chamado clubbing, que mais não é do que
a freqüência assídua a determinadas casas noturnas (clubs,
ou discotecas) onde domina a música de estilo house, techno,
trance,
e
drum n´ bass, quatro gêneros de música eletrônica.
A formação
das tribos de clubbers e ravers tem como referencial comum o gosto
pela música eletrônica, que corresponde, para estes agrupamentos,
a um conjunto de manifestações associadas a esta musica (e-music),
como estilos de vestuário, moda em geral, culto ao DJ,
cultura gay, uso underground de tecnologias contemporâneas (webzines,
sites, listas de discussão, chats), festas ravers em clubs, cibercultura
e o caracter hedonista da busca do prazer coletivo através da música,
do uso de drogas, do prazer aqui e agora (Souza,2002).
Podemos dizer que a cultura
da música eletrônica faz parte de uma cultura rizomática,
ou seja: universal, com conexões em diferentes regiões do
planeta, desterritorializada. Ainda, essa cultura é marcada pelo
conceito underground (formas alternativas de informações,
música sem caracter comercial) ligada à cibercultura.
Associadas, essas culturas produzem novas formas de socialidade, difusão
artística, manifestações de tribos, construindo novas
formas do existir humano, afirma Palácios. Para que essas formas
culturais constituam uma socialidade é preciso, contudo, um ponto
de conexão. No caso da cultura da E-music, a música assume
esse papel, constituindo tribos (clubbers e ravers), gerando,
então, uma interconexão entre tecnologia, comportamento,
arte, informação e ciberespaço.
Sendo assim, através
da música eletrônica, os ravers e clubbers vivenciam
uma forma comum de experimentar, que é definido por Maffesoli (1987)
como “estilo estético” (“estético” entendido aqui como
a maneira comum de experienciar, de sentir). Maffesoli
(1995) afirma:
“o
estilo estético, ao se tornar atento à globalização
das coisas, à reversibilidade dos diversos elementos dessa globalidade,
e à conjunção do material com o imaterial, tende a
favorecer um estar-junto que não busca um objetivo a ser atingido,
(...) mas empenha-se, simplesmente, em usufruir os bens deste mundo, em
cultivar aquilo que Michel Foucault chamava de "cuidado de si", ou "o uso
dos prazeres", em buscar, no quadro reduzido das tribos, encontrar o outro
e partilhar com o outro algumas emoções e sentimentos comuns”.
As características
do ”estilo estético” são idênticas e partilhadas em
diferentes territórios do mundo, acentuando por um lado à
noção de tribalidade, e, por outro, a desterritorialização
e o caráter rizomático desta cultura.
Para compreender
quem são os clubbers e ravers é preciso descrever
alguns aspectos que estão na base da cultura da música
eletrônica como: a música eletrônica, a cultura
do dj, festas raves, o dogma PLUR, vestimentas e drogas.

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